Ramos Horta e Xanana Gusmão sofrem atentados no mesmo dia em Timor Leste
José Ramos-Horta (Foto: Lirio Da Fonseca/Reuters)
O presidente de Timor Leste, José Ramos Horta, submetido a uma intervenção cirúrgica após ter sido baleado, e o primeiro-ministro do país, Xanana Gusmão, foram alvos, no fim da noite de domingo, de dois atentados diferentes em Dili.
Ramos Horta foi operado no hospital militar australiano, depois de ter sido atacado em sua casa, na Boulevard JF Kennedy, em circunstâncias ainda pouco claras. O ministro timorense das Relações Exteriores, Zacarias da Costa, indicou que, durante a operação, os médicos tentaram extrair uma das duas balas que atingiram Ramos Horta. Um dos tiros entrou pelas costas e passou para o estômago e o outro o acertou de raspão. O ataque contra a casa do presidente timorense resultou em dois mortos, um dos quais o mais procurado rebelde de Timor Leste, o major fugitivo Alfredo Reinado. “É verdade, o major Alfredo Reinado morreu”, confirmou à Ag. Lusa o tenente Carlos Correia, oficial de ligação do Sub-agrupamento Bravo da Guarda Nacional Republicana (GNR) em Dili.
José Ramos Horta foi atacado à porta de sua casa, por volta das 6h15 locais (19h15 em Brasília), afirmou o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão. Às 7h45 (20h45 em Brasília), Xanana Gusmão também foi atacado a caminho de Dili, mas não sofreu nenhum ferimento. Segundo Xanana Gusmão, a comitiva em que seguia de Balíbar, onde reside, para Dili ficou sob “fogo cerrado” e o veículo que seguia à sua frente saiu da pista. Não se sabe se o motorista foi atingido. O veículo de Xanana Gusmão também foi alvo de balas, segundo o próprio primeiro-ministro, que disse ter conseguido chegar a Dili apesar dos “pneus furados”.
A família de Xanana Gusmão foi transportada para o Palácio do Governo, que se encontra guardado por membros das forças militares internacionais que atuam em Timor Leste. Xanana Gusmão afirmou que a condição do presidente de Timor Leste é “estável” e classificou como “covardes” os ataques ocorridos na capital do país. “Foi um ataque covarde contra o presidente da República, contra o primeiro-ministro e contra as instituições do Estado”, declarou o chefe do governo timorense, no Palácio do Governo, em Dili.
De acordo com o chanceler Zacarias da Costa, após o ataque, o presidente timorense ficou mais de uma hora no quarto da sua residência à espera de socorro. “As forças da ONU fecharam a estrada, mas não o socorreram de imediato e ele ficou mais de uma hora deitado em seu quarto à espera que alguém o socorresse”, revelou. Segundo disse à Lusa, João Carrascalão, dirigente da União Democrática Timorense (UDT), os membros da Guarda Nacional Republicana foram os primeiros a socorrer Ramos Horta.
Carrascalão criticou a ação das forças policiais da ONU. “O que é grave é que a Unpol [Polícia das Nações Unidas] chegou ao local, ficou a 300 metros, e não deu qualquer assistência ao Horta. Foi a GNR que foi lá socorrê-lo”, disse.
O embaixador de Portugal em Dili, João Ramos Pinto, disse que o ataque ao presidente Ramos Horta ocorreu quando ele se preparava para inaugurar a reunião de ministros do Trabalho da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que estava prevista para acontecer no palácio presidencial e foi transferida para o Hotel de Timor. “O local da reunião foi transferido para o Hotel de Timor, que está policiado por agentes das Nações Unidas e timorenses”, disse o diplomata. Segundo a mesma fonte, as Nações Unidas apelaram à população para restringir os movimentos e para as famílias não saírem de casa. O chanceler disse ainda que, “aparentemente, a situação em Dili está calma”.
Na seqüência dos ataques contra o presidente e o primeiro-ministro timorenses, as forças das Nações Unidas em Timor Leste foram colocadas em “estado de alerta máximo”, disse a porta-voz da missão da ONU em Dili. Condenando o ataque, o ex-primeiro-ministro de Timor, Mari Alkatiri, pediu responsabilidades à missão da ONU em Timor (Unmit) e às Forças Internacionais de Estabilização pelos atentados de que foram alvo o presidente e o primeiro-ministro do país. O atentado, “parece ter sido tentativa de golpe de Estado, porque afetou o Presidente da República e o primeiro-ministro, no momento em que o presidente do Parlamento estava fora do país”, considerou Mari Alkatiri.
Fonte: Ag. Lusa
Infelizmente a situação em Timor não está bem não é de hoje, apesar de condenarmos os atentados, não podemos esquecer que eles podem ter sido originados (apesar da condenação de Alkatiri) em represália às manobras no mínimo, casuísticas, feitas pela dupla Ramos Horta e Xanana Gusmão, que resultaram na exclusão da corrente política liderada por Alkatiri na composição do governo. Lembramos que, o partido de Mari Alkatiri embora não tenha obtido a maioria, foi o mais votado nas últimas eleições (veja a matéria).
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