Monóxido de carbono poderá ser utilizado como antibiótico
Cientistas portugueses identificaram que o monóxido de carbono tem capacidade para matar bactérias, especialmente bactérias hospitalares muito resistentes aos antibióticos atualmente existentes.
Utilizar o conhecido gás tóxico monóxido de carbono (CO) em doses controladas pode vir a servir de base para o desenvolvimento de medicamentos capazes de destruir bactérias resistentes, em meio hospitalar.
Investigadores do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB), da Universidade Nova de Lisboa mostraram pela primeira vez que o monóxido de carbono tem a capacidade de matar as bactérias Escherichia Coli e Estafilococos Aureus, duas das bactérias mais resistentes que afetam o homem e que estão na origem de situações como gastroenterite e pneumonia, respectivamente.
As conclusões dos cientistas portugueses, publicadas na edição de Dezembro da revista internacional Antimicrobial Agents and Chemotherapy, abrem a hipótese de "vir a utilizar o monóxido de carbono como um antibiótico, diferente dos que já existem" explica Lígia Saraiva, coordenadora da investigação, em declarações à TV Ciência On-line.
Porque as altas concentrações de monóxido de carbono quando inaladas pelo corpo humano são altamente tóxicas, a cientista explica que, "o ponto de partida para esta pesquisa foi verificar se, em concentrações baixas e não tóxicas para o organismo, o monóxido de carbono teria capacidade para matar bactérias".
A cientista acrescenta ainda que, "o CO tem algumas semelhanças com o Óxido Nítrico, e tendo o Óxido Nítrico no nosso organismo um papel importante na eliminação de bactérias quisemos ver se a ação do CO sobre as bactérias era semelhante".
A partir da experiência em bactérias, os investigadores concluíram que os compostos liberadores de CO têm realmente capacidade de matar bactérias, inclusive "o conhecido Estafilococos em que algumas estirpes têm vindo a desenvolver uma resistência preocupante aos antibióticos já existentes. Esta resistência é muitas vezes responsável por um elevado número de mortes em ambientes hospitalares", afirma a investigadora.
A especialista acrescenta que até que seja possível desenvolver um antibiótico comercializável são necessárias outras fases importantes da pesquisa. "O próximo passo são os testes em animais que serão realizados pela farmacêutica Alfama e depois o processo seguirá o percurso normal até que finalmente seja possível produzir o antibiótico", conclui Lígia Saraiva.
Fonte: Natália Dias para TV Ciência online.pt



