Leite materno pode aumentar QI em mais sete pontos
Amamentar um bebê com leite materno tem inegáveis vantagens para a saúde da criança, como tem sido cientificamente comprovado ao longo dos tempos. Mas a amamentação é igualmente vantajosa no desenvolvimento intelectual da criança.
De acordo com um estudo desenvolvido pela Academia Nacional das Ciências do Reino Unido, conclui-se que as crianças com o gene FADS2, que são alimentadas com leite materno, podem atingir um quociente intelectual (QI) sete pontos mais elevado do que o daquelas que, possuindo o mesmo gene, não são alimentadas da mesma forma. Segundo a explicação divulgada por aquela academia, o gene em questão ajuda a reduzir os ácidos graxos da dieta alimentar, os quais estão diretamente ligados ao desenvolvimento do cérebro. Para os investigadores, sete pontos no QI de uma criança em idade escolar é uma diferença suficiente para colocar a criança entre as três mais inteligentes da sua turma.
Cerca de 90% dos indivíduos possuem esta versão do gene. Cientistas do Instituto de Psiquiatria, do Kings College London, comprovaram tal, usando dados de dois anteriores estudos relativos a crianças amamentadas com leite materno, no Reino Unido e na Nova Zelândia, envolvendo mais de três mil indivíduos. O seu QI foi medido de várias formas, para crianças entre os cinco e os 13 anos, que estudavam.
Vários trabalhos anteriores sobre inteligência e amamentação chegaram a conclusões antagônicas. A partir daqui, desenvolveu-se uma discussão acadêmica em torno do assunto, principalmente procurando saber se as mães que tinham atingido um maior grau acadêmico nos seus estudos ou que possuíam um elevado nível cultural, estariam mais dispostas a amamentar, influenciando, desta forma, os resultados. Um dos investigadores da Academia Nacional de Ciências britânica, o professor Terrie Moffitt, co-autor do estudo, revelou que as conclusões agora alcançadas dão uma nova perspectiva na argumentação, mostrando a intervenção de um mecanismo fisiológico, que diferencia a alimentação dada ao bebê, se diretamente do peito, ou do leite administrado a crianças por mamadeira. "O argumento sobre a inteligência tem sido utilizado no último século, no debate entre natureza e nutrição", adverte o mesmo cientista. "Contudo, conseguimos agora demonstrar que, de fato, a natureza trabalha através da nutrição para potencializar futuramente a saúde das crianças."
Desde que foram feitos os estudos utilizados nesta análise, a indústria de produtos lácteos começou a adicionar ácidos graxos ao leite, mas os resultados apurados foram inconsistentes.
Belinda Phipps, do National Childbirth Trust, comentou estes resultados, referindo que estes "mostram que a maioria dos pais pode influenciar positivamente o QI dos seus filhos, amamentando-os". Catherine Collins, uma dietista do St. George Hospital de Londres e da Associação Dietética Britânica, afirmou que a investigação salienta a interação entre nutrição e genética.
Fonte: Diário de Notícias.pt



