Quem planejou o assassinato de Alfredo Reinado?
Alfredo Reinado é um herói ou um criminoso? Há, como em tudo na vida, teses que sustentam qualquer um dos veredictos. Mais do que saber qual o epíteto que lhe deve ser dado, seria importante saber o que realmente aconteceu. O major Reinado liderou uma emboscada a Ramos Horta e a Xanana Gusmão ou, pelo contrário, foi atraído a uma emboscada?
As versões oficiais e politicamente “corretas” indicam que Alfredo Reinado quis decapitar Timor-Leste, matando o presidente da República e o primeiro-ministro. Perante a constatação de que o major fora morto uma hora antes de Ramos Horta ser alvejado, as versões foram retocadas e aventada a hipótese de a idéia ter sido a de raptar Horta e Xanana.
Chamados, como sempre acontece, a descobrir o que se passara num país a quem chamam o seu quintal, os australianos sustentam a tese de tentativa de rapto por ser, reconheço, a mais verosímil com os dados conhecidos e mais fácil de digerir por uma comunidade internacional que se alinha na “diabolização” de Alfredo Reinado.
Há, contudo, outras possibilidades de leitura para o que se passou, goste-se ou não de Alfredo Reinado. Fontes timorenses acreditam que o major não queria nem matar nem raptar Horta e Xanana.
Reinado, embora armado e protegido pelos seus homens, ter-se-á dirigido à casa do presidente para, com o seu conhecimento, falar com ele e tentar resolver a questão da sua eventual entrega à Justiça timorense. Lá chegado, a segurança de Ramos Horta terá atirado primeiro para perguntar depois ao que vinha o major. Matou-o. Considerando que tinham sido traídos, os homens de Reinado viram o seu líder assassinado e esqueceram ao que iam. Responderam na mesma moeda, avisaram o grupo de Gastão Salsinha, e começaram a caça a Ramos Horta que foi atingido, recorde-se, uma hora depois de Reinado estar morto.
Salsinha ao saber que Reinado fora morto mandou homens à casa do primeiro-ministro e, dada a sua ausência, tentaram bloquear a caravana em que Xanana Gusmão seguia. Terá acolhida esta versão? Provavelmente não. É a mais incômoda quer para o poder instituído em Timor-Leste quer, ainda, para as forças australianas que não dizem o que sabem.
A tese oficial, seja a de assassinato ou rapto, tem de fato muitas pontas soltas. Reinado lideraria um golpe para matar Horta dirigindo-se à casa sem saber que, como o presidente fazia todos os dias, aquela hora ele fazia sempre exercícios nos terrenos limítrofes? Mandaria os seus homens à casa de Xanana sem cuidar de saber se ele lá estaria?
Não vale a pena, contudo, aguardar pelos próximos episódios. Reinado foi morto e enterrado e às instituições internacionais falta coragem para ir a fundo nas investigações.
Por Orlando Castro, jornalista do blog Alto Hama
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16th February, 2008 at 12:15pm
Para mim, Alfredo Reinaldo foi atraído a uma emboscada!
Tentaram matar Ramos Horta, quanto ao Xanana a história dever estar mal contada.
A procissão ainda vai no adro.
Onde há petróleo à confusão pela certa.
E Timor ainda não é um estado na verdadeira acepção da palavra.
Há ali um conflito latente e adormecido entre a Indonésia e a Austrália, ou seja entre o oriente e o ocidente, entre o cristianismo e o islão…
Com um fiel, os soldados da GNR, que tem evitado que a confusão seja maior e o número de mortos não tenha controlo.
Os aussies são frios, os indonésios sanguinários e quanto aos portugueses andaram pelos 5 cantos do mundo e não tem complexos de superioridade.