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Cresce onda de protestos no Tibete
(foto: Efe)
Pelo menos duas pessoas foram mortas nos protestos entre tibetanos e policiais chineses na cidade de Lhasa, capital do Tibete. A rádio Ásia Livre afirmou que, ao invés de balas de borracha, tropas usaram munição real e bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que incendiaram carros e lojas de proprietários chineses. Dois corpos teriam sido vistos e o número de mortos ainda pode ser muito maior, segundo fontes médicas da cidade.
O Dalai Lama apelou às lideranças chinesas nesta sexta-feira que parem de usar a "força bruta" contra os manifestantes tibetanos. "Esses protestos são uma manifestação do profundo ressentimento do povo tibetano em relação ao governo atual", disse ele em comunicado. "Então, eu apelo à liderança chinesa que pare de usar a força e preste atenção no ressentimento do povo tibetano, dialogando com o povo tibetano."
A violência ocorre em meio a uma série de protestos realizados esta semana por monges tibetanos e outros grupos contrários ao domínio da China sobre o Tibete. Mais cedo, moradores disseram que os monges chegaram a incendiar carros de polícia no centro da cidade neste quinto dia de protestos. As manifestações coincidem com a aproximação dos Jogos Olímpicos de Pequim.
Lojas foram incendiadas durante violentos protestos protagonizados por monges tibetanos nesta sexta-feira em Lhasa. De acordo com a agência estatal de notícias, os manifestantes atearam fogo a lojas em Lhasa, a capital do Tibete, e os comerciantes baixaram as portas.
Horas mais tarde, americanos que estavam em Lhasa relataram que tiros foram ouvidos em meio aos protestos, informou a Embaixada dos Estados Unidos em Pequim. A representação diplomática americana na capital chinesa enviou uma mensagem de correio eletrônico recomendando aos cidadãos dos EUA que não viagem a Lhasa caso não seja essencial. A embaixada afirma ter "recebido em primeira mão relatos de cidadãos americanos na cidade com relação a disparos de armas de fogo e outros indícios de violência".
Um morador de Lhasa disse, sob condição de anonimato, que há um toque de recolher em vigor e que a polícia militar interditou as ruas que levam ao centro da capital tibetana. Procuradas por telefone, autoridades locais recusavam-se a comentar o assunto.
As atuais manifestações em reação à presença chinesa no Tibete são as maiores em 20 anos. Na quinta, o governo chinês divulgou que a situação em Lhasa estava "sob controle". Conseguir informações precisas e confirmadas sobre o que se passa em Lhasa é muito difícil, em função do rigoroso controle das autoridades chinesas sobre a imprensa e a presença de estrangeiros no territporio. O governo do Tibete no exílio, que fica na Índia, expressou preocupação com as notícias.
Liderados pelo Dalai Lama, os líderes tibetanos na Índia dizem que os protestos de Lhasa são pacíficos. "Nós pedimos à comunidade internacional e aos governos de todo o mundo que recomendem moderação às autoridades chinesas", disse um porta-voz, Thubten Samphel. A polícia teria isolado os três principais monastérios da cidade na quinta, na tentativa de impedir que os monges budistas liderassem as manifestações. O governo chinês não confirma essas informações.
Os protestos começaram na terça, quando os primeiros monges foram detidos por causa de sua participação numa marcha que marcava os 49 anos de um levante tibetano contra o domínio chinês. Centenas de monges foram às ruas para exigir a libertação dos detidos, mas a polícia teria usado gás lacrimogêneo para dispersá-los. Na quarta, testemunhas disseram às agências de notícias internacionais que muitos monges foram espancados enquanto tentavam fazer outro protesto.
Nos EUA, o comando da Campanha Internacional pelo Tibete (ICT, na sigla em inglês) divulgou que pelo menos um carro de polícia foi incendiado nesta sexta, e que uma feira num movimentado bairro comercial da cidade também havia sido destruída pelas chamas. "Parece que as pessoas comuns agora também participam dos protestos", disse a porta-voz do grupo, Kate Saunders. O Dalai Lama, que fugiu do Tibete em 1959, reivindica a autonomia do território. A China nega.
Fonte: Veja.com e Estadao.com.br
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