Grandes fotógrafos do Brasil
O Blog Visão Global, tem paixão por fotografia, especialmente a que se dedica ao jornalismo. No dia de hoje, Dia Nacional do Fotógrafo e da Fotografia, apresenta alguns grandes brasileiros, mestres nesta Arte:
Alberto Ferreira
Símbolo do jornalismo esportivo traduzido na famosa bicicleta de Pelé
Era 2 de junho de 1965, durante uma partida entre Brasil e Bélgica, quando o já fotógrafo profissional Alberto Ferreira congelou para a eternidade uma gloriosa bicicleta de Pelé. Reconhecida como um dos ícones do jornalismo esportivo, a fotografia renderia uma longa amizade entre Alberto e o Rei, e seria apenas um dos primeiros passos na carreira de 25 anos que Alberto Ferreira traçou no carioca Jornal do Brasil. “Ele tinha um olhar impressionante, de águia. E atitude suficiente para escolher a foto, levar até a mesa do editor e dizer: ‘Esta é a capa’”, relembra o companheiro de JB, Evandro Teixeira.
… “Alberto soube como ninguém explorar esse novo espaço (dado à fotografia) e moldar uma equipe de fotógrafos ao seu estilo: simples, original e ousado”, diz o fotógrafo Rogério Reis, que começou sua carreira sob a batuta de Ferreira, como estagiário do JB, no final da década de 70.
Ele relembra com carinho uma passagem divertida ao lado do “professor” que se tornou seu amigo: “Em 2005, fomos à exposição de Cartier-Bresson no FotoRio, e lá fomos recebidos pela Martine Franck, viúva do mestre francês. Apresentei-o a Martine como um grande maestro da fotografia do JB dos anos 70 e 80. Ela disse que estava encantada em conhecê-lo. Nesse momento, Alberto olhou para mim e disparou: "Traduz aí: eu nunca gostei das fotos do marido dela, é tudo armação; na minha equipe ele não trabalhava!".
Ao longo de 43 anos de jornalismo, além do JB, Alberto passou também pelas redações de O Globo, Correio da Manhã, O Dia, além das rádios Nacional, Tupi e Globo (todas na cidade do Rio de Janeiro).
Momento em que Pelé se contunde na Copa de 1962, no Chile
Em 1963, levou o Prêmio Esso pela foto “O Rei se curva ante a dor que o Brasil todo sentiu”, realizada durante a Copa do Mundo, no Chile, em 1962, numa partida entre Brasil e Tchecoslováquia, quando Pelé saiu de campo contundido. Além das célebres fotos de futebol, Alberto documentou a construção de Brasília, das primeiras pedras em frente ao planalto até as bases da Catedral, levando parte dessas imagens para território francês, em 2005, durante o Ano do Brasil na França, na mostra “Brasília, uma Metáfora da Liberdade”, juntamente com as imagens contemporâneas de Jair Lanes.
Trecho da matéria "Na Memória", de Flávia Lelis, para a 17ª edição da Revista FS
Jean Manzon
… Quando as fotografias surgiram, pulando das gavetas, mal dava para acreditar nos próprios olhos: cerca de 17.000 negativos - todos muito bem conservados pelo próprio Jean Manzon - compunham um riquíssimo mosaico do Brasil.
Aprazível Edições acabava de realizar o livro "Olho da Rua", exatamente com as fotos de José Medeiros, discípulo notável de Manzon. O nome do fotógrafo francês era um mito: o pioneiro de nosso fotojornalismo, nos anos 1940, quando Assis Chateaubriand, mago da revista "O Cruzeiro", decidira que o país não poderia ficar apenas imerso no imaginário das ondas de rádio. Era preciso revelar o Brasil aos brasileiros por meio de imagens fixadas no papel.
Manzon surge aí, trazendo uma impecável qualidade estética para realizar um gigântico trabalho documental. Ele repetia, em pleno século 20, o papel dos pintores viajantes, como Debret e Taunay, que, no século anterior, trataram de documentar a flora, a fauna e as etnias brasileiras. Agora, Manzon se dedicava a fazer aflorar a face do homem brasileiro. Retira-lo dos Rincões. Tornar visível aos olhos cosmopolitas das capitais, que se urbanizavam rapidamente, as imagens do homem: o índio, o seringueiro, o vaqueiro. Criando a noção da foto como arte e jornalismo. Não é exagerado afirmar que Manzon fixou os tipos característicos que eram exibidos, por meio de desenhos, nos cadernos escolares a partir dos anos de 1950.
… Manzon palmilhou, máquina em punho, os mais endiabrados percursos geográficos, políticos e íntimos deste vasto território nacional. Se a partir dos anos de 1930, o Brasil ganharia novos contornos na visão de Gilberto Freyre e Sérgio Buarque, na poética de Drummond e Bandeira, na pintura de Portinari e Di Cavalcanti, ainda faltava fincar um pilar dessa arquitetura cultural: a fotografia. O Brasil que até então se imaginava nas ondas sonoras do rádio, finalmente ganha uma identidade visual. O país passa a ler "O Cruzeiro" e se constrói uma "era de ouro" do fotojornalismo brasileiro - não porque fosse mais aguda a apreensão da realidade do que é hoje, mas porque certamente havia um pensamento comum que contribuía para a formação dessa inapreensível idéia chamada Brasil. Manzon, fotógrafo, se torna cineasta, já no final dos anos 50. O Brasil é justamente um rosto, um retrato que se esconde por trás de belíssima luz e sombra - nas intercessões entre antigas tradições e a modernidade, a fazenda e a cidade, a personalidade política e o pescador, o folião e o padre. O Brasil explode nos encontros e contrastes, nas tensões e conciliações - subterrâneo e impalpável. Urdido por um grande artista, o Brasil dos anos 1940 e 50 emerge em feições de um país novo e alegre, inebriado por sua própria imagem, esperançoso para se exibir aos olhos do mundo. Ele, agora, se mostra a seus olhos. Deixe-se comover. Renove suas esperanças. Você está diante de um retrato vivo de uma grande aventura.
Leonel Kaz e Niggie Loddi - Texto de apresentação do livro “Jean Manzon – Retrato Vivo da Grande Aventura” - Fevereiro/2007
Walter Firmo
Walter Firmo nasceu no Rio de Janeiro, em 1937. Formou-se em jornalismo e com 20 anos entrou no jornal carioca Última Hora, quando começou a fotografar. Ficou sete anos no jornal diário, cobrindo o factual, e foi para a revista Realidade, onde poderia produzir ensaios mais elaborados. Depois disso passou pelas revistas Manchete, Isto É e Veja, e pelo Jornal do Brasil. Recebeu o prêmio Esso de Jornalismo, em 1963, com a série Cem Dias na Amazônia de ninguém, e nove vezes o Prêmio Internacional de Fotografia Nikon. Entre os livros publicados estão Walter Firmo. Antologia Fotográfica, Paris parada sobre imagens e Rio de Janeiro Cores e Sentimentos. Em 1986 fundou o Instituto Nacional de Fotografia, da FUNARTE, do qual ficou afastado no período do governo Collor, em 1991, quando a fundação foi extinta, retornando com a posse de Itamar Franco. Desde 1992, Firmo ministra cursos de fotografia pelo país, como na Íma Foto Galeria, em São Paulo, Techimage, em São Paulo e Belo Horizonte, Casa da Photographia, em Salvador, entre outras.
O livro Firmo é uma retrospectiva de imagens inéditas da carreira do fotógrafo, que completa 50 anos de profissão em 2007. A foto mais antiga é do Zagallo, em 1957, quando ainda atuava como jogador. Depois vieram outros cliques de suas caminhadas pelo Brasil, e pelo mundo, principalmente enquanto produzia grandes reportagens para revistas e jornais. “Walter Firmo caça imagens. E vive os mesmos êxtases que o romancista russo Tolstói: instantes emotivos em que as coisas surgem sob uma luz nova, de alma nova, com uma intensidade desconhecida e plena de significado. Joyce chamava esses momentos de epifanias - considerava que a vida era digna de ser vivida só para acumular tais experiências. Firmo as capta com a luz”, escreveu Cláudio Bojunga no texto de apresentação do livro.
Sebastião Salgado
A seca no Mali (África)
Sebastião Ribeiro Salgado nasceu em 1944, na cidade de Aimorés- MG. É hoje um dos mais conhecidos e premiados fotojornalistas no mundo. Começou na fotografia tardiamente, tendo desenvolvido, antes, a atividade de economista, área em que recebeu o titulo de doutor pela Université de Paris, em 1969. Trabalha na Organização Internacional do Café, em Londres (Inglaterra), entre 1971 e 1973, antes de retornar a Paris e passar a fotografar para a agência Sygma em 1974. Entre 1975 e 1979, trabalha para a Gamma, iniciando a documentação sobre as condições de vida dos camponeses e índios latino-americanos que o tornaria conhecido.
Em 1979 ingressa na prestigiosa agência Magnum, que chega a presidir e na qual permanece até 1994, ano em que cria a própria agência, Amazonas Imagens. Em 1982 foi contemplado com o prêmio Eugene Smith (Estados Unidos), inaugurando assim uma longa série de importantes prêmios internacionais, entre os quais o World Press (Holanda, 1985), o Prêmio Oscar Barnack (Alemanha, 1985 e 1992), o Prêmio Fotógrafo do Ano (Sociedade Americana de Fotografias para Revistas, Estados Unidos, 1987), o Prêmio Erna e Victor Hasselblad (Suécia, 1989), e o prêmio de Fotojornalismo do International Center of Photography (Estados Unidos, 1990), Grande Prêmio da Cidade de Paris (França, 1991), Medalha do Centenário (concedida em 1994 pela Real Sociedade da Fotografia da Grã-Bretanha, da qual é membro honorário). É autor dos livros: Sahel: L’Homme en détresse (França, 1986); Autres Amériques (França, 1986; lançado no Brasil em 1999); An Uncertain Grace (Estados Unidos, 1990); Sebastião Salgado - As melhores fotos (Brasil, 1992); In Human Effort (Japão, 1993); Workers (1993); La main de l’Homme (França, 1993); Terra (Brasil, 1997) e Êxodos (Brasil, 2000).
Fonte: Fotosite
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