O mundo tem dinheiro e os meios para resolver a crise ambiental
As soluções para os maiores problemas ambientais do planeta são “acessíveis, alcançáveis e economicamente suportáveis” quando comparadas com as perspectivas de crescimento econômico e o custo das consequências da inação, revela hoje a OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico) no lançamento do seu “Environmental Outlook” 2008, em Oslo.
O relatório - que combina as projeções econômicas e ambientais para as próximas décadas e simula políticas para solucionar desafios - elegeu como os problemas mais urgentes as alterações climáticas, perda da biodiversidade, falta de água e impacto da poluição na saúde.
Sem intervenção, em 2030, as emissões mundiais de gases com efeito de estufa (GEE, sigla em inglês) terão aumentado 37% e em 2050, 52%. Para responder às necessidades de alimentação e biocombustíveis, o mundo precisa aumentar a área agrícola em dez por cento até 2030.
Outra das conclusões da OCDE é que, em 2030, mais um bilhão de pessoas viverão em zonas com graves problemas de falta de água. Perante estes cenários, “os países precisam alterar a estrutura das suas economias, no sentido de um futuro com menos emissões de carbono, um futuro mais verde e mais sustentável”, comentou o secretário-geral da OCDE, Angel Gurria.
“Os custos desta mudança são suportáveis economicamente”, mas não se deve perder de vista a necessidade de “aproveitar as novas oportunidades”, acrescentou. Segundo o relatório, o PIB mundial vai quase duplicar até 2030. Segundo as simulações da OCDE, custaria apenas um por cento desse crescimento a implementação de políticas que podem reduzir um terço a poluição do ar e conter as emissões de GEE em 12%, em vez do crescimento de 37% previsto se nada for feito.
A OCDE recomenda um “mix” de políticas como as taxas ambientais, a internalização dos custos ambientais, comércio de emissões, aplicação do princípio do poluidor-pagador e o fim de subsídios a atividades que prejudiquem o ambiente. É importante ainda o investimento em pesquisa e a rotulagem ecológica.
Quanto à partilha dos custos, a OCDE diz que os países desenvolvidos e as economias emergentes devem dividir responsabilidades na questão das emissões de GEE. Tanto mais que, em 2030, as emissões de quatro países - Brasil, Rússia, Índia e China - vão exceder as emissões dos 30 países membros da OCDE. “A justa partilha dos custos será tão importante como o progresso tecnológico e a escolha dos instrumentos políticos”, escreve a organização. “O custo global da ação será muito menor se todos os países trabalharem em conjunto”, comentou Gurría.
O relatório “combina a esperança para o futuro com um apelo atual e urgente à ação. Dá uma orientação importante para os líderes políticos e integra as análises econômica e ambiental”, comentou o primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, anfitrião da cerimônia mundial de lançamento.
Sumário do relatório em português (em pdf)
Discurso de Angel Gurría (em inglês)
Fonte: Público.pt
É bom saber que “ainda estamos à beira do abismo” e não em queda livre. Mas a questão mais importante, é quem vai meter a mão no bolso? Os países emergentes? Os países desenvolvidos? Este é o problema. Não estará a questão ambiental, sendo utilizada para ser mais um instrumento de dominação, para a manutenção do “status quo” vigente?



