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Archive for the ‘Arquitetura, Engenharia, Urbanismo & Saneamento’

Dia da Água: ainda não há motivos para festas

20/03/2008 Publicado por: Xico Lopes Categorias: Agenda, América Latina & Caribe, Análises & Avaliações, Arquitetura, Engenharia, Urbanismo & Saneamento, Brasil, Comportamento, Datas & Acontecimentos, Direitos Humanos & Cidadania, Documentos, Estudos, Estatísticas & Relatórios, Educação & Ensino, Responsabilidade Social, Saúde & Bem Estar, Sites, Blogs & Blogosfera, Sociedade, Sustentabilidade & Desenvolvimento, África, Ásia 9 Comments →

Quase metade da Humanidade vive sem acesso a saneamento adequado

Visão_Global

O Visão Global mais uma vez participa de uma blogagem coletiva. A proposta desta vez foi iniciativa do pessoal do Faça a sua parte, por ocasião do Dia Mundial da Água, que este ano destaca a questão do SANEAMENTO. Portanto, o tema proposto é exatamente este.

Quem nos acompanha com certa regularidade sabe, que o Visão Global tem nas questões ambientais e de sustentabilidade, eixos importantes da sua linha editorial, portanto, quem se interessar mais por este tema, vai encontrar aqui outras matérias abordando o assunto (é só procurar nas etiquetas ou nos arquivos). 

AnoIntdoSaneamentoNão há motivos para festas neste 22 de março, Dia Internacional da Água. Apesar de toda a demagogia em torno do assunto, o mundo continua sem políticas globais para a racionalização do uso da água e as iniciativas existentes nesse sentido são pontuais e, em geral, temporárias.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Unicef declararam hoje que a falta de saneamento adequado é uma grave ameaça à saúde e uma ofensa à dignidade humana pois afeta, em pleno século XXI, aproximadamente 2,6 bilhões de pessoas (41% da população mundial).

Segundo declarou hoje, pelo Dia Mundial da Água, o diretor regional da Unicef, Philip O’Brien, desse total, 980 milhões são menores de 18 anos, e 280 milhões têm menos de cinco anos. O’Brien, que confirmou o ano de 2008 como o Ano Internacional do Saneamento, ainda afirmou que, devido à falta de higiene, as crianças ficam especialmente vulneráveis às doenças como a diarréia, segunda maior causa de mortalidade infantil depois da pneumonia que mata, por dia, 5 mil menores de cinco anos.

águapura

Em entrevista coletiva, o príncipe Willem-Alexander, herdeiro do trono holandês e presidente do Conselho Geral da ONU sobre água e saneamento, afirmou que o pouco acesso a um saneamento adequado é um elemento básico para o acesso à água que geralmente é esquecido e ignorado, o que contribuiu para agravar o problema. "Oferecer um saneamento adequado não é só dar saúde, mas também dar ao povo uma vida mais digna e a possibilidades de desenvolvimento", assinalou o príncipe.

"A simples existência de latrinas nas escolas para meninos e meninas elevaria em 10% a escolarização dessas últimas" disse O’Brien. Ainda segundo ele, "está constatado que, perante a falta de elementos e condições higiênicas básicas, muitas meninas deixam de ir às aulas assim que começam a menstruar".

De acordo com dados da Unicef, entre 1990 e 2004, cerca de 1,2 bilhão de pessoas conseguiu ter acesso a um saneamento adequado, o que indicou um aumento de 10%. Mas para alcançar os objetivos do milênio relativos a esta área, outros 1,6 bilhões deveriam ter acesso em 2015, o que, segundo o ritmo atual de crescimento, não será possível.

Regiões como o Leste da Ásia e o Pacífico avançaram bastante, assim como a América Latina e o Oriente Médio, que vão por um bom caminho. Em contrapartida, a África e o Sul da Ásia são as mais atrasadas, com 36% e 37% de cobertura, respectivamente.

De acordo com o programa conjunto entre a OMS e a Unicef, 62% da população no continente africano não têm acesso às instalações sanitárias ou banheiros adequados, onde água contaminada com fezes não esteja em contato com o homem.

No mundo todo, apenas 39% dos habitantes de zonas rurais dispõem de serviços de saneamento, enquanto que nas zonas urbanas, o índice é de 80%. Das 120 milhões de crianças que nascem a cada ano nos países em desenvolvimento, a metade viverá em casas sem latrinas nem água.

Segundo David Heymann, diretor-geral para Segurança Sanitária e Meio Ambiente da OMS, um saneamento adequado é "uma pedra angular da saúde pública". Calcula-se que, em todo o mundo, mais de 200 milhões de toneladas de resíduos humanos e inumeráveis milhões de toneladas de águas contamidas por fezes, passam pelos rios a cada ano, o que gera uma fonte infinita de vírus, bactérias e parasitas.

esgoto 

Os especialistas apontam vários motivos pelos quais os Governos políticos sempre se descuidaram do grave problema da falta de saneamento. Um deles se refere às dificuldades, tanto técnicas como sociais e de comportamento, para se fazer bons sanitários. Por outro lado, não se discute abertamente o assunto devido à questão social, que impõe barreiras para se debater abertamente assuntos que falam de higiene e excrementos.

Fonte: EFE via Último Segundo

Enquanto isto no Brasil…

 

“Até quando vamos deixar as campanhas de uso racional da água nas mãos das concessionárias? O negócio delas é vender água” destaca Paulo Costa , consultor e especialista no tema.

Infelizmente, as medidas visando à racionalização do consumo da água em nosso país são efêmeras e, portanto, eficazes apenas enquanto duram, em geral períodos relacionados a grandes secas, que exigem ação emergencial por parte das autoridades.

Assim, a sociedade não desenvolve políticas permanentes de racionalização. É preciso lembrar que, das águas da Terra, apenas 2,5% são doces e, destas, mais de dois terços estão inacessíveis para consumo humano. O Brasil detém cerca de 12% da água doce disponível no mundo, mas mais da metade (54%) desse total localiza-se na Amazônia e na bacia do rio Tocantins, onde está a menor população por quilômetro quadrado do país.

Essa situação faz com que metrópoles dos estados do Sul/Sudeste e Nordeste brasileiros sejam obrigadas a buscar água em mananciais cada vez mais distantes, devido à poluição das águas por dejetos humanos e industriais e ao assoreamento de rios, lagos e represas, a um custo que aumenta exponencialmente e com danos ao meio ambiente. Cada nova represa e reservatório de água provoca desmatamento e, assim, contribui para diminuir o ciclo das chuvas e a quantidade de água doce disponível nessas regiões.

Faltará água

As principais regiões metropolitanas do país já sofrem problemas de falta de água.“Temos que tratar a água com seriedade; não é mais possível seguir construindo reservatórios e desmatando matas nativas; é preciso se antecipar ao problema e um programa de uso racional da água é mais duradouro do que campanhas publicitárias ou programas eventuais.” diz Costa.

Lição de casa

Para o consultor, as prefeituras e os governos estaduais e federal deveriam dar o exemplo. “Se os prédios públicos, as escolas, hospitais adotassem medidas racionalizadoras, seria - além de um belo exemplo para a sociedade- uma economia gigantesca no gasto da água”, diz Costa.

Além disso, explica o consultor, com o dinheiro economizado, essas autarquias poderiam investir em campanhas de conscientização através de ações educativas junto à comunidade, em escolas, associações de bairro, órgãos públicos, entre outros, esclarecendo sobre as maneiras de evitar o desperdício, as formas de economizar e as fontes alternativas para a captação de água, bem como a diferenciação dos usos da mesma, ou seja: para algumas atividades não há necessidade de utilização de água tratada.

As ações deveriam começar nas escolas, fazendo parte talvez da disciplina de geografia, e se estender a todas as organizações da comunidade, como associações de moradores, condomínios e os meios de comunicação locais, entre outros, preconiza o consultor.

Medidores individuais

Outra forma é a criação de uma lei que obrigue as novos edifícios a instalarem medidores individualizados. Na maior parte dos condomínios brasileiros a cobrança da conta de água é feita em conjunto, e não condômino por condômino. Isso significa que o custo é rateado por todos os moradores, e aqueles que gastam menos acabam pagando o mesmo que aqueles que gastam mais. “Sabemos que o brasileiro gasta, em média, cinco vezes mais água do que o volume indicado como suficiente pela Organização Mundial da Saúde, que recomenda o consumo diário de 40 litros diários por pessoa, enquanto que no Brasil são consumidos 200 litros dia/pessoa, somente com a medição individualizada é que as pessoas mudarão seus hábitos."

Alguns exemplos bem-sucedidos também podem ser copiados. Veja os exemplos:

México - Em 1991, o governo mexicano criou o "reposition cost", substituindo três milhões e meio de válvulas por vasos sanitários com caixa acoplada, de 6 litros de descarga, obtendo uma redução de consumo de 5 mil litros de água por segundo."Reposition cost" era o preço que cada proprietário de edificação, dos mais variados usos, havia pago pala reposição das bacias, trocadas em locais autorizados para tanto, e que era devolvida pelo governo.

Nova York - Conseguiu instalar mais de um milhão de bacias sanitárias economizadoras, entre 1994 e 1996. A prefeitura reembolsava as despesas dos moradores e empresários locais com a troca de bacias. A iniciativa poupou 216 milhões de litros de água por dia e o investimento se pagou em quatro meses.

Los Angeles - O governo da Califórnia ofereceu redução de impostos para toda a troca de bacias com consumo superior a 6 litros. Também utilizou uma intensiva campanha publicitária nos meios de comunicação, mostrando as vantagens e a economia provenientes da troca de bacias.

Japão - Lá foram mudadas as regras da construção civil e os condomínios, hotéis e hospitais passaram a ser construídos com sistemas particulares de reaproveitamento de águas servidas. Nos mesmos, a água sai pelo ralo do box ou da banheira, segue por canos independentes até um pequeno reservatório que abastece os vasos sanitários da edificação. Só então vira esgoto que, em algumas cidades é tratado e reutilizado em processos industriais.

Fonte: Rafaella Guerrero para Revista Ecotour

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