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São José, uma vida de trabalho e amor

19/03/2008 Publicado por: Xico Lopes Categorias: Catolicismo, Comportamento, Curiosidades, Datas & Acontecimentos, Devoção católica, Estilo de Vida, Igreja, Israel, Oriente Médio, Perfil, Pinturas, Gravuras e afins, Religião, Ética, Moral & Filosofia No Comments →

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São José e o Menino (El Greco)

As principais informações sobre São José são encontradas nos primeiros capítulos do Primeiro e do Terceiro Evangelho, que são verdadeiramente as notícias mais fidedignas.

Todavia, existe uma literatura que embora apócrifa, não pertencente ao Cânon da Igreja e por isso não considerados Livros Sagrados, revela entretanto muita imaginação e alguns dos livros, baseiam os escritos na tradição judaica, apresentando informações preciosas e interessantes sobre os costumes e hábitos dos judeus. Entre estas obras, as que mais abordam episódios da Vida de São José, podemos citar o denominado: "Evangelho de James", o "Pseudo-Mateus", o "Evangelho do Nascimento da Virgem Maria", "A História de José, o Carpinteiro", e a "Vida da Virgem Maria e Morte de José" que são livros antigos e muito raros, escritos a cerca de 2.000 anos, mas que podem ser encontrados na biblioteca do Vaticano e em algumas bibliotecas de Comunidades Religiosas espalhadas pelo mundo.

Com prioridade utilizamos as informações contidas na Bíblia Sagrada de Jerusalém. Contudo, para oferecer uma agradável continuidade ao enredo da Vida de São José, acolhemos também algumas inspirações daqueles livros que seguem a Tradição Judaica, as quais consideramos apropriadas, porque entendemos que estavam fundamentadas no comportamento humano da época, e que portanto, podem representar com fidelidade hábitos do cotidiano da Sagrada Família.

São José nasceu em Belém de Judá (Lc 2,3-4), e presumivelmente deve ter permanecido lá até idade adulta (12 anos pelos costumes judaicos). Embora não encontrando nenhuma informação confiável sobre a sua mãe, é certo que o seu pai chamava-se Jacó e mudou-se com a família para Nazaré da Galiléia, provavelmente para cultivar uma terra que comprou no Vale Esdrelon. Junto com o seu irmão mais velho chamado Cleófas, trabalhou na lavoura, ajudando o pai a produzir alimentos para o consumo próprio e comercialização. Todavia com o passar dos anos, revelou uma notável tendência para o trabalho com madeira, que o levou a deixar o cultivo do solo num segundo plano e a se empenhar na profissão de carpinteiro. Cleófas era casado com uma jovem também chamada Maria, conhecida no Novo Testamento com o nome de Maria de Cleófas, com quem teve três filhos: Tiago Menor, Apóstolo de JESUS, autor de uma epístola e segundo Bispo de Jerusalém; José, conhecido por "Barsabás, o Justo" e Maria Salomé, que se casou com Zebedeu e teve dois filhos: Tiago Maior e João (o Evangelista) autor do Terceiro Evangelho, dos Atos dos Apóstolos, de três Epístolas e do Apocalipse. Ambos foram Apóstolos de JESUS.

José, era um homem de poucas palavras, tinha gênio calmo e retraído, dedicado essencialmente ao trabalho e as orações na sinagoga, fazendo do labor o seu próprio lazer.

É provável que tivesse a idade de 26 anos, quando sua atenção foi despertada para aquela encantadora jovem de cabelos negros e olhos azuis, chamada Maria, que diariamente atravessava a rua com um cântaro de barro em direção a uma fonte que ficava na praça central, para apanhar água. Nazaré, como a grande maioria das cidades naquela época tinha uma fonte, onde todos se serviam, levando água para o asseio e preparo das refeições.

Escritores, pintores e artesãos costumam mostrar o santo, como idoso. Mas José era um jovem de 33 anos, quando desposou a Virgem Santíssima.

José logo ficou interessado naquela jovem, que além de muito bonita, revelava uma decidida aptidão pelo trabalho, além de portar-se com dignidade e discrição. Sempre que surgia uma oportunidade ele se aproximava para dizer-lhe algumas palavras. E assim, alimentando interiormente uma grande simpatia por Maria, decidiu freqüentar a casa de Joaquim e Ana, pais da moça, pois ansiava estar perto dela.

É válido destacar que ele e seu futuro sogro, São Joaquim, eram primos, pois tinham em comum, a avó paterna, que havia se casado duas vezes. Do primeiro casamento, com Leví, foi gerado Mathat, pai de São Joaquim, que é o pai de Maria. E do segundo casamento, nascera Jacó, pai de José e Filho de Matan. A casa de José solteiro, ficava em Megido, em Tanath, onde trabalhava para outros mestres carpinteiros.

Já casado com Maria, o santo carpinteiro, sustentava sua família com seus trabalhos, pois ambos haviam distribuído entre os pobres todos os bens herdados dos pais da Virgem Santa, escolhendo viver em simplicidade. José ensinou o ofício de carpinteiro ao seu Filho: Jesus de José de Nazaré. (Como o próprio Jesus teria se apresentado). Descendente da Casa de Davi, José amou a sua esposa e soube zelar pela sua família.

Quando ele percebeu que Nossa Senhora estava grávida, ficou perplexo e intimamente perturbado, pois não conseguia duvidar da fidelidade de sua esposa. Com o coração angustiado, o filho de Jacó, já havia se decidido a deixar Maria, com discrição, para que ela não fosse ultrajada. Mas o Anjo do Senhor o alertou: “José, Filho de Davi, não temas receber Maria, tua esposa, em tua casa, porque o que nela foi concebido, vem do Espírito Santo. Ela dará a luz um filho e dar-lhe-ás o nome de Jesus (Aquele que Salva), pois Ele salvará o seu povo dos pecados.” (Mt 1,18-25).

Aquele momento foi muito importante para a formação da Sagrada Família, pois esclareciam-se assim, todas as dúvidas que atormentavam São José e foi-lhe instituída a autoridade para ser “pai segundo a lei”, podendo dar o nome ao Filho de Maria. Foi assim, que os escolhidos de Deus, formaram a família que é exemplo a ser seguido por todas as famílias do mundo.

José foi agraciado por Deus em sua vida. Mas as provações também foram muitas para o chefe da Sagrada Família, que precisou fugir, viajar, atravessar noites em claro e derramar muito suor para resguardar a integridade física do Menino Deus e da Santa Esposa, que lhe foram confiados. E José não fez feio! Sempre atento aos alertas de Deus, protegeu com sua vida, o Salvador da humanidade. Sua confiança em Deus manifesta-se na provação, pois a perseguição começa pouco depois do nascimento de Jesus. Herodes quer matá-lo.

O chefe da Sagrada Família deve esconder Nosso Senhor, partir para o Egito, onde ninguém o conhece e onde não sabe como poderá ganhar a vida. Ele parte, pondo toda a confiança na Providência Divina. Lá permaneceram cerca de 4 meses, quando José novamente foi avisado em sonho por um Anjo do SENHOR, que Herodes tinha morrido. Mas como em seu lugar, no Governo da Judéia ficou o filho Arquelau, mau e perverso como o pai, José que planejara regressar à Belém, decidiu levar sua esposa e JESUS para a casa que possuíam em Nazaré da Galiléia. (Mt 2,19-23).

Quando Jesus sumiu aos doze anos, indubitavelmente foi um acontecimento marcante. José e Maria encontraram JESUS ensinando aos doutores da lei no Templo. Admirados, mas desgastados e cansados pela noite mal dormida, pelo cansaço da viagem e falta de notícias do Filho, Maria inquiriu JESUS a respeito de Seu procedimento. José, apesar de preocupado, apenas trocou um olhar triste com o Filho, mas não disse nenhuma palavra, como também não LHE fez qualquer censura ou gesto de reprovação. JESUS, obedientemente os acompanhou e eles retornaram a Nazaré.(Lc 2,41-50).

Aqui não se trata de missão humana, por mais alta que seja, nem de missão evangélica, mas de missão propriamente divina, e não missão divina ordinária, mas tão excepcional que no caso de São José é de fato única no mundo em todo o decorrer dos tempos. Assim como a alma de Jesus recebeu, desde o instante de sua concepção, a plenitude absoluta de graça, que não aumentou em seguida; como Maria, desde o instante de sua concepção imaculada, recebeu uma plenitude inicial de graça que era superior à graça final de todos os santos e que não cessou de aumentar até sua morte; assim, guardadas as devidas proporções, São José deve ter recebido uma plenitude relativa de graça proporcionada à sua missão, já que foi diretamente e imediatamente escolhido não pelos homens, por nenhuma criatura, mas por Deus mesmo e unicamente por Ele para essa missão única no mundo.

Não se poderia precisar em que momento teve lugar a santificação de São José, mas o que temos direito de afirmar é que, em razão de sua missão, ele foi confirmado na graça desde seu casamento com a Santíssima Virgem.

São José é tão glorioso que é o único santo celebrado em duas datas no dia 19 de março, como esposo de Maria e em primeiro de maio, Padroeiro dos Trabalhadores.

Esta última foi instituída, diante de uma multidão de 200 mil operários, reunidos no dia 1º de Maio de 1955, na Praça de São Pedro, quando o Papa Pio XII decidiu cristianizar o Dia do Trabalho, dando-lhe como santo protetor São José Operário, homem, esposo e trabalhador exemplar.

No Plano de Deus, São José teve uma participação especial: foi escolhido por Deus para ser o Pai adotivo de nosso Salvador e a Igreja o venera com títulos importantes, e sua atuação como intercessor dos fiéis tem atraído cada vez mais o número de fiéis: Guardião de Jesus e da Igreja; Padroeiro da Igreja Católica; Protetor das Famílias; Justo; “Santíssimo”; Esposo da Mãe de Deus; Chefe da Sagrada Família; Exemplo de Fidelidade; Espelho de Paciência; Modelo dos Operários; Esperança dos Enfermos; Padroeiro dos Moribundos e muitos outros mais.

Quando lemos os Evangelhos, verificamos que São José é citado pelo nome apenas 14 vezes, e as narrativas sobre ele estão em apenas 27 versículos. Na verdade, pouco sabemos sobre ele, no entanto, o que o torna um dos santos mais queridos? Quem é esse santo que viveu quase desapercebidamente, mas que é uma figura tão fascinante?

O Papa Bento XVI nos dá algumas pistas para entendermos essas questões. No Natal de 2005, ele afirmou, citando João Paulo II que fez uma meditação dedicada a São José (exortação apostólica ´Redemptoris Custos´, ´Custódio do Redentor`):

“Seu [São José] silêncio está impregnado da contemplação do mistério de Deus, em atitude de disponibilidade total à vontade divina. Ou seja, o silêncio de São José não manifesta um vazio interior, mas sim a plenitude da fé que leva no coração, e que guia cada um de seus pensamentos e ações. Um silêncio pelo qual José, junto com Maria, custodia a Palavra de Deus, conhecida através das Sagradas Escrituras, confrontando-a continuamente com os acontecimentos da vida de Jesus; um silêncio entretido na oração constante, oração de louvor do Senhor, de adoração de sua santa vontade e de confiança sem reservas em sua providência”.

 
Leonardo Boff, que pesquisou sobre São José nas melhores bibliotecas do mundo para escrever o livro ´São José: Patrono dos Anônimos´, afirmou que “existe um poderoso cristianismo popular, cotidiano e anônimo do qual ninguém toma nota. Nele vive a grande maioria dos cristãos, nossos pais, avós e parentes que tomam a sério o Evangelho e o seguimento de Jesus. São José, por seu anonimato e silêncio, se insere ai dentro. Mais que patrono da Igreja universal é o patrono da Igreja doméstica, dos irmãos e irmãs menores de Jesus. Ele é um representante da ”gente boa”, da ”gente humilde”, sepultados em seu dia-a-dia cinzento, ganhando a vida com muito trabalho e levando honradamente suas famílias pelos caminhos da honestidade”.

O nome José significa "Deus acrescenta", ou "Deus cumula de bens". E a essência sobre sua pessoa foi expressa nessa frase evangélica "era um homem justo" (Mt 1.9).

O Papa Paulo VI, numa homilia em 19 de março de 1969, diria:

"São dele os pesos, as responsabilidades, os riscos e as fadigas da pequena e singular família. É dele o serviço, o trabalho, e o sacrifício, na penumbra do quadro evangélico, no qual é agradável contemplá-lo".

“Se aprofundarmos a sua vida perceberemos que imitá-lo nos parecerá fácil, pois está muito perto de nós. Ele conheceu a luta do dia-a-dia. E a amargura, sendo igual a nós. A amável e singular serenidade que se irradia deste simples leigo com uma grande missão aos olhos de Deus, nos convida afetivamente a nos aproximarmos dele com mais familiaridade, para conhecer e seguir o seu ensinamento, que nos foi transmitido com tanta discrição. Esse é o motivo porque São José vive na alma do nosso povo”, disse padre José Antônio Bertolin, OSJ.

Fonte: Diácono Francisco Gonçalves para a Cúria Regional de Santana, cidade de São Paulo

Fonte: http://www.geocities.com/jusanfn/cater.htm e http://www.opiniaodeipiau.com.br

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