VisãoGlobal

Informação de qualidade para qualidade de opinião
Subscribe

Archive for the ‘Alimentos & Nutrição’

Derivados de caju são oportunidade de novos negócios

07/11/2007 Publicado por: Xico Lopes Categorias: Agricultura & Agronegócios, Alimentos & Nutrição, Brasil, Curiosidades, Economia & Finanças, Empreendedorismo, Associativismo & Cooperativismo, Indústria, Mercado & Negócios, Produtos, Equipamentos, Materiais & Soluções, Química, Saúde & Bem Estar, Sustentabilidade & Desenvolvimento No Comments →

caju

Foto: Diário do Nordeste/Globo.com

O caju e seus derivados proporcionam oportunidades de novos negócios. Um exemplo é a barra de caju, desenvolvida pela equipe de pesquisadores da Embrapa Agroindústria Tropical. A tecnologia, inclusive, está inserida no Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Empresas de Base Tecnológica Agropecuária e à Transferência de Tecnologia (Proeta). O programa – que é parcialmente financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) - tem o objetivo de incentivar a criação de micros, pequenas e médias empresas que queiram utilizar tecnologias geradas ou adaptadas pela Embrapa, a partir do processo de incubação.

Segundo o pesquisador Antonio Calixto Lima, a busca dos consumidores por alimentos mais nutritivos, com grande aporte de carboidratos, proteínas, vitaminas e fibras, abre um crescente interesse pelo mercado de barras de frutas e cereais. “A barra de caju possui grande teor de vitamina C, devido à incorporação, não somente do pedúnculo, mas também da castanha e do suco clarificado concentrado de caju na sua composição”, explica o pesquisador. Ele esclarece também que o produto favorece a utilização comercial do pedúnculo com aspecto impróprio para ser utilizado como caju de mesa e se apresenta como uma boa alternativa para o aproveitamento integral do fruto.

As propriedades funcionais, o grande valor agregado e o baixo custo de estocagem e transporte do produto são fatores que sinalizam para a viabilidade de produção e comercialização em escala industrial. Outra vantagem apontada por Calixto é que o produto possui o triplo de teor de proteína encontrado nas barras de frutas tradicionais. Além disso, o produto é uma excelente fonte de fibras e possui vida de prateleira em torno de um ano.

Pigmento

Há também casos empresariais de sucesso com a utilização de produtos inovadores, como é o caso do pigmento de caju. Também inserido no Proeta, o produto está sendo desenvolvido pela empresa cearense Sabor Tropical. Conforme explica o pesquisador Antonio Fernando Pinto de Abreu, o caju contém carotenóides e compostos fenólicos, sendo que muitos desses compostos permanecem no bagaço após a extração do suco.

A Embrapa Agroindústria Tropical desenvolveu um processo, livre de solventes orgânicos, para a obtenção e a concentração de um extrato que contém esses compostos. “Existe uma tendência para o uso de corantes naturais. Os carotenóides são uma classe de compostos que já são amplamente utilizados para esse fim. Outra tendência mundial é a dos alimentos funcionais, que na sua maioria contêm carotenóides e fenólicos, que contribuem para a atividade antioxidante. Já é possível encontrar alimentos com alegações funcionais, com adição ou não de compostos antioxidantes. O extrato à base de caju pode ser um ingrediente para produtos especiais, que queiram aumentar sua atividade antioxidante.

Um fruto polivalente

Alimento recorrente nas mesas nordestinas, rico em vitaminas e sais minerais, o caju é uma bênção que alavanca a economia da Região e contribui para aplacar nosso déficit nutricional. Inexiste fruta mais vinculada aos hábitos alimentares do nordestino, e do cearense em particular, do que o caju. A castanha torrada, acrescida ou não de sal, é iguaria apreciadíssima e um importante item em nossa pauta de exportações – seu paladar tenro confere sabor a muitas receitas. O suco é bebida obrigatória nas mesas sertanejas, complementando as refeições. Os mais afeitos preferem o caju “in natura”, fatiado ou sorvido em prazerosas mordidas, com a fibra a ranger nos dentes e o sumo a escorrer pela boca.

Não menos aclamado é o seu doce, cristalizado, em pasta ou compota, uma receita dos tempos coloniais que se irradiou pelo País. Com menos popularidade, mas fiel séquito de entusiastas, desponta a cajuína, bebida adocicada e natural, de grande potencial nutritivo. O biriteiro astuto, por sua vez, dirá que a fruta é o mais indicado tira-gosto para aplacar a “fúria” da cachaça. A aplicabilidade do alimento, porém, é muito mais extensa e surpreende pela versatilidade.

Cultura

O cajueiro é uma planta de origem brasileira, amplamente dispersa pelo litoral nordestino, de áreas ensolaradas. Antes da chegada do colonizador, seu fruto já era apreciado pelos indígenas – com sua polpa, os nativos também produziam uma bebida fermentada, a qual atribuíam poder revigorante.

Sobre o cajueiro, cabe uma explicação importante: seu fruto propriamente dito é a castanha; já a parte ovalada, de coloração intensa, que concentra a polpa, é o pseudofruto (chamado cientificamente de pedúnculo). Por ser consumido ao natural, o pendúnculo é vendido como fruta nas feiras.

Planta tipicamente tropical e de safras sazonais, pertencente à família “Anacardiaceae”, o cajueiro prefere regiões de elevada temperatura. Os solos mais indicados são os leves, profundos e bem drenados. Embora existam muitas espécies de cajueiros, grande parte é explorada apenas de forma extrativista (sem cultivo regular).

Na Amazônia, por exemplo, as árvores apresentam porte elevado; já no Nordeste, a espécie de maior ocorrência é o “Anacardium occidentale L”, de pequena e média estatura. Esta é a única variedade cultivada comercialmente. No cerrado brasileiro, são encontradas espécies nativas, como o cajueiro-arbóreo-do-cerrado e o cajueiro-do-campo, que produzem pseudofrutos aromáticos conhecidos como cajuí, caju-do-campo, cajuzinho-do-campo, caju-do-cerrado e caju-rasteiro. Apresentam sabor agradável e tamanho menor do que os frutos do Nordeste. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), as variedades de caju são classificadas segundo a consistência da polpa, o formato, o paladar e a cor (amarela, vermelha ou roxo-amarelada).

Embora seja sazonal, a produtividade do cajueiro é elevada: a espécie comum, de maior cultivo, rende 500kg de castanha e 9 t de pedúnculo por hectare. Se considerarmos a variedade “anão-precoce”, que flora com menos tempo e é de melhor manejo devido ao porte reduzido, as estatísticas são ainda melhores: 1,3 mil kg de castanha e 13 t de frutos por hectare. Segundo a Embrapa, o Nordeste centraliza 95% da produção brasileira, sobretudo os estados do Ceará, do Piauí e do Rio Grande do Norte.

Potencial nutritivo

A fartura do caju em solo semi-árido é uma bênção, uma vez que a fruta apresenta potencial nutritivo invejável, capaz de minimizar a deficiência alimentar da Região. No site da Embrapa, estão disponíveis informações técnicas sobre o caju.

Segundo a instituição, seu pedúnculo é rico em vitaminas A e C, ferro, fósforo, fibras e compostos fenólicos. Além disso, possui grande potencial antioxidante, propriedade associada à prevenção de doenças crônico-degenerativas, como problemas cardiovasculares, câncer e diabetes. Ao comprar a fruta, alguns cuidados são importantes. O caju saudável deve estar bem fresco – sua casca apresenta cor intensa e consistência firme, sem manchas ou machucados. Alimento de perecimento rápido, deve ser consumido imediatamente. Em geladeira, tolera uma conservação máxima de até dois dias.

Mas, se o pedúnculo é um alimento de grande valor nutritivo, igualmente o é a amêndoa do caju, rica em proteínas e lipídeos que combatem o mau colesterol. Na fração oleosa da castanha, predominam os ácidos graxos oléico (60,3%) e linoléico (21,5%), que são gorduras insaturadas e de boa estabilidade, o que é uma característica desejável. Pela tabela da Embrapa, a amêndoa possui também boa concentração de vitaminas B1, B2 e PP, além de sais minerais (ferro e fósforo).

Suas virtudes não cessam por aí. O chamado líquido da casca da castanha de caju (LCC) é de grande empregabilidade na indústria química para a produção de polímeros utilizados na fabricação de materiais plásticos, isolantes e vernizes. Rico em compostos fenólicos, o óleo também tem atraído o interesse da medicina por demonstrar propriedades antimicrobiana e anticoagulante. A amêndoa do caju, quando torrada, tem elevada cotação no mercado internacional e extensa aplicabilidade culinária – pode ser consumida pura ou usada no preparo de doces, farinhas, sobremesas, bolos, chocolates e sorvetes…

Sua importância para a economia cearense é crucial: só no primeiro semestre deste ano 2007, de acordo com o balanço divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), o produto liderou as exportações do Estado, contabilizando vendas da ordem de US$ 105,5 milhões. Entre os principais mercados consumidores, destacam-se os Estados Unidos, o Canadá, a Itália e a Holanda. Neste período, o Ceará liderou as vendas para o exterior.

A fibra do caju

Em 2007, de acordo com os cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de castanha deve atingir 265,8 mil toneladas, quantia superior em 11,6% aos números do ano passado. No entanto, malgrado o potencial nutritivo do fruto e a importância de sua cultura para a economia nordestina (gera 50 mil empregos diretos e 250 mil postos indiretos), estima-se em 90% as perdas anuais de pedúnculo. Ou seja, a cada safra são desperdiçadas 1,9 milhão de toneladas de alimento sadio, que poderia ser utilizado para aplacar o déficit nutricional da Região.

Com o objetivo de reverter este quadro, o Serviço Social da Indústria (Sesi), através do Programa “Cozinha Brasil”, que há três anos promove ações de reeducação e aproveitamento integral dos alimentos, criou o “Projeto Caju”, coordenado no CE pela nutricionista Liane Lohmann. Segundo ela, a iniciativa visa estimular o consumo do fruto como “alimento de sal” (como base para receitas salgadas de fácil execução doméstica), minimizando o desperdício do pedúnculo, quase sempre visto pela indústria como subproduto do beneficiamento da castanha.

“Nossas pesquisas tiveram início em 2006. Os pratos criados têm como matéria-prima a fibra do caju, um alimento saudável e de baixo custo, que aceita facilmente a incorporação de temperos. Com a divulgação das receitas e do potencial nutritivo do fruto, esperamos reduzir as perdas. O programa também será piloto para outras iniciativas nas demais regiões brasileiras, onde alimentos com alta produtividade registram grande desperdício”, explica Liane.

Reforço no cardápio

Para Derlange Diniz, professora do Departamento de Nutrição de UECE e integrante do Núcleo Experimental de Ciência e Tencologia de Alimentos Regionais (Nectar), a iniciativa é grande importância. “A reeducação e o aproveitamento integral dos alimentos é uma questão cultural e política. A polpa não pode permanecer como refugo do beneficiamento da castanha. Sua fibra é importante e pode reforçar nossa dieta, tão pobre no consumo de frutas, de vegetais e deste tipo nutriente”, ressalta.

O “Projeto Caju”, destaca Liane, visa exatamente o revigoramento do cardápio doméstico e escolar, adotando como público-alvo as donas de casa, os agentes de saúde e as merendeiras. Na avaliação da coordenadora local, o critério econômico não pode ser impedimento para a popularização da iniciativa, uma vez que as receitas elaboradas são saborosas, de fácil execução, de alto valor nutritivo e de baixo custo.

Fonte: Diário do Nordeste

 

Fonte: http://www.cnpat.embrapa.br/ 

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O VisãoGlobal publicou sobre estes assuntos:

Contribuição do Leitor Praia Decoração Matemática Brasília Bélgica Belo Horizonte Bruxelas Budismo Canadá Niterói Suécia Teatro, Artes Cênicas & Dança Pequim Loterias, Jogos & Games Holanda Havana Heráldica Vegetarianismo Londres Infância & Juventude Salvador Recife Nova York Colômbia Equador México Hardware Mineração Moda Crônicas Berlim Avisos & Agradecimentos Artes Gráficas Paraguai Pesquisas eleitorais e de opinião Áustria Uruguai Fortaleza Ficção Pecuária, Avicultura e outras criações Terceiro Setor Judaismo Bolívia Luanda Campanhas Eleitorais Causas Humanitárias Navegação & Cabotagem Psicologia & Psiquiatria Austrália Publicidade & Marketing Rádio Islamismo Japão Leilões Cristianismo Discos, CDs, DVDs, etc... Vinhos & outras bebidas Homenagens Rússia Venezuela Arqueologia, Paleontologia e afins Peru Estilo de Vida Empreendedorismo, Associativismo & Cooperativismo Oceania Culinária & Gastronomia Bancos Mostras, Exposições & Vernissages Aviação & Aeronáutica Oriente Médio Povos Indígenas Mercosul Ofícios, Profissões & Carreira Pinturas, Gravuras e afins Jornalismo China Índia Israel Astronomia & Astronáutica Terapias & Terapias alternativas Catolicismo Direito do Consumidor Lisboa Comércio Geografia, Geologia & Cartografia Genética Fábulas, Lendas, Mitologia, Folclore e outras histórias Automóveis & Automobilismo Design Bibliotecas & Museus Argentina Farmacêutica Software Alimentos & Nutrição Editoras Guiné Bissau Concursos & Premiações Entrevistas Cuba São Tomé e Príncipe Literatura Itália Botafogo Esportes Migrantes & Refugiados Espanha Suíça Televisão Concursos Públicos Turismo, Viagens & Aventuras São Paulo Devoção católica Futebol Shows, Eventos & Apresentações Provas, Exames & Gabaritos Alemanha França Logística & Transportes Informática Chile Fotografia & Fotógrafos Escritores Ásia Grã Bretanha Filmes Tratados & Acordos Cabo Verde Timor Leste Moçambique Língua Portuguesa Reuniões, Encontros, Conferências & Seminários Cinema & Cineastas Organizações não Governamentais Arquitetura, Engenharia, Urbanismo & Saneamento Segurança Indústria Diplomacia & Relações Internacionais Mitos Artistas Música & Músicos Artes Química Vídeos & Videoclipes Práticas, Usos & Costumes Oportunidades Agricultura & Agronegócios Cultura Cidades Comunicações Internet Análises & Avaliações Rio de Janeiro Igreja Medicina & Veterinária Educação & Ensino Militar Sites, Blogs & Blogosfera Curiosidades Imprensa, Jornais, Revistas e outras Publicações Estados Unidos Saúde & Bem Estar Energia Perfil Religião Justiça, Direito & Legislação Trabalho & Emprego Livros América Latina & Caribe Agenda Mídia Portugal Angola Responsabilidade Social Direitos Humanos & Cidadania Comunidade Lusófona Produtos, Equipamentos, Materiais & Soluções Administração Opinião & Crítica Serviço Universidades & Institutos de Pesquisas Ética, Moral & Filosofia Documentos, Estudos, Estatísticas & Relatórios Dicas Tecnologia Ciências Mercado & Negócios Europa Sustentabilidade & Desenvolvimento Economia & Finanças África Meio Ambiente & Ecologia Internacional Empresas Personalidades & Personagens Política & Políticos História Datas & Acontecimentos Governo Tendências Comportamento Sociedade Brasil