Você sabe o que vai fazer antes do mundo acabar?
Bem amigos, os que nos conhecem por mais tempo sabem que o Visão Global não é um espaço para a divulgação de matérias do tipo "1º de abril", até porque hoje já é 03/04. Nos esforçamos por trazer para vocês "Informação de qualidade para qualidade de opinião". Por isso, contrariamente ao que o título possa inadvertidamente induzir, este é um tema sério.
Em qualquer dia de julho deste ano de 2008, em Genebra, Suíça, no maior laboratório de física nuclear já construído, o Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), onde está, 100 metros abaixo, o maior e mais sofisticado acelerador de partículas, chamdo LHC (Large Hadron Collider - Grande Colisor de Hadróns), 6.500 cientistas, participantes do megaprojeto, vão acompanhar ansiosos, dois ínfimos e minúsculos átomos se chocarem a uma velocidade altíssima. Desse choque, segundo a teoria, um “spray” de novas partículas irá surgir, revelando detalhes da matéria do universo e oferecendo possibilidade de estudo de um “Big Bang” de laboratório.
A idéia é estudar a criação de energia no segundo seguinte ao ‘Big Bang’, além do impacto que o fenômeno teve sobre a vida no universo. A esperança dos cientistas é de que se possa entender melhor como a vida foi criada. Para gerar a velocidade necessária, os cientistas criaram um gigantesco túnel subterrâneo ao redor de Genebra e passando pelo território francês.
O fim do mundo…
Entretanto, um grupo de cientistas, temerosos com os resultados desta experiência, entrou com processo contra o CERN, para impedir a realização do evento. Na corte federal do Havaí, nos Estados Unidos, os cientistas Walter Wagner e Luis Sancho alertam que o choque de protons poderia produzir, ao contrário do resultado esperado, uma situação singular, que acabaria por criar um buraco negro ou algo similar que acabaria engolindo a Terra, e que as consequências do teste poderiam ser fatais.
O processo também acusa o laboratório na fronteira entre a Suíça e a França de não ter feito os estudos ambientais necessários. O teste está marcado para meados do ano, depois de vários atrasos e mais de 14 anos de estudos com cientistas de todo o mundo, inclusive brasileiros.
O CERN garante que os riscos não existem e que o processo não faz qualquer sentido. Mas a esperança dos cientistas é de que a corte americana dê uma ordem para que os testes sejam cancelados até que fique comprovada a segurança do experimento. O Departamento de Energia dos Estados Unidos, que também fará parte dos testes, é um dos acusados no processo.
Uma audiência em Honolulu está marcada para o dia 16 de junho, poucas semanas antes do teste. A rigor, o CERN não precisaria estar presente, já que não responde à Justiça americana.
Em Genebra, os diretores da entidade intergovernamental ironizam o processo. Mas o problema é que o governo dos Estados Unidos é um dos principais atores no projeto e, se a corte tomar uma decisão a favor dos cientistas, Washington teria de reavaliar sua participação. Na prática, o caso poderia atrasar mais uma vez os testes.
A assessoria de imprensa do CERN afirmou não ter entendido o motivo do processo nessa fase do projeto. "Não há nada de novo para que se conclua que o acelerador não seja seguro", afirmou James Gillies, porta-voz do laboratório. Na próxima semana, o laboratório promete divulgar seu terceiro e último relatório sobre a segurança do teste. Nos dois primeiros, o CERN garante que ficou confirmado que não há riscos nem para Genebra, França ou para o mundo. Mesmo assim, o centro de pesquisas decidiu criar mais um grupo de trabalho para avaliar o caso. Um relatório teria de ser apresentado há dois meses. Mas até agora nada foi divulgado.
Infográfico: Veja(Fotos Yuriko Nakao/Reuters/Nasa e Divulgação)
Fonte: Jamil Chade - O Estado de S. Paulo
Está certo que o ser humano deva buscar o conhecimento, ultrapassar limites, enfrentar o desconhecido, mas a que custo? Não estamos falando aqui do capital dispendido, mas do risco. Já não bastam os problemas ambientais, de distribuição de renda, saneamento, etc… Um experimento desta natureza, por mais insignificante que seja o risco de algo dar errado, não vale a pena corrê-lo… De qualquer forma, você sabe o que vai fazer antes do mundo acabar?
Para ajudar a pensar escute estas duas músicas: O último dia com o Paulinho Moska e It’s the End of World as we know it (and I feel fine) com o R.E.M.
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