‘Tropa de elite’ divide crítica em Berlim
O filme “Tropa de elite”, de José Padilha, que estreou na segunda feira no Festival Internacional de Cinema de Berlim, dividiu a crítica internacional. Os comentários publicados nos principais jornais europeus falam sobre “um grande favorito ao Urso de Ouro” mas outros apontam também possíveis falhas do filme, como um determinado “estilo hiperativo”.
Wagner Moura e Caio Junqueira em ‘Tropa de elite’/ Divulgação
A “Variety”, a revista mais importante de cinema, publicou em seu site logo após a sessão do filme a crítica mais desfavorável. Segundo o jornalista Jay Weissberg, “Tropa de elite” é uma “monótona celebração da violência, um filme de recrutamento para fascistas brutamontes”.
Para Juliette Guttmann, critica do jornal “Westdeutsche Allgemeine Zeitung”, a história brutal da luta da unidade especial de polícia contra os traficantes da favela foi “uma grande surpresa”. “É o primeiro favorito real na competição pelo Urso de Ouro”. Guttmann considera o filme de Padilha ainda mais forte do que “Sangue Negro” (”There will be blood”), de Thomas Anderson, cotadíssimo a vários prêmios em Berlim e candidato ao Oscar em oito categorias.
O “Die Zeit” elogiou a obra de José Padilha como “um filme simplesmente bem feito, um filme de ação bastante brutal do dia a dia da policia”. O artigo, assinado pela crítica do jornal, Christine Wollowski, lembra também que “Tropa” tem outros elementos capazes de conquistar o espectador. E um deles é o personagem do capitão Nascimento, interpretado por Wagner Moura. “A desorganização mental de Nascimento faz dele, apesar da sua extrema frieza sangrenta, um personagem simpático, com quem podemos nos identificar. As suas frases machistas são tão cool”, afirma o jornal, lembrando que um dos segredos do sucesso do filme no Brasil pode ser o desejo ilusório de soluções simples para um problema altamente complexo.
O jornal “Die Welt” já vê o Brasil como um celeiro de bons filmes policiais, que antigamente só vinham de Hollywood. “Do Brasil já vem o melhor filme de gângster das últimas décadas, “Cidade de Deus”, e agora esse excelente filme policial do diretor José Padilha, que com uma câmara febril e vacilante e cortes rápidos, retrata também visualmente toda a loucura marcada pelo medo e pela testosterona”, diz o jornal, referindo-se ao estilo de “macho” dos policiais do filme.
Outro jornal alemão destaca não a dureza da unidade especial Bope, mas a lógica na qual o sistema funciona. O “Berliner Zeitung” afirma que o filme é “uma obra-prima na balança entre a narrativa e o pseudodocumetário”. “Conta a história de forma original e não tenta poupar ninguém, sendo assim livre de qualquer posição ideológica e ficando bem próximo da realidade”.
Também a imprensa de outros países europeus viu em “Tropa” um dos filmes mais importantes do festival de Berlim. Jornalistas da França, Inglaterra e Espanha elogiaram a película. “José Padilha descreve com realismo um universo que causa tanto medo quanto a criminalidade que quer combater”, diz o “El Pais”.
Mas houve também críticas negativas. Uma delas foi a de um jornal de Berlim, “Tagesspiegel”, para o excesso de velocidade. Segundo o jornal, o diretor não deixa nem um minuto de reflexão para o espectador.
“Qualquer nuance argumentativa se perde porque Padilha deu ao filme um estilo hiperativo para mostrar o caos urbano. No bombardeio de cortes e tons bombásticos não resta nem um minuto ao expectador para a reflexão. O diretor de 40 anos estudou em Oxford, mas inteligente o seu filme não é”, afirmou o “Tagesspiegel”.
A equipe do filme brasileiro, que veio a Berlim para o lançamento, acompanhou com bastante atenção as primeiras crÍticas. Como afirmou a atriz Maria Ribeiro (que no filme interpreta a esposa de Nascimento), a apresentação do filme em Berlim foi vista no inÍcio como um grande risco antes do lançamento internacional, que ocorrerá em maio.
- Nós sabíamos que se a crítica em Berlim fosse muito negativa teríamos mais dificuldade de lançar o filme no mercado internacional. Mas vejo a reação como positiva e por isso acho que, mesmo não ganhando um prêmio, o filme já ganhou por ter participado - disse Maria.
Marcos Prado disse que só nos próximos dias, quando o filme for visto também pelo público normal do festival, será possivel uma boa avaliação da reação:
- Você sabe como é jornalista, só vê o filme criticando. Mas é o público normal que vai avaliar se o filme será ou não um sucesso também no exterior.
Fonte: Graça Magalhães-Rüether para o Globo Online
Veja trechos de Tropa de Elite: http://www.tropadeeliteofilme.com.br
Independente das opiniões que receba dos críticos, Tropa de Elite é um filmaço. É um filme que a despeito de algumas limitações de ordem técnica, você assiste do comêço ao fim com o mesmo nível de interêsse. Cumpre a função primeira dos filmes do gênero, que é prender a atenção dos espectadores.



