Vaticano de portas abertas ao mundo muçulmano
O Papa Bento XVI com embaixadores e representantes de 22 países de maioria muçulmana que mantêm relações com a Santa Sé em setembro de 2006
A Santa Sé e um conjunto de representantes do mundo muçulmano reúnem-se a partir desta terça-feira, no Vaticano, para uma “reunião preliminar de caráter técnico” destinada a preparar um grande encontro bilateral, a convite do Papa.
A iniciativa, revelou hoje a Rádio Vaticano, pretende definir “alguns aspectos processuais” para levar adiante “uma reflexão comum”, na sequência da carta enviada a Bento XVI por intelectuais islâmicos, na qual deixavam um apelo em nome da paz e da compreensão entre o Islão e o Cristianismo.
Do lado muçulmano, o grupo inicial de 138 subscritores da referida missiva passou, neste momento, para 241.
Em outubro do ano passado, Bento XVI foi um dos destinatários da carta enviada por 138 intelectuais do mundo muçulmano, na qual deixavam um apelo em nome da paz e da compreensão entre o Islão e o Cristianismo. Posteriormente, o Papa recebeu o rei da Arábia Saudita e convidou os dignatários muçulmanos para uma visita ao Vaticano, defendendo o diálogo “fundado no respeito e no conhecimento recíproco”.
Em resposta, o Papa manifestou o seu “profundo apreço” por este gesto, pelo espírito positivo que inspirou o texto e pelo apelo a um compromisso comum para a promoção da paz no mundo”.
A carta de Bento XVI foi endereçada ao príncipe Ghazi bin Muhammad bin Talal, presidente do Instituto Aal al-Bayt para o pensamento islâmico (Jordânia) e enviada através do Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano.
Nessa missiva, o Papa reafirmou “a importância do diálogo baseado no respeito efetivo pela dignidade da pessoa, no conhecimento objetivo da religião do outro, na partilha da experiência religiosa e no compromisso comum de promover o respeito e a aceitação mútuas”.
Na semana passada, teve lugar o X Encontro do Comitê para o Diálogo entre a Santa Sé e a Universidade egípcia de Al Azhar, instituição teológica de referência para o mundo islâmico sunita.
No comunicado final, assinado pelo presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, Cardeal Jean-Louis Tauran, e pelo Sheik Abdel Fattah Mohamed Alaam, reiterava-se o respeito pela pessoa humana, sem distinção de raça, religião ou credo e se auspicia um reforço do respeito pelos símbolos religioso e dos livros sagrados. “Tudo aquilo que os fiéis respeitam merece o respeito por parte dos outros”, afirma o documento, dirigindo um convite aos intelectuais para que eduquem as sociedades “a esse tipo de moralidade”.
A nota mencionou também a publicação de caricaturas de Maomé: “A liberdade de expressão não justifica o ataque e as ofensas a símbolos religiosos. O nosso Conselho Pontifício está comprometido nesse processo de intercâmbio entre muçulmanos e cristãos, no esforço comum de combater o ódio e o medo”, destacou o Cardeal Tauran no evento.
Fonte: Octávio Carmo para a Agência Ecclesia
Iniciativas como esta mostram que o diálogo é possivel, a convivência com o diverso é indispensável. O problema, entretanto, são os radicais, de todos os tipos. Estes, se colocam à margem do diálogo.
Existe uma história anedótica que narra o seguinte:
Ora, houve uma ocasião em que o bem e o mal, mais uma vez se enfrentavam cara a cara. Desta feita, era o próprio Filho de Deus, Jesus que enfrentaria o demônio. O local de tal embate seria um ringue e o combate, uma luta de box. Tudo pronto. Estavam Jesus em um canto do ringue e o demo no outro. Toca o sino chamando os lutadores para o centro, e começa o juiz (São Miguel) a fazer uma preleção, lembrando aos lutadores as regras para a luta. Só que São Miguel, se vira para Jesus e começa a desfiar uma série de regras: não pode isso, não pode aquilo, e assim vai… Depois de um tempo, Jesus pergunta a São Miguel: -Miguel, qual a razão destas advertências serem dirigidas apenas a mim? E S. Miguel responde: - Senhor, e acaso adianta dar estas recomendações para o demo? Ele não vai mesmo respeitá-las…
Pois bem, esta história serve para lembrar aos homens de boa vontade, que se precavenham contra os que não a tem.



