Na falta de pedra, Acre usa barro para fazer estrada
RIO BRANCO — Há décadas, o Acre "importa" pedras de Rondônia. A situação ficou insustentável, principalmente para a abertura de pequenas estradas na selva, os conhecidos "ramais". A solução para atenuar a crise chegou, graças a um projeto inovador da Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac): a pedra de barro.
Segundo o gerente da área de tecnologia da Funtac, engenheiro William Abreu, o novo produto substitui a pedra na construção de uma estrada. "O processo consiste na mesma técnica utilizada nas cerâmicas. O diferencial é que o produto final aparece em forma de lingote, picotado mecanicamente nos moldes de pequenas pedras", ele explicou. Mais resistente que o tijolo, devido à alta temperatura a que é exposto, a pedra de barro substitui a brita com a vantagem de baratear os custos em mais da metade, conforme fez ver o engenheiro.
Melhora o tráfego
Segundo Abreu, tecnicamente o solo no Acre possui uma mecânica muito baixa e para melhorar a qualidade da pavimentação são necessários os aditivos que permitem a impermeabilização e a esterilização do solo. "Com isso, o tráfego é bem melhor e duradouro", observou. Em oito anos, a Funtac melhorou a infra-estrutura de seu laboratório e, entre as experiências desenvolvidas criou o Ecolopav (com utilização de cimento em sua mistura). O engenheiro disse que também são promissores o MSM-C2, desenvolvido para teste de pavimento, e o ISS. Abreu garante que no universo de pesquisas, o desafio é encontrar a tecnologia que melhor se adaptará ao solo dos ramais acreanos.
Governo estuda proposta
"Somamos o custo-benefício e a durabilidade, levando-se em conta o rigor e duração do inverno "período chuvoso em nossa região", assinalou, podendo se tornar uma alternativa para solucionar o problema da falta de pedras na pavimentação das estradas e ramais acreanos. Após a visita à Funtac, deputados estaduais pediram audiência ao governador Arnóbio Marques (PT) e lhe sugeriram utilizar parte dos R$ 34 milhões do Plano de Aceleração do Crescimento do Acre (PAC-AC) no projeto de produção em escala industrial da pedra de barro. Os recursos se destinam originalmente à construção de pontes, abertura e recuperação de ramais. "Isso pode tirar o Acre da dependência de Rondônia na importação de pedra brita", comentou o deputado Fernando Melo (PT-AC).
Fonte: NONATO SOUZA para Agência Amazônia



