Após 56 anos de interrupção, reiniciado o tráfego ferroviário entre as Coréias
Trem de carga sul-coreano chega à estação de Panmun, na Coréia do Norte (Foto:AFP)
Depois de mais de meio século de interrupção, as duas Coréias retomaram nesta terça-feira o tráfego ferroviário, no momento reservado apenas ao transporte de mercadorias, mas que simboliza a aproximação dos países, dois meses depois da histórica reunião celebrada em Pyongyang.
“É um sonho que que se torna realidade”, declarou Shin Jang-Chul, o maquinista que teve a honra de conduzir a primeira composição do primeiro serviço ferroviário regular em 56 anos entre os dois países, que em tese permanecem em guerra, já que nunca assinaram um tratado de paz após o conflito da Coréia de 1950-53.
“Estou feliz por conduzir este trem à Coréia do Norte, onde meus pais nasceram. Espero que não fique reservado apenas às mercadorias, mas que também seja usado pelos turistas”, acrescentou.
O trem e suas mercadorias passaram pela estação sul-coreana de Dorasan antes de cruzar a fronteira ultramilitarizada com o território norte-coreano pela passagem de Panmun, anunciou o ministério sul-coreano para a Reunificação.
Inaugurada pelo presidente americano George W. Bush em 2002, a estação de Dorasan se transformou no símbolo da reconciliação entre as duas Coréias.
“Reabrimos esta linha que permaneceu cortada durante 56 anos”, declarou Lee Chul, presidente da Corporação Ferroviária da Coréia Korail, empresa responsável pelo transporte de passageiros e mercadorias na Coréia do Sul.
Seul financiou durante anos as obras para modernizar a ferrovia e retirar as minas da região.
A nova ligação permitirá a entrega de materiais de construção, como parte da ajuda de Seul a Pyongyang.
A ferrovia servirá ao complexo industrial de Kaesong, na cidade fronteiriça norte-coreana de mesmo nome e que é considerada um “laboratório” da cooperação econômica entre os dois países.
O governo de Seul espera reduzir desta forma o custo do transporte dos materiais a Kaesong, que atualmente é feito por um serviço regular de caminhões.
No mês de maio foi realizada uma viagem de teste de 20 quilômetros entre as cidades sul-coreana de Munsan e norte-coreana de Bongdong. No entanto, a inauguração da linha regular foi adiada pelas exigências de Pyongyang de garantias de segurança.
O estabelecimento de uma ligação ferroviária após a abertura das estradas entre as fronteiras em 2005 foi aprovada na histórica reunião de cúpula de 2000 na capital norte-coreana, que marcou o processo de aproximação das Coréias.
Porém, a reabertura concreta foi decidida depois da segunda reunião de cúpula, em outubro passado, também em Pyongyang, que terminou com a assinatura de uma declaração conjunta em favor da paz e da prosperidade econômica da península coreana.
O regime capitalista da Coréia do Sul é o segundo maior fornecedor de ajuda ao Norte. A combalida economia da ditadura comunista norte-coreana se apóia amplamente na ajuda externa para alimentar seus 23 milhões de habitantes.
Fonte: AFP



