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A mágica da Kombi

08/01/2008 Publicado por: Xico Lopes Categorias: Alemanha, Automóveis & Automobilismo, Brasil, Curiosidades, Datas & Acontecimentos, Design, Empresas, Indústria, Tendências No Comments →

A perua completou 50 anos de vida. Por que ela continua a encantar os clientes mesmo sem atrativos e avanços tecnológicos?

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Com muita elegância e vigor, o principal ícone da indústria automobilística, a Kombi chegou aos 50 anos ininterruptos de produção no Brasil. Produzida em São Bernardo do Campo desde 1957, foi o primeiro veículo da Volkswagen do Brasil. Em uma trajetória sem precedentes, reúne números que traduzem o respeito e a incontestável liderança no segmento de mercado que atua. Com 1.383.557 unidades produzidas, a Kombi nunca perdeu a liderança do seu segmento e suas vendas alcançaram as 1.290.502 unidades (de 1957 a julho de 2007). Atualmente, responde por 7,2% do segmento de veículos comerciais leves, com 13.259 unidades comercializadas nos primeiros sete meses do ano.

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Nascida na bossa nova, foi protagonista do movimento hippie dos anos 60, viveu os anos da ditadura, do militarismo e assistiu ao nascimento da democracia brasileira. Em todos estes anos, a Kombi presenciou o fechamento e a abertura do mercado de veículos, acompanhou de perto a chegada dos novos competidores deste mercado sempre alheia às crises e inconstâncias do setor.

Travestida de pastelaria, Correios, transporte escolar, lotação entre outros, a Kombi sempre preservou os atributos de primeiro monovolume do Brasil e, certamente o melhor custo-benefício da categoria. Como nenhum outro veículo do mercado nacional, ela cumpre um importante papel no desenvolvimento de pequenos negócios, assim como é indispensável no transporte de carga/passageiros de grandes empresas. A Kombi é o veículo mais trabalhador da história do Brasil. E se engana quem acredita que o comprador de Kombi é tipicamente o profissional autônomo. De janeiro a julho de 2007, suas vendas dividiram-se entre 61% de frotistas (empresas de médio e grande porte), 33% de varejo (pequenos empresários e compradores particulares), além de 6% a órgãos governamentais. Dentro do segmento de Passageiros e Carga, a Kombi responde por 53% das vendas, contra 47% dos outros concorrentes diretos no mercado nacional.

O cliente da Kombi valoriza atributos como a confiabilidade e a economia para decidir a compra. Está inserido nas classes B e C e tem entre 30 e 45 anos. Este cliente também tem uma característica especial, ao comprar a Kombi ele não deseja apenas um veículo e sim iniciar ou ampliar seu negócio. Ela está acima de qualquer pesquisa ou tendência de mercado porque comprova sua eficiência reunindo qualidades com uma relação custo-benefício sem similares na concorrência, que vão desde a longa durabilidade até a facilidade de manutenção, amparada por uma ampla rede de concessionários.

História de respeito e sucesso

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O nome Kombi vem do alemão Kombinationfahrzeug que quer dizer “veículo combinado” (ou “Veículo Multi-Uso”). Desenvolvido pelo holandês Ben Pon na década de 40, o projeto pretendia unir o confiável conjunto mecânico do Fusca com os atributos de um veículo de carga leve. A produção do modelo começou na Alemanha 1950. O destaque era a carroçaria monobloco, suspensão reforçada e motor traseiro, refrigerado a ar, de 18.4 kW.

No Brasil, a Kombi foi lançada em meio às obras da fábrica, que seria inaugurada somente dois anos depois. Com um índice de nacionalização de 50% a Kombi tinha motor de 1.200 cc. Menos de quatro anos mais tarde chegou ao mercado o modelo seis portas, nas versões luxo e standard, com câmbio sincronizado e índice de nacionalização de 95%. A versão pick-up surge em 1967, já com motor de 1.500 cc e sistema elétrico de 12 volts.

Em 1975, com uma nova reestilização, a Kombi passa a ser equipada com o motor 1.6 litros e, três anos mais tarde, o modelo ganha dupla carburação. O motor diesel 1.6, a água, surgiu em 1981, mesmo ano do lançamento das versões furgão e pick-up com cabine dupla. No ano seguinte surge o modelo a álcool e em 1983 a Kombi apresenta um novo painel e volante, além da alavanca do freio de mão, que sai do assoalho e passa para debaixo do painel.

As versões a diesel e cabinas duplas deixaram de ser produzidas em 1985, porém continuaram incorporando novidades e itens de conforto como cintos de segurança de três pontos, bancos dianteiros com encosto de cabeça, temporizador para o limpador do pára-brisa, entre outros. Em 1992 a Kombi ganhou conversores catalíticos de três vias, sistema servo-freio, incluindo discos na frente e válvulas moduladoras de pressão para as rodas traseiras.

Uma versão mais moderna chegou em 1997 com o nome de Kombi Carat, apresentando novas soluções, como teto mais alto, porta lateral corrediça e a ausência da parede divisória atrás do banco dianteiro. As mudanças foram realizadas sem abrir mão da versatilidade e economia exigidas por seus fiéis consumidores.

No novo projeto, além de proporcionar mais espaço para cargas e conforto para passageiros, os engenheiros e técnicos da Volkswagen preocuparam-se em garantir uma carroçaria mais resistente a impactos. O trabalho, que incluiu testes estáticos, dinâmicos e muita pesquisa resultou em uma carroçaria de deformação programável, com reforços em pontos estratégicos que minimizam as conseqüências de uma colisão.

Porém no final de 2005, a Kombi foi além para atender às exigências específicas do seu público e passou a ser equipada com o inédito motor 1.4 8V Total Flex (arrefecido a água), cerca de 25% mais potente, quando abastecido com 100% a álcool, ou 34% (gasolina), além de ser até 30% mais econômico que o antecessor refrigerado a ar, reforçando a máxima de que não há maneira mais barata e eficiente de se transportar uma tonelada de carga.

Com o novo motor, da família EA-111 empregada nos modelos Fox e Polo, desenvolve potência de 78 cv a 4.800 rpm se movido com 100% de gasolina. Abastecida com 100% a álcool, atinge 80 cv na mesma rotação. Preservando as linhas básicas de seu design original, a nova Kombi 1.4 Total Flex ganha poucas alterações externas. Além da grade dianteira que envolve o radiador, que se fez necessário pela adoção do motor arrefecido a água, a Kombi mantém um bocal externo para o abastecimento de gasolina do reservatório de partida a frio (recurso que existia no motor a ar movido a álcool). Essa tampa fica na lateral esquerda, próxima ao pára-lama traseiro do veículo. O bocal do tanque de combustível, que poderá ser abastecido com qualquer proporção entre álcool e gasolina, permanece na lateral direita da Kombi.

A Kombi também ganhou outra janela de acesso para o motor e sob o tapete do assoalho, ao lado do estepe, existe uma nova abertura que proporciona alcance imediato à parte alta do motor.

A Kombi está disponível em quatro versões: Standard (9 passageiros), Furgão (2 ou 3 passageiros), Lotação (12 passageiros) e Escolar (15 passageiros). Atualmente, a versão Standard corresponde a 75% do mix de produção, com 10% cabendo à Furgão e 15% aos demais modelos.

Carreira internacional

A trajetória internacional da Kombi inicia-se com a história das exportações da Volkswagen do Brasil no anos 70 e ultrapassa a marca de 92.915 unidades enviadas a cerca de 100 países em todo o mundo. No ínicio com o motor refrigerado a ar 1.2, 1.5 e posteriormente 1.6 com 4 modelos de Kombi: Standard ou Kombi 6 Portas, Kombi Furgão, Kombi Pick-Up e a Kombi Ambulância.

Os principais mercados externos da Kombi foram Argélia, Argentina, Chile, Peru, México, Nigéria, Venezuela e Uruguai. Na Nigéria, a Kombi era conhecida como Kombi-Taxi na versão 6 portas. Era exportada em grande volume para a Argélia na versão Ambulância com inscrições em árabe no painel dianteiro e na tampa traseira.

Quanto as modificações técnicas específicas para exportação o destaque é a mudança de direção do lado esquerdo para o direito nos mercados da Jamaica e Indonésia. Serra Leoa importou a Kombi a diesel para ser utilizada no transporte de trabalhadores dentro das minas de extração de diamantes.

Atualmente, a Volkswagen exporta cerca de 200 unidades com motor refrigerado a água 1.4, com 4 marchas, para o mercado de colecionadores na Inglaterra. A versão que segue para aquele País é a Standard com os opcionais de anti-embaçante no vidro traseiro. O importador transforma a Kombi em uma pequena cozinha durante o dia e um dormitório a noite. A empresa faz as transformações da Kombi com direção para o lado direito atendendo ao rígido mercado inglês.

“Jeitinho brasileiro” de fazer Kombi

Produzida na fábrica Anchieta, localizada em São Bernardo do Campo, sua linha de produção é composta por 322 empregados diretos, sendo 137 na Montagem Final e 185 na Armação, além da Pintura que atende aos demais modelos produzidos na unidade (Gol, Saveiro, Polo, Polo Sedan e Fox Exportação).

A linha de produção da Kombi trabalha em um turno (das 6h00 às 15h19), onde são fabricadas 90 unidades do modelo por dia. Os empregados são conhecidos como os “Especialistas” por conhecer todo o funcionamento da linha, no que eles consideram, “o melhor jeito de fazer Kombi”.

Fonte: Da redação do Icarros.uol.com.br

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