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Na Bélgica, um "milagre de natal"
Já o chamam de ‘Milagre de Natal’. Ao fim de seis meses de um impasse político que deixou o país à beira da separação, a Bélgica tem finalmente um novo governo. Interino, é certo, mas sempre é uma luz ao fundo do túnel para um país que passou os últimos meses a questionar a sua própria existência.
O autor do ‘milagre’ foi o primeiro-ministro cessante, Guy Verhofstadt, a quem coube a ingrata tarefa de liderar desde junho um governo de gestão enquanto o vencedor das eleições, Yves Leterme, tentava em vão formar um governo de coligação.
Após a desistência de Leterme, no início de dezembro, o rei Alberto II entregou a delicada tarefa de formar o governo a Verhofstadt, e este conseguiu em poucos dias aquilo que o cristão-democrata flamengo não tinha conseguido em seis meses: unir os principais partidos belgas e formar uma coligação estável.
O novo governo, que poderá tomar posse já amanhã, será de curta duração: deverá cessar funções a 23 de março do próximo ano, tempo suficiente para aprovar um novo orçamento, ratificar diretivas européias – incluindo o Tratado de Lisboa – e lançar as bases para as reformas institucionais que estiveram na origem da mais grave crise política belga. Então será a vez de Leterme retomar o leme e fazer valer o mandato ganho nas urnas.
Recorde-se que na origem da crise esteve a intenção de Leterme de atribuir mais poderes à Flandres, região de língua neerlandesa, o que contou com forte oposição da parte dos partidos francófonos da Valônia, tornando impossível a formação de um governo de coligação.
A crise provocou o agudizar das rivalidades regionais e levou muitos analistas a temerem pelo futuro da Bélgica. Este acordo não significa que a crise esteja debelada, mas pelo menos dá aos belgas um período para serenar os ânimos e encontrar uma saída negociada para a situação.
Popular
Guy Verhofstadt, o liberal francófono que foi primeiro-ministro nos últimos oito anos, foi duramente castigado nas eleições de junho, mas recuperou a popularidade nos seis meses que passou à frente do governo de gestão. A forma ponderada como geriu os destinos do país enquanto os seus rivais políticos se injuriavam valeu-lhe pontos importantes.
Cautela
Os analistas políticos belgas saudaram a solução de compromisso apresentada por Verhofstadt, mas mostraram-se cautelosos quanto ao futuro. “A crise ainda não acabou. Ninguém sabe o que irá acontecer depois da Páscoa. É como um incêndio que não foi completamente extinto - se as negociações não recomeçarem em janeiro, as chamas vão voltar”, afirmou o analista Carl Devos.
Fonte: Ricardo Ramos com agências para o Correio da Manhã.pt
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