Arthur C. Clarke, escritor de ”2001: Uma Odisséia no Espaço” morre no Sri Lanka
Morreu ontem no Sri Lanka um dos maiores escritores de ficção científica de todos os tempos, o grande e imortal Sir Arthur C. Clarke, que profetizou em mais de uma centena de livros muitas invenções que se tornaram realidade como o satélite artificial, o ônibus espacial, os super computadores e os sistemas de comunicação instantânea que todos nós conhecemos tão bem. Segundo um assessor, Sir Arthur C. Clarke morreu devido a problemas cardiorrespiratórios. Ele estava em sua casa, no Sri Lanka, onde vivia desde 1956. Durante sua carreira, Clarke publicou mais de cem livros, que venderam milhões de cópias.
Nos anos 40, Sir Arthur defendeu a tese de que o homem iria pisar na Lua até o ano 2000, algo que era considerado impossível naquela época. Algum tempo depois, foi convidado para participar como comentarista das transmissões das missões lunares da Apollo 12 e Apollo 15.
Além de ter influenciado a criação de diversas tecnologias que usamos no dia a dia, Sir Arthur também foi uma enorme influência para diversos escritores, diretores de cinema e produtores de séries de televisão. Em 1964 trabalhou com o grande diretor de cinema Stanley Kubrick para adaptar seu conto O Sentinela, que acabou se tornando o magistral filme 2001: Uma Odisséia no Espaço.
Seus escritos despertaram a paixão pela tecnologia em milhões de crianças ao redor do mundo. Muitos creditam ao escritor o mérito de dar uma face mais humana e prática à ficção científica. Nascido em Somerset, Clarke era filho de um fazendeiro. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu na Royal Air Force (a Força Aérea Real britânica) em um então projeto ultra-secreto de desenvolvimento de radares.
"Ele estava à frente de seu tempo de tantas maneiras", disse o astrônomo britânico Sir Patrick Moore, amigo de Clarke desde a adolescência. "Um grande escritor de ficção científica, um ótimo cientista, um grande profeta e um amigo muito querido. Estou muito, muito triste com a sua partida." Depois do fracasso de seu casamento, em 1956, Clarke foi morar no Sri Lanka (então chamado Ceilão), onde desenvolveu interesse por mergulho. Em 1998, ele enfrentou acusações de abuso de crianças, das quais foi inocentado posteriormente. Nos últimos anos, Clarke vivia confinado a uma cadeira de rodas em decorrência da síndrome pós-pólio.
Ele e Isaac Asimov outro mestre no gênero criaram um tratado pessoal muito curioso, que estabelecia que sempre iriam indicar o outro como o melhor escritor de ficção científica do mundo. Nada mais justo, afinal, ambos estavam certíssimos.
Sir Arthur também é famoso pelas suas frases, simplesmente geniais. Citando o mestre: Se nós tivermos aprendido algo da história de invenções e descobertas, é que, a longo prazo e muitas vezes a curto prazo as profecias mais audaciosas parecem ridiculamente conservadoras.
Outro assunto que mexia com Sir Arthur era a questão da religião e o absurdo do Criacionismo, ele cunhou esta pérola: Eu até defenderia a liberdade de adultos criacionistas praticarem qualquer perversão intelectual que eles quisessem na privacidade de suas casas, mas também é necessário proteger os jovens e os inocentes.
Ainda falando sobre religião, Sir Arthur disse: O conceito de que Deus criou o homem a sua imagem e semelhança é como uma bomba relógio nas fundações do Cristianismo.
Sir Arthur cunhou as Leis de Clarke, que estipulam:
1. Quando um cientista renomado e experiente diz que algo é possível, ele está quase certamente certo. Quando ele diz que algo é impossível, ele está muito possivelmente errado.
2. O único caminho para desmascarar os limites do possível é aventurar-se além dele, através do impossível.
3. Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da mágica.
Em reconhecimento ao seu legado, Clarke ganhou os prêmios Nebula Award em 1972, 1974 e 1979; e o Hugo Award of em 1974 e 1980, além de ter se tornado o Grande Mestre dos Escritores de Ficção Científica da América em 1986.
Seu último livro, The Last Theorem, co-escrito com Frederik Pohl, deve ser lançado no final deste ano.
Sir Arthur viverá para sempre no coração dos seus fãs, e nas estrelas de onde buscou inspiração para sua magnífica obra. Descanse em paz, Mestre, nós sentiremos muito a sua falta.
Visite o site da Clarke Foundation.
Fonte: IpJornal.com e BBC
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