Eu já sabia
Com essas palavras carregadas de uma inexorabilidade sabida de antemão e constantemente aguardada em razão dos incontáveis crimes cometidos por quem as murmurou cabisbaixo, Alberto Kenyo Fujimori, está se cumprindo nestes momentos a extradição do Chile para o Peru de um dos presidentes - tiranos mais cruéis e ladrões que viu América do Sul passar, encerrando um último capítulo nas ditaduras a mando que crasearam em toda América Latina durante os últimos 150 anos.
Antes de prosseguir, quero dizer diante eventuais "E os outros?", que, além de não haver mais ex-presidentes assassinos e ladrões fugitivos, aqueles dois em atividade atual têm, em exercício de comparação de crimes de lesa humanidade, perdões, remissões, direito à prescrição e indulgências plenárias dos mais diversos tipos.
O Brasil é o único país do mundo que teve presidentes de fato que, o de direito restaurado, jamais levou a juízo pelos crimes cometidos durante sua gestão de força. O único que registra a história da humanidade. E não serei eu (in)oportuno em rememorá-lo já que, de alguma forma, vem-se construindo esse silêncio amigo através de indenizações que, (fora de digitadas exceções) têm curiosa assimilabilidade, resignação e fatalismo que o fazem aceitável.
Tampouco me deterei a falar sobre uma "Anistia total e irrestrita" de estranha abrangência já que, também outros paises a adotaram (ainda que bem menos abrangente, porém, restaurada a democracia a revogaram por completo (?).
Assim, todos os presidentes armados da América que foram empossados por encargo e que não morreram no desterro, presos à perpetuidade morreram na cadeia. O ano passado, na vergonha da prisão domiciliar de por vida dada a sua idade, o general Pinochet, ex-presidente do Chile. No Uruguai, o último presidente de sua ditadura. Stroessner, do Paraguai, no desterro onde se ocultaria: Brasil. Na Argentina, todos os generais presidentes que foram, Videla, Massera, Viola e Galtieri morreram na cadeia cumprindo prisão perpétua. Naquele outro país, o advento da democracia os premiou com altos cargos em estatais e foram morrendo felizes.
E ainda, remanescentes colegas de essa época de terror se insurgem pelas indenizações a familiares daqueles que morreram de mortes matadas, gerando um intringulis de "verdades" semeadas de propósitos negros, terreno fértil para que tais "razões" sustentadas a meias alcancem proporções que se advertiram nos Nunca Mais!
Cabe ao governo através de sua riquíssima mídia esclarecer à população através dos mais diversos meios de difusão, os porquês autênticos dessas indenizações e as razões que entendem as promoções post mortem a graus (bem) superiores de algum autêntico guerrilheiro.
"Eu já sabia" por ora seguindo as coisas como estão, não está preocupando aos nossos “guerrilheiros”.
Marco Ferrari é Escritor, Pesquisador, Historiador e Crítico de Literatura é também colaborador do Blogvisão
Tradutor da Língua Espanhola para o português, especializado em léxico e cariz da América Latina. Membro Conselheiro nº 3130 da UBE União Brasileira de Escritores. Criador do mais importante Prêmio Literário do Brasil, o Prêmio Nacional de Literatura, pleiteado ante o Ministério da Cultura porquê, alegava "Ser o Brasil o único pais do mundo que não possuía um galardão que designasse o melhor escritor nacional". Aprovado pela Comissão de Incentivo à Cultura - CNIC - do Ministério da Cultura em 27/08/1996. DOU. Diário Oficial da União, 27/08/96. Novamente aprovado à efeitos de Captação de Recursos Complementares em 1997. DOU. Nº 93, 19/05/1997.



