Novo atlas mostra modificações no planeta
O aquecimento global já começou a modificar a silhueta do planeta. O degelo progressivo do Ártico e o avanço da desertificação estão provocando alterações geográficas as quais, à medida que se consolidam, encontram espaço nos mapas.
Um dos exemplos são as dimensões do lago Chade, que fica na fronteira entre Chade, Nigéria, Níger e Camarões, que tinha tamanho muito diferente do atual ao ser descoberto e mapeado por exploradores europeus no século XIX. A extensão do lago se reduziu em mais de 80% em função das alterações climáticas e da demanda crescente por água. A imagem do novo lago Chade é uma das alterações geográficas reveladas no novo Atlas Universal compilado por uma parceria entre o Institut Cartográfic de Catalunya (ICC) e a Editorial Planeta, apresentado esta semana.
Trata-se do primeiro atlas publicado na Espanha com cartografia própria, graças ao bem equipado fundo de documentos do ICC, como disse Jesús Badenes, diretor geral da divisão editorial do Grupo Planeta.
Para a execução do trabalho, que levou dois anos, "foram utilizadas as mais recentes tecnologias aplicadas à cartografia, o que permitiu trabalhar com novos desenhos que facilitam a leitura e interpretação dos mapas", destacou Jaume Miranda, diretor geral do ICC.
Trata-se do atlas mais atualizado do mercado e está em nível semelhante aos da National Geographic, Encyclopedia Britannica ou Larousse, de acordo com Miranda.
O diretor do ICC afirmou que o documento, "com uma base geográfica de alta precisão e de alta resolução, com imagens obtidas por satélite de cidades, vias de comunicação, desertos e tundras, está completamente atualizado".
Além do impacto das alterações climáticas sobre a geografia universal, o atlas atualiza fronteiras e mudanças que o planeta experimentou como fruto da atividade humana. Com impacto quase tão sério como o da redução das dimensões do lago Chade, ele registra também a perda de água no Mar de Aral, entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, nesse caso devido às plantações de algodão ao longo dos rios que alimentam essa espécie de grande lago. Em um contexto de monopolização da informação geográfica, Miranda considera que "dispor de informações geográficas próprias é essencial para a soberania pessoal e empresarial". Nesse sentido, os bancos de dados cartográficos do ICC, premiados pela International Geographic Association, se revelam como ferramenta de grande valor.
Com 584 páginas, o atlas se estrutura em três seções: uma de geografia universal; os mapas, realizados em escala 1 por 4.000.000, exceto os da União Européia, cuja escala é de 1 por 1.000.000; e o índice toponímico, com mais de 225 mil verbetes, organizados de acordo com as resoluções da ONU.
A informação gráfica - mapas gerais e temáticos, imagens de satélites, fotografias e ilustrações - é complementada por análises de temas atuais como os riscos naturais, as alterações climáticas, os conflitos sociais, a sustentabilidade ou a globalização.
O atlas foi publicado em espanhol, mas o Grupo Planeta está negociando com outras editoras traduções para o francês e o italiano. Também está disponível uma edição em catalão lançada há sete anos pelo ICC e pela Enciclopèdia Catalana, cuja atualização está em estudo. Badenes acrescentou que novas versões do atlas, entre as quais uma dirigida a estudantes, serão lançadas dentro de um ano.
Fonte: Rosa M. Bosch para o La Vanguardia.es



