Livro relembra a era romântica – e suntuosa – dos cinemas cariocas
Não sem razão, a primeira metade do século XX é considerada a época dourada dos cinemas no Rio. Imponentes em seu estilo art déco, as salas tinham espaço suficiente para acolher mais de 1.000 espectadores. As pré-estréias eram um acontecimento à parte, com público em traje a rigor e banda de música.
É justamente sobre esse período o foco de 90 Anos de Cinema, livro que celebra o aniversário do Grupo Severiano Ribeiro, com distribuição restrita a uns poucos contemplados – parentes, amigos e parceiros comerciais. Suas 220 páginas, fartamente ilustradas, contam a história dos primeiros investimentos do grupo e mostram a suntuosidade da empresa, que hoje tem 66 salas no Rio. "O cinema era o grande evento social na cidade entre os anos 30 e 50", diz o autor da publicação, o jornalista Toninho Vaz.
"Os homens iam de terno e gravata. Quem não conseguia ingresso ficava conversando do lado de fora." O livro também ganhará uma versão compacta, que chega ao mercado em novembro.
Depois de inaugurar o primeiro cinema do grupo em Fortaleza, em 1917, o cearense Luiz Severiano Ribeiro – um empresário que jamais via os filmes e gostava mesmo era de colecionar Cadillac – lançou sua pedra fundamental na Cinelândia dos anos 20 com a abertura do Palácio e do Odeon.
Nos anos 30, o grupo expandiu suas fronteiras para a Zona Sul, com o São Luiz. Em seguida, vieram o Roxy, em Copacabana, e o Carioca, na Tijuca, caracterizados por halls luxuosos, com mármore importado e em dois pavimentos. "Todos eles lembravam os palácios dos filmes de Hollywood", afirma o autor.
O surgimento da TV, nos anos 50, foi um golpe. "Houve uma retração", constata Francisco Pinto, neto de Luiz Severiano Ribeiro e diretor de planejamento e expansão do grupo. A violência e o surgimento dos shopping centers, a partir dos anos 80, contribuíram para a decadência dos cinemas de rua.
Hoje, o grupo aposta suas fichas no Kinoplex, marca destinada a complexos de salas em shoppings. Em dezembro, serão inauguradas quatro delas no Fashion Mall, e para 2008 estão previstos novos pontos nos shoppings Tijuca, Grande Rio e Rio Sul.
Fonte: Patrick Moraes para a VejaRio



