Amores e (o)dores que nos dá São Paulo
Por Marco Ferrari (premionacionaldeliteratura@ig.com.br)
Esta é uma cena de Calcutá (Índia) ou será de São Paulo (Brasil)?…
A cidade de São Paulo com seu setor urbano expandido é a 4ª cidade mais populosa do planeta, precedida por Calcutá (abarcados seus limites municipais) com 22.000.000 de sobreviventes empedernidos.
Todavia, o singular de este comparativo populacional lado a lado, radica nas "afinidades" que insiste São Paulo (?) em preservar com sua alma gêmea que é essa cidade indiana.
A singularidade à qual me refiro é respeito a que, enquanto São Paulo é o maior produtor de açúcar do universo, (Brasil é o maior no seu conjunto açucareiro todo) de álcool combustível, o maior produtor de café e exportador do seu grão, o maior produtor de laranja e seu suco, 1º produtor de calçados femininos, 1º de denim (brim) do planeta, 2º maior produtor de carne bovina, 3º do mundo num montão de segmentos produtivos, (partindo de produtos de siderurgia, cereais, frutas, carnes em geral, automóveis até chegar ao chá e o macarrão) o que lhe concede o 31% de PIB do Brasil a 8ª economia do mundo, Calcultá não produz absolutamente nada e, apesar disso, no que diz respeito à assistência social dos mais excluídos e também munícipes, tanto uma como a outra megalópole (uma por que não pode e a outra por que não se interessa) através dos titulares dos seus chefes executivos, podem entrelaçar seus braços de improbidade administrativa, caos no desenvolvimento urbano, (fato que alheia dos serviços públicos primordiais seus transeuntes no trânsito pelas suas vias peatonais) despudor, desvergonha, falta de escrúpulos e, total ausência de princípios humanos básicos para os concretizar.
Assim, entre amores e (o)dores que nos dá São Paulo e cujas similaridades a iguala a Calcutá, é o cheiro da urina humana que impregna seu centro fetidamente, vertida constantemente a toda hora do dia, (se bem que a luz do sol se derrama com relativa discrição), mas, à noite, agregam-se milhares e milhares de sólidos abundantes que o sol desidrata em parte e a sola dos seus transeuntes inadvertidamente na outra.
Esse panorama de sujeira e asco está solidificado na omissão de sua prefeitura que, consegue permanecer inalterado o quadro da megalópole que menos banheiros públicos possui no mundo todo.
Em efeito, quando em todas as praças das cidades importantes existem banheiros públicos gratuitos para seus transeuntes o mesmo que em partes estratégicas das principais ruas e de todas suas rodovias sem nenhuma exceção, nas rodovias, em São Paulo (e no Brasil quase todo) achar um banheiro público fora dos bares e "restaurantes"é uma tarefa ingrata e de difícil continência.
Tomado de incontinência, pois, e sem dinheiro para tomar ou comer algo num bar, (desculpa para se ter acesso a chave do banheiro que protege geralmente o caixa) a opção é assobiar baixinho, dar um perdido e, buscando a menor visualização de outrem, descarregar seu líquido ou sólido inoportuno onde a intolerância os anunciou "para já".
Sabemos que de Barro e Má lufadas se agigantou São Paulo, porém, que a modernidade e a vocação turística da nossa mega cidade exige mais banheiros públicos ou a distribuição de amostra grátis de perfume de patchuli ou de um "rexona" meia boca em stands da prefeitura, como forma de minorar os odores ingratos e dar uma força mais ao turista desavisado de quem o lenço-máscara não costuma fazer parte da sua indumentária.
O resto da tragédia que circunda a nossa cidade a gente tira de letra…



