Financiar a casa própria sem dor de cabeça
O mais difícil no momento de financiar a compra de uma casa é encarar a matemática e chegar à melhor fórmula possível entre tantos fatores. Quanto dar de entrada, quanto comprometer do salário com a dívida e o tempo para pagar são apenas alguns de uma lista bem maior.
O economista Mauricio Visconti, consultor em financiamentos imobiliários, pôs-se a fazer contas, tendo como ponto de partida três níveis de renda e imóveis de três faixas de preço. Chegou a sete simulações de financiamento nas quais a lógica é sempre a mesma: nenhuma alternativa seria muito vantajosa ao bolso do comprador – e outros especialistas consultados concordam com isso.
As condições para financiar um imóvel, de um modo geral, nunca foram tão boas. Nos últimos dois anos, as taxas de juros caíram algo como 20%, e a duração máxima dos financiamentos passou de uma média de 28 para os atuais trinta anos. Diante disso, vale a pena prestar atenção na matemática do economista e, se for o caso, ir ao banco mais bem informado.
Ciladas burocráticas
Os especialistas alertam para alguns dos equívocos mais comuns depois de tomada a decisão de financiar a compra de um imóvel – e ensinam a evitá-los. A lista:
Erro: deixar de fora da conta certos custos operacionais, como aquele cobrado pelos bancos para avaliar o imóvel ou o imposto de transmissão. Juntos, eles somam em torno de 4% do valor final do imóvel
Sugestão dos especialistas: tentar incorporar ao financiamento a quantia correspondente a tal despesa, negociação possível em alguns bancos
Erro: jamais ler o contrato apresentado pelo vendedor do imóvel. Ali, em geral, aparece uma cláusula segundo a qual o comprador deve executar o pagamento em um mês. O problema é que o financiamento pode demorar mais do que isso para sair, em conseqüência do atraso do próprio proprietário em relação à papelada exigida
Sugestão dos especialistas: diante de uma cláusula tão arriscada, o mais prudente é negociar com o dono do imóvel sua retirada do contrato
Erro: pedir ao dono do imóvel apenas o carnê de IPTU relativo ao ano anterior. Se houver uma dívida mais antiga – e isso não é raro acontecer –, o banco vetará na hora o financiamento
Sugestão dos especialistas: exigir do proprietário a apresentação de uma certidão negativa do cartório, única garantia de que o IPTU está 100% em dia
Dicas úteis
Existe uma certa ciência na procura de um apartamento – e ter algum conhecimento sobre ela pode evitar experiências desagradáveis depois de consumada a compra.
Três questões básicas para as quais vale a pena atentar:
Iluminação
O que é bom saber: se algumas das janelas estão voltadas para o norte, porque nessa posição a entrada de luz natural é bem maior. Para ter um cenário mais realista, compensa visitar o apartamento entre meio-dia e 5 da tarde e observar como a luz, em seu momento mais intenso, incide sobre cada cômodo
Vazamentos
O que é bom saber: para detectar o problema, às vezes é preciso ir atrás dos sinais. Nunca deixe de investigar se o peitoril das janelas e as paredes de fora do banheiro apresentam alguma umidade. É bom também testar a descarga: o fato de o jato sair fraco demais pode ser conseqüência de um vazamento escondido
Elevador
O que é bom saber: caso fique próximo à região dos quartos, certifique-se com a construtora de que ele recebeu alguma espécie de isolamento acústico. Isso reduz o chiado do elevador quando é acionado – um barulho que, a longo prazo, se torna um pesadelo
Fonte: Monica Weinberg (Com reportagem de Marcos Todeschini) para a Revista Veja



