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Archive for the ‘Judaismo’

Regozijai-vos todos vós, Cristo ressuscitou!

23/03/2008 Publicado por: Xico Lopes Categorias: Artes, Catolicismo, Comportamento, Cristianismo, Datas & Acontecimentos, Documentos, Estudos, Estatísticas & Relatórios, História, Igreja, Judaismo, Religião, Ética, Moral & Filosofia No Comments →

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A Ressurreição de Cristo de Raffaello Sanzio (Óleo sobre madeira/1499-1502/52 x 44 cm/Museu de Arte de São Paulo)

A Ressurreição de Cristo — é o fundamento da nossa fé. É a primeira, a mais importante, Verdade maior. Com a proclamação da Ressurreição de Jesus Cristo, os Apóstolos iniciavam seus sermões. Assim como com a morte de Cristo na Cruz foi realizada a purificação dos nossos pecados, também com a sua Ressurreição nos foi dada a vida eterna. É por isso que para as pessoas de fé a Ressurreição de Cristo é a fonte da alegria constante, incessante júbilo, alcançando seu cume na festa da Santa Páscoa Cristã.

Neste relato mostraremos como sucedeu a Ressurreição de Jesus Cristo, a relação entre a Páscoa e páscoa dos hebreus do Antigo Testamento; citaremos as profecias do Antigo Testamento a respeito da Ressurreição do Salvador, contaremos o sentido (significação) da ressurreição de Cristo para nossa vida e a vida de toda humanidade.

Acontecimentos da Ressurreição

Provavelmente não existe uma única pessoa no mundo que não tenha ouvido falar a respeito da morte e Ressurreição do Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, naquele tempo, quando os fatos de sua morte e Ressurreição foram tão amplamente conhecidos, sua essência espiritual e seu sentido interior surgem como mistério da sabedoria de Deus, justiça e Seu amor infinito.

Os maiores cérebros humanos, com impotência inclinavam-se perante esse mistério inconcebível da salvação. Não obstante, os frutos espirituais da morte e Ressurreição do Salvador são acessíveis à nossa fé e sensíveis ao coração. E pela capacidade que nos foi dada de percebermos a luz espiritual da verdade Divina, somos convictos de que o Filho Encarnado de Deus em verdade morreu voluntariamente na Cruz para a purificação dos nossos pecados e ressuscitou para nos dar a vida eterna. Sobre esta convicção está baseada toda nossa concepção religiosa.

Agora, resumindo, vamos nos recordar dos principais acontecimentos ligados à Ressurreição do Salvador. Conforme narram os evangelistas, Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz na Sexta-feira, perto das 3 horas após o almoço, na véspera da Páscoa hebraica. Naquela mesma noite, José de Arimatéia, um homem rico e honrado, juntamente com Nicodemus tiraram o corpo de Cristo da Cruz, ungiram-No com substâncias aromáticas, envolveram com linho (Sudário), conforme as tradições judaicas e sepultaram numa gruta de pedra.

Essa gruta foi escavada por José para seu próprio sepultamento, mas por amor a Jesus cedeu-a. A referida gruta encontra-se no jardim de José, perto de Gólgota, onde Cristo foi crucificado. José e Nicodemus eram membros do Sinédrio (a corte suprema judaica) e ao mesmo tempo eram discípulos secretos de Cristo. A entrada da gruta, onde eles sepultaram o corpo de Jesus, foi fechada com uma enorme pedra. O sepultamento foi feito rapidamente e não conforme as leis, pois nessa noite iniciava-se a celebração da páscoa hebraica.

A despeito da celebração no Sábado de manhã, os sacerdotes e escribas foram até Pilatos e pediram sua autorização para colocar soldados romanos para guardarem o túmulo. Foi colocado um lacre na pedra que fechava a entrada do sepulcro. Tudo isto foi feito como precaução, pois eles se lembraram das predições de Jesus Cristo, que Ele ressuscitaria no terceiro dia de sua morte.

Onde esteve o Senhor e Sua alma após Sua morte? Conforme a crença da Igreja, Ele desceu ao inferno junto com Seu sermão salvador e retirou de lá aqueles que acreditavam Nele (1 Pe 3,19).

No terceiro dia após Sua morte, no Domingo, de manhã cedo, quando ainda estava escuro e os guardas se encontravam em seu posto na sepultura lacrada, o Senhor Jesus Cristo ressuscitou dos mortos. O mistério da Ressurreição, assim como o mistério da encarnação, — são inconcebíveis.

Com a frágil mente humana, nós entendemos esse acontecimento da seguinte maneira: que no momento da Ressurreição a alma do Filho de Deus voltou ao Seu corpo, e em conseqüência o corpo reviveu e ficou imortal, vivificado e espiritualizado. Depois disto, o Cristo ressuscitado deixou a caverna sem derrubar a pedra e sem violar o lacre. Os guardas não viram o que aconteceu na caverna, e após a Ressurreição de Cristo continuavam vigiando o túmulo vazio. Em seguida aconteceu um terremoto, e então um Anjo de Deus desceu do céu, afastou a pedra da entrada do túmulo e sentou-se sobre ela. Ele tinha a aparência de um raio e sua roupa era alva como a neve. Os guardas, assustados com o Anjo, fugiram.

Nem as esposas dos produtores de mirra, nem os discípulos de Cristo, sabiam de nada do acontecido. Como o sepultamento de Cristo foi feito rapidamente, as esposas dos produtores de mirra combinaram que iriam ao túmulo no dia seguinte ao dos festejos da páscoa hebraica, ou seja, no Domingo, e terminariam a unção do corpo do Salvador com aromas e bálsamos. Elas inclusive não tinham conhecimento dos guardas romanos nem do selo. Quando a aurora começava a surgir, Maria Madalena, “outra” Maria, Salomé e algumas outras mulheres honradas foram até o túmulo levando a mirra perfumada. Pelo caminho, elas refletiam: “Quem irá retirar a pedra do túmulo?” — pois, conforme explica o Evangelho, a pedra era grande e pesada. A primeira que se aproximou do sepulcro foi Maria Madalena. Vendo a sepultura vazia, ela correu até aos discípulos Pedro e João e contou-lhes a respeito do desaparecimento do corpo do Mestre.

Um pouco mais tarde chegaram ao túmulo outras portadoras de mirra. Ela viram um jovem vestido de branco sentado do lado direito do túmulo, o qual lhes disse: “Não se assustem, posto que sei que vocês procuram pelo Cristo crucificado. Ele Ressuscitou. Andem e digam aos discípulos Dele que eles O verão na Galiléia.” Emocionadas com a notícia inesperada, elas apressaram-se para ir ter com os discípulos.

Entretanto os Apóstolos Pedro e João, tendo ouvido de Maria o acontecido, dirigiram-se correndo à caverna: Porém, tendo encontrado ali apenas a mortalha e o tecido o qual estava na cabeça de Jesus voltaram perplexos para casa. Depois disso Maria Madalena voltou ao local do sepultamento de Cristo e começou a chorar. Nesse momento ela viu na sepultura dois Anjos vestidos de branco, os quais estavam sentados — um à cabeceira, outro aos pés, de onde estava deitado o corpo de Jesus. Os Anjos perguntaram-lhe: “Por que você está chorando?.” Após ter respondido aos Anjos, Maria voltou-se e viu Jesus Cristo, mas não o reconheceu. Pensando que se tratava de um jardineiro, ela perguntou: “Meu senhor, se você O retirou (Jesus Cristo) então diga onde O colocou e eu O pegarei.”

Então, o Senhor disse para ela: “Maria!.” Ao ouvir a voz conhecida e tendo se voltado para Ele, ela reconheceu a Cristo e gritou: “Mestre” e jogou-se a Seus pés. Mas o Senhor não permitiu que ela O tocasse, mas ordenou que fosse Ter com os discípulos e lhes contasse sobre o milagre da Ressurreição.

Nessa mesma manhã os guardas chegaram até aos sumo-sacerdotes e lhes relataram a respeito da aparição do Anjo e da sepultura vazia. Essa notícia deixou as autoridades judaicas muito agitadas: Cumpriram-se seus pressentimentos inquietantes. Agora para eles antes de mais nada era necessário preocupar-se para que o povo não acreditasse na Ressurreição de Cristo. Tendo reunido o conselho, eles deram muito dinheiro aos soldados ordenando que propagassem e espalhassem o rumor dizendo que os discípulos de Jesus à noite, na hora em que os guardas dormiam, roubaram Seu corpo. Assim fizeram todos os guardas, e o boato sobre o roubo do corpo do Salvador se manteve por longo tempo entre o povo.

No primeiro dia de Sua Ressurreição, o Senhor apareceu algumas vezes aos seus discípulos, os quais se escondiam individualmente ou em pequenos grupos em diversos lugares de Jerusalém. De acordo com a tradição da Igreja, Cristo primeiramente apareceu à Sua Mãe e com isto consolou Sua aflição materna. Depois, o Senhor apareceu às outras esposas dos feitores de mirra, lhes dizendo: “Alegrem-se!” Elas, por sua vez, se apressaram em dividir esta alegria com outros Apóstolos. Nesse mesmo dia o Senhor apareceu ainda para o Apóstolo Pedro e a dois discípulos — Lucas e Cléofas que estavam a caminho de Emaús. À noite Ele apareceu para todos os Apóstolos, que estavam reunidos para condenar os boatos sobre Sua Ressurreição. Com medo dos judeus, eles se trancaram em uma das casas de Jerusalém (pela tradição na sala onde aconteceu a Santa Ceia e onde sete semanas após a Páscoa o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos).

Após uma semana, o Senhor novamente apareceu aos Apóstolos, incluindo Tomé, que estava ausente na primeira aparição do Salvador. Para dispersar as dúvidas de Tomé a respeito de Sua Ressurreição, o Senhor permitiu que ele tocasse Suas chagas, e Tomé, agora convencido, caiu aos Seus pés, exclamando: “Meu Senhor e meu Deus!”

Conforme narram os evangelistas, durante o período de quarenta dias após Sua Ressurreição, o Senhor ainda apareceu algumas vezes aos Apóstolos, conversou com eles e dava-lhes as últimas instruções e ensinamentos. Um pouco antes da Sua Ascensão o Senhor apareceu para mais de cinqüenta discípulos.

No quadragésimo dia após Sua Ressurreição o Senhor Jesus Cristo, na presença dos Apóstolos subiu aos céus e desde então Ele está sentado à “direita” de Seu pai. Os Apóstolos, encorajados com a Ressurreição do Salvador e Sua gloriosa Ascensão, voltaram à Jerusalém para aguardar a descida do Espírito Santo sobre eles, conforme lhes prometeu o Senhor.

A relação entre a Páscoa do Antigo Testamento e a Páscoa do Novo Testamento

Conforme nós sabemos, o tempo antigo era um período de preparação do povo hebreu para o advento do Messias. Por esta razão, alguns acontecimentos na vida do povo hebreu e especialmente as profecias dos profetas, referiam-se à vinda de Jesus Cristo e a chegada do Novo Testamento. O Antigo Testamento, através das palavras do Santo Apóstolo Paulo era o portador da criança para Cristo e “sombra de futuras bênçãos” (Gal. 3:24; Heb. 10:1).

A ocorrência mais significativa na história do povo Judeu foi a libertação da escravidão egípcia nos tempos do profeta Moisés, a 1.500 anos antes de Cristo. Esta libertação passou a ser comemorada na festa nacional da páscoa dos judeus, juntamente com os outros acontecimentos, em conexão com a libertação do Egito: a graça das crianças judias em cujas casas eram feitos sinais de sangue do cordeiro de páscoa (daí a palavra “Páscoa” — “passar perto”) o milagre da passagem pelo Mar Vermelho e naufrágio das tropas egípcias que perseguiam os israelitas; e então o recebimento da Lei (os Dez Mandamentos) no monte Sinai, pelo povo judeu.

Foi quando o povo hebreu passou a ser considerado como o povo de Deus. Desde aquele tempo, os judeus festejam a páscoa e seguindo os costumes dos seus antepassados, com orações e cerimônias simbólicas fazem oferendas, mas eles fazem com o cordeiro pascal.

Com a coincidência significativa da morte e Ressurreição do Nosso Senhor Jesus Cristo com os festejos da páscoa dos hebreus, é preciso notar a indicação de Deus na ligação interior profunda entre estes dois acontecimentos, a respeito dos quais o Santo Apóstolo Paulo escreve detalhadamente em sua epístola aos Hebreus. Confrontaremos a seguir os acontecimentos paralelos das duas Páscoas.

Páscoa do Antigo Testamento

Páscoa do Novo Testamento

O empenho do cordeiro sem defeito de Páscoa a salvação dos primogênitos israelitas com o sangue dele (Gen. 12).

A crucificação do Cordeiro de Deus, por Cujo Sangue os primogênitos do Novo Testamento mento (cristãos) serão salvos (1 Pedro 1:19).

A passagem milagrosa dos israelitas no Mar Vermelho e a salvação da escravidão egípcia (Exo.14:22).

O batismo na água e a salvação do domínio do demônio (1 Cor. 10:1-2; veja também em Romanos os 6o e 7o capítulos).

A legislação no Monte Sinai no 50o dia após a saída do Egito e a conclusão da aliança com Deus (Exo. 19).

A vinda do Céu do Espírito Santo sobre os Apóstolos no 50o dia após a Páscoa e a instituição do Novo Testamento (Ato. 2).

O saborear milagroso do maná enviado pôr Deus (Exo. 16:14).

O saborear do pão Celestial — Corpo e Sangue de Cristo na Liturgia (João 6o capítulo).

A peregrinação de 40 anos pelo deserto e as diversas provações, as quais reforçaram nos israelitas a fé em Deus. A colocação da serpente de bronze. O hebreu que a olhasse era salvo de ser mordido pôr serpentes venenosas (Num. 21:9).

Provações e dificuldades da vida que cada cristão tem de suportar. Livramento e salvação do remordimento da serpente espiritual, demônio, através da força da Cruz (João 3:14).

A entrada dos hebreus na terra prometida por nova Ter- seus pais.

A promessa de novos céus e uma nova Terra, onde habitará a verdade (2 Pedro 3:13).

Nós podemos ver nestas comparações de acontecimentos pascais que os da páscoa do antigo Testamento anteciparam as grandes mudanças espirituais que seriam concretizadas na vida dos homens após a Ressurreição do nosso Salvador. Eis porque os Apóstolos, comemorando a Páscoa do Novo Testamento afirmavam: “Nossa Páscoa — Cristo, foi sacrificado por nós!” (1 Cor.5:7).

OBS.:

A páscoa dos hebreus é celebrada no 14o dia do mês lunar de Nissan.

Esse dia sempre acontece na primavera, na lua cheia.

A Páscoa Cristã é estreitamente conectada com a páscoa dos judeus. O Primeiro Concílio Ecumênico tendo se reunido em Nicéia no ano 325, decretou que a Páscoa Cristã fosse celebrada no Domingo, no equinócio primaveril, e obrigatoriamente após a páscoa dos judeus. De acordo com essa ordenação do Concílio e com cálculos astronômicos, os estudiosos alexandrinos desenvolveram um sistema para calcular a Páscoa Cristã para cada ano. Assim, surgiu a “Pascoalha” — tabela dos dias da Páscoa para muitos anos adiante.

Alterações dos dias de Páscoa se repetem a cada 532 anos (indiction). De acordo com a “Pascoalha,” a Páscoa Cristã que acontece mais cedo, acontece no dia 22 de março pelo calendário antigo (4 de abril pelo novo calendário), e a mais tardia — 25 de abril (estilo antigo), 8 de maio (novo estilo), com o movimento da Páscoa, movimentam-se também o Grande Jejum e a celebração da Entrada do Senhor em Jerusalém (Domingo de Ramos), que acontece uma semana antes da Páscoa; a Ascensão de Cristo (no 40o dia após a Páscoa) e a Santíssima Trindade (no 50o dia após a Páscoa).

Profecias a respeito da Ressurreição de Cristo

Muitos profetas do Antigo Testamento se pronunciam a respeito da Ressurreição do Messias. Dentre eles, deve-se destacar aqueles que profetizavam que o Messias seria não somente um homem, mas também Deus e por conseguinte, será imortal por Sua divina natureza. Vejamos, por exemplo: Salmos: 2, 44 e 109; Gen. 9:6; Jer.23:5; Miq. 5:2; Mal. 3:1. Também profecias a respeito do Reino Eterno foram feitas, por exemplo: Gen. 49:10; 2 Sam 7:13; Salm 131:11; Ezeq 7; Dan 7:13; pois, o Eterno Reino espiritual se supõe ao Rei imortal.

Entre as profecias corretas sobre a Ressurreição de Cristo, a mais clara vem a ser a de Isaias, 700 anos antes de Cristo, que ocupa todo o capítulo 53 de seu livro. O profeta Isaias, o qual escrevendo o sofrimento de Cristo com tantos detalhes, como se estivesse presente aos pés da Cruz, termina sua narração com as seguintes palavras:

“A Ele foi destinado o túmulo com os mal feitores, mas Ele foi sepultado num túmulo de alguém rico, pois não cometeu pecado, e não havia mentira em seus olhos. Mas Deus achou apropriado entregá-lo ao sofrimento. Porém quando Sua alma trouxer o sacrifício da conciliação, Ele verá eterna a futura geração. E a vontade de Deus será cumprida pela mão Dele com êxito. Na proeza de Sua alma Ele vai olhar com benevolência. Através de Seu conhecimento, Ele, o Justo, Meu Servo, absolve a muitos e levará seus pecados sobre Sí. Por isso Eu Lhe darei parte entre os grandes e Ele irá dividir o prêmio com os fortes.”

As palavras finais desta profecia falam diretamente que o Messias, após Seus sofrimentos de salvação e morte, Ressuscitará e será glorificado pelo Deus Pai.

A respeito da Ressurreição de Cristo, o rei Davi também fez profecias no salmo 15, em nome de Cristo, onde diz: “Ponho sempre o Senhor diante dos olhos; pois que ele está a Minha direita, não vacilarei. Por isso Meu coração se alegra e Minha alma exulta. Até Meu corpo descansará seguro. Porque Tu não abandonarás Minha alma na habitação dos mortos, nem permitirás que Teu Santo conheça a corrupção. Tu Me ensinarás o caminho da vida; há abundância de alegria junto de Tí e delícias eternas à Tua direita” (Salm 15:8-11. Veja também Ato 2:25 e 13:35).

Desta maneira, os profetas estabeleceram ao seu povo o fundamento da fé concernente a chegada e Ressurreição do Messias. Eis porque os Apóstolos propagavam com tanto sucesso a fé na ressurreição de Cristo, entre o povo hebreu, a despeito dos obstáculos colocados pelos chefes religiosos da nação hebraica.

Os Frutos Espirituais da Ressurreição de Cristo

"Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão” (1 Cor. 15:22). Estas palavras apostólicas dizem não apenas sobre a ressurreição física das pessoas, mas em primeiro lugar, sobre o renascimento da alma. Assim como a morte se dá de duas maneiras — espiritual e física, assim também é a ressurreição — espiritual e física. A morte de Adão, como resultado de prejuízo moral, passou para todas as pessoas.

A Ressurreição de Cristo apareceu como o início de nossa ressurreição espiritual, o despertar da tendência espiritual dentro de nós, e também o renascimento moral. Com referência a esta ressurreição espiritual dos crentes, Deus disse: “Vem a hora, e já está aí, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão” (Jo 5:25).

Em vista disto, na iminência da ressurreição de todos os mortos, deve-se diferenciar a ressurreição temporária daqueles mortos os quais o Senhor Jesus Cristo e Seus discípulos ressuscitavam, conforme o Evangelho e os Livros dos Apóstolos. Por exemplo: a ressurreição da filha de Jairo, do filho da viúva de Nain e de Lázaro, o qual já estava no caixão há quatro dias, e outros.

Aquelas eram as ressuscitações temporárias tanto que, após um determinado tempo os ressuscitados novamente morreram, assim como todas as pessoas. Porém, a ressurreição universal dos mortos será eterna na qual as almas das pessoas se unirão para sempre com seus corpos. — Diante da ressurreição universal, as pessoas justas e corretas se erguerão transformadas, inspiradas e imortais. O primeiro ressuscitado com este corpo renovado e inspirado foi o Senhor Jesus Cristo, a quem o Apóstolo chama de “Primícia dos que morreram” (1 Cor. 15:20). Então, no Reino de Seu Pai, os justos resplandecerão como o sol. Aquele que tem ouvidos, ouça (Mat. 13:43).

A festa da Páscoa cristã é celebrada pelos cristãos com imensa alegria porque eles, nos dias da Páscoa, mais do que em outras épocas, sentem a força do renascimento da Ressurreição de Cristo — cuja força destitui o domínio das trevas, libertou as almas do inferno, abriu as portas para o Paraíso, venceu os laços da morte, derramou vida e luz nas almas dos crentes. É admirável ainda, que a alegria da Páscoa se dissemina para uma quantidade tão grande de pessoas — não apenas nos que crêem profundamente mas também naqueles mais afastados de Deus. Na Páscoa o mundo todo, e parece que até a natureza sem alma, se alegram pela vitória da vida perante a morte.

Homilia de São João Crisóstomo

Quem tiver piedade e amor a Deus, regozige-se nesta gloriosa e brilhante festa. Quem for servo bom, entre e alegre-se no gozo de seu Senhor. Quem suportou a fadiga do jejum, receba agora a recompensa; quem trabalhou desde a primeira hora, receba hoje o seu justo salário. Quem veio após a terceira hora, festeje com gratidão. Quem chegou após a sexta hora, entre sem hesitar, porque não será renegado. Quem atrasou-se até a nona hora, venha sem receio e medo. Quem chegou somente na décima primeira hora, não tenha medo por causa de sua demora, porque o Senhor é generoso. Acolhe o ultimo como o primeiro; remunera o operário da décima primeira hora como o da primeira; cobre um com sua misecórdia e outro com sua graça. é generoso com um e ao outro concede; aceita as obras e abençoa a intenção, recompensa o trabalho e louva a boa vontade.

Entrai pois todos no gozo de nosso Senhor. Primeiros e ultimos, recebei a recompensa; ricos e pobres, alegrai-vos juntos; justos e pecadores, honrai este dia; os que jejuaram e os que não jejuaram, regozijai-vos uns com os outros; a mesa é farta; saciai-vos á vontade; o vitelo é gordo, que ninguém se retire com fome; participem todos do banquete da fé, que todos recebam a riqueza da graça; que ninguém se constranja da pobreza, porque o reino universal foi proclamado; que ninguém chore por causa de seus pecados, porque o perdão jorrou do túmulo.

Que ninguém tema a morte, porque a morte do Salvador nos libertou a todos. O Salvador destruiu a morte, quando a ela se submeteu; despojou o inferno quando nele desceu. o inferno tocou seu corpo e foi aniquilado. Foi isto que profetizou Izaias, exclamando: o inferno ficou aflito ao encontrar-te; aflito, pois foi arruinado; aflito e menosprezado; foi executado e menosprezado; aflito pois foi subjugado. Agarrou um corpo e encontrou um Deus; apossou-se da terra e achou-se diante do céu. Pegou o que viu, e caiu naquilo que não viu. Onde está o teu aguilhão, ó morte! Onde está a tua vitória, ó inferno? Cristo ressuscitou e foste arrazado; Cristo ressuscitou, e os demônios foram vencidos; Cristo ressuscitou e os anjos rejubilam-se; Cristo ressuscitou e a vida foi restituída; Cristo ressuscitou e não ficou mais nenhum morto no túmulo, porque Cristo pela sua ressureição dos mortos tornou-se primaz dentre os mortos. A êle a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.

Cristo Ressuscitou! Em verdade Ressuscitou!

Fonte: Bispo Alexander Mileant da Igreja Ortodoxa Russa, tradução de Olga Dandolo (http://br.geocities.com/ortodoxos_osasco/anestesis.htm)

Ouçam para o seu deleite e reflexão, a belíssima "Jesus bleibet meine Freude" (Cantata 147) de J.S. Bach - Jesus, Alegria dos homens

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