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Biocombustíveis da segunda geração serão melhores

26/10/2007 Publicado por: Xico Lopes Categorias: Agricultura & Agronegócios, Análises & Avaliações, Ciências, Documentos, Estudos, Estatísticas & Relatórios, Economia & Finanças, Energia, Europa, Meio Ambiente & Ecologia, Química, Suíça, Universidades & Institutos de Pesquisas No Comments →

Criticados pelo balanço energético, quando não tidos como agravantes dos problemas alimentares do planeta, os biocombustíveis têm sua utilidade.

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A primeira geração desse tipo de combustível tem a vantagem de favorecer a transição energética até a chegada dos biocombustíveis sintéticos.

Os biocombustíveis nada teriam de bio, a não ser no nome? A tendência entre os socioambientalistas está mais para a crítica. E a exigência de uma moratória foi formulada, tanto no plano internacional quanto nacional (Suíça).

Recentemente, o relator da ONU pelo direito à alimentação, Jean Ziegler, denunciou a influência negativa que a produção de biocombustíveis tem sobre os produtos alimentares. No início do verão europeu, os Verdes suíços exigiram que a importação de bioetanol e biodisel seja suspensa por cinco anos.

Essa mudança de posição aparentemente paradoxal deve-se a um relatório do instituto de pesquisa suíça EMPA, divulgado em maio último. Ele demonstra sobretudo que o balanço ecológico global da produção de muitos biocombustíveis é pior do que o dos combustíveis fósseis. Afirma ainda que as conseqüências para a alimentação e para os solos podem ser problemáticas.

Consumo em alta

"Tem biocombustíveis e biocombustíveis. Acho que a melhor atitude é reconhecer que realmente há riscos, identificá-los e tomar medidas para limitá-los", reconhece Edgard Gnansounou, diretor do laboratório de sistemas energéticos da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL). Para ele, uma moratória não é a melhor solução.

"Na medida que os biocombustíveis representam hoje apenas 0,7% do mercado mundial, não se pode perder o senso das proporções. Claro que existem problemas locais como a alta do preço da tortilha mexicana ou o desmatamento na Indonésia, mais seria uma pena parar a dinâmica que se instalou", explica Gnansounou.

Mas a tendência, na Suíça, é ecológica, o que pode provocar rapidamente o aumento da demanda. A União Européia (UE) quer, por exemplo, aumentar o uso de biocombustível para 5,75% até 2010 e para 8% até 2020. Os Estados Unidos falam em 10%. A Suíça, por enquanto, fixou o limite de 5%.

"Por volta de 2030, prevemos que esse tipo de combustível terá de 4 a 7% do mercado mundial, afirma Edgard Gnansounou. Com essa previsão, não se deve amendrontar as pessoas com os biocombustívels, mesmo se existe razão para alertar a opinião pública. A estratégia a ser privilegiada é a da durabilidade".

Merecer a etiqueta "bio"

Essa também é a opinião da deputada federal ecologista Anne-Catherine Menétrey Savary, em fim de mandato. "Os Verdes pediram uma moratória e não uma interdição absoluta. É preciso desenvolver técnicas menos nocivas ao meio ambiente, a partir de plantas que não tenham incidência sobre a alimentação."

O problema na verdade é uma história de gerações. Os biocombustíveis atuais têm incovenientes que deverão desaparecer com os combustíveis sintéticos, ditos de segunda geração.

Estes realmente merecerão a denominação "bio" na medida em que, produzidos a partir de plantas não-alimentares e com pouco fertilizante e restos vegetais da agricultura, eles terão um balanço ecológico bem mais favorável.

"Os biocombustiveis de primeira geração pode ser justificados para colocar em marcha a indústria de biocombustíveis. São meios de garantir a transição energética. O objetivo é obter biocombustíveis sustentáveis", destaca Edgard Gnansounou.

A Suíça está atrasada

Por enquanto, existem programas pilotos como o Renew (Renewable fuels for advanced powertrains) na Europa, com a participação de pesquisadores e da indústria petroleira para o desenvolvimento de biocombustíveis sintéticos.

Enquanto aguarda a segunda geração, Edgard Gnansounou considera que é primordial criar um sistema internacional de certificação de biocombustíveis atuais, a primeira geração. As discussões envolvem atualmente a Grã-Bretanha, a Holanda e a Califórnia.

A Suíça tem possibilidades mas está atrasada. "Sua indústria é de um nível respeitável nos setores químico e biotecnológico. Potencialmente, ela poderia ocupar uma posição de ponta", afirma.

Quanto a isenção fiscal dos biocombustíveis aprovada no Parlamento, ela deverá contribuir para acumular conhecimentos de que o país tirará proveito a longo prazo.

BIOCOMBUSTÍVEIS

No final do século XIX, certos engenheiros já utilizaram biocombustíveis para alimentar motores a combustão. O famoso motor de Rudolf Diesel funcionava com óleo de amendoim. Os lendários "Ford T" de Henry Ford também usavam biocombustíveis.

Utilizados em motores a combustão, os biocombustíveis são produzidos a partir da transformação de açúcar ou de óleos vegetais.

Os açúcares (cana, beterraba, trigo) transformados em álcool são adequados aos motores à gasolina (bioetanol). As oleaginosas (colza, girassol, palmeira) são destinadas aos motores diesel (biodiesel).

Na Suíça, 65% dos veículos a motor usam gasolina, 34% diesel e 11% outros combustíveis.

CONTEXTO

O Parlamento suíço aprovou na primavera 2007 uma isenção fiscal dos biocombustíveis para estimular a demanda e reduzir as emissões de CO2.

Ao revisar a lei sobre o imposto de óleos minerais, o Parlamento quis proteger a produção nacional de biocombustíveis, fixando cotas de importaçao.

O governo (Conselho Federal) não reteve a política de cotas no decreto de aplicação, considerando que ela é contrária às regras da OMC.

Por sua vez, os Verdes apresentaram uma moção parlamentar pedindo uma moratória na importação de biocombustíveis fabricados com plantas comestíveis. O governo é contra esse princípio.

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Fonte: Carole Wälti para a Swissinfo

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