O que você quer: "Lusofonia" ou "Portugalofonia"?
O jornalista Eugénio Costa Almeida, em artigo muito bem escrito, lança um debate a respeito da expressão "lusofonia", que ao seu ver, é inapropriado.
E lá vai ele no seu artigo a desfiar suas razões, muito bem articuladas, muito bem expostas, entretanto, e quiçá, até inconscientemente, porque o acompanho em seus blogs, percebo um certo ranço colonial, um certo travo do Portugal imperial, que em dado momento da história do mundo, especialmente ocidental, ombreou e até mesmo superou outras potências.
Pois bem, está o nosso Eugénio de birra com a tal da "lusofonia". Para ele, o idioma é português, portanto, nada de lusofonia, mas sim, quem sabe, uma… "portugalofonia".
Argumenta ainda, que por exemplo, no Brasil, ainda que tenha o português por língua oficial, "E mesmo esse país não o aceita bem como sendo a sua língua." Penso que esta é uma afirmação um tanto temerária. O Brasil é, talvez para desagrado de muitos, o responsável pela relativa importância que o idioma português ainda tenha no cenário internacional. Afinal somos quase 200 milhões a falar o idioma. Ora se quase 200 milhões de almas se expressam neste idioma e isto por algumas centenas anos, como é possível afirmar que é um país que não aceita o português como sua língua de fato e de direito? Se existe quem advoga por um "idioma brasileiro", o faz movido por um certo sentimento de revanchismo, reflexo do distanciamento que os nossos irmãos portugueses trilharam, desde que unilateralmente, em 1911, promoveram a "sua" reforma.
Efetivamente, além dos interêsses econômicos, a resistência ao Acordo Ortográfico, sim, porque este é o cerne da questão, advém do que muitos portugueses pensam, o último bastião da antiga potência. Um espaço lusófono, certamente não é um espaço portugalófono, pois o primeiro pressupõe a participação colaborativa e equânime de todos os países falantes da língua. Um "espaço portugalófono", seria ainda, o exercício de um imperialismo, de um colonialismo, que se abriga justamente no que restou da antiga grandeza, a língua portuguesa.
Proponho a pensar nas propostas dos companheiros do MIL - Movimento Internacional Lusófono, que vêem na integração de todos os países de fala portuguesa, o caminho para uma nova era de prosperidade, para uma grande federação lusófona, que um dia, quem sabe, existirá.



