Ex-ministro da ditadura é preso na Argentina
O general durante um discurso em 1977
O general e ex-ministro do Interior da ditadura argentina Albano Harguindeguy foi detido hoje por envolvimento no seqüestro e extorsão de dois empresários do ramo têxtil durante o regime militar (1976-83).
Harguindeguy, de 81 anos, chegou aos tribunais de Buenos Aires escoltado por homens do Exército que cumpriam a ordem de captura emitida segunda-feira pela juíza federal María Romilda Servini de Cubría, que responde interinamente pelo caso, presidido pelo magistrado Norberto Oyarbide.
Segundo o secretário de Direitos Humanos, Eduardo Luis Duhalde, a detenção “repara uma gravíssima impropriedade jurídica, a de que um dos principais responsáveis por terrorismo de Estado continue gozando impunemente de liberdade”.
Harguindeguy é acusado do seqüestro de Federico Gutheim e de seu filho Miguel, ex-proprietários de uma empresa têxtil, que permaneceram detidos entre novembro de 1976 e abril de 1977, como parte de um decreto assinado pelo ex-ministro e ex-presidente de fato Jorge Videla.
A justiça suspeita de que os Gutheim foram detidos porque o regime queria obrigá-los a fechar um contrato de exportação com uma firma de Hong Kong, e possui provas de que pai e filho foram forçados a manter reuniões com empresários chineses durante esses meses.
No processo reaberto em meados de 2006 estão acusados Videla e o ex-ministro da Economia José Alfredo Martínez de Hoz.
O ex-presidente Carlos Menem (1989-99) concedeu logo indultos aos acusados, mas em 2006 o juiz Oyarbide declarou nulo esse benefício e reabriu a causa - dessa vez com base em crime contra os direitos humanos.
Harguindeguy é também acusado junto com outros 16 ex-chefes militares de participação no Plano Condor, num processo que investiga o acordo entre as ditaduras latino-americanas nos anos 70 para a eliminação de opositores, e que irá a julgamento oral e público na Argentina.
Fonte: AFP
Aos poucos a Argentina vai saldando o passivo gerado pelos anos negros da ditadura.



