Inseticida pode ajudar no combate ao Aedes aegypti
Quatro cidades do País usaram uma arma a mais para reduzir os focos de Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. São Sebastião (DF), Três Lagoas (MS), Sorriso (MT) e Rio das Ostras (RJ) aplicaram um inseticida natural desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A diferença desse produto com os larvicidas usados no Programa Nacional de Dengue é a forma de aplicação: o próprio dono da casa se encarrega de colocar as gotas do produto em áreas de proliferação de criadouros.
"É uma ajuda poderosa, principalmente quando se leva em conta a resistência de moradores em deixar agentes de saúde entrarem em suas casas", afirmou a pesquisadora que desenvolveu o inseticida, Rose Monnerat. Feito em parceria com a empresa Bthek, o produto, batizado de Bt-horus, também é testado pelo Ministério da Saúde. No entanto, não há data para o governo decidir sobre a adoção do inseticida pelo programa. No momento, o Ministério da Saúde usa dois larvicidas, um deles com o mesmo princípio ativo do Bt-horus.
O larvicida é produzido a partir de uma bactéria, a Bacilus thuringiensis, usada em vários programas de controle biológico. "Na natureza, ela é encontrada no solo, em insetos mortos", afirma Rose. Mas em número insuficiente para combater as larvas. O inseticida, porém, com grandes quantidades, consegue matar as larvas do Aedes aegypti e também borrachudos.
A bactéria libera uma proteína que destrói a larva. "Para o ser humano, outros insetos e animais, o produto é inofensivo, daí a possibilidade de ele ser usado nas casas", explicou a pesquisadora. Em todos os lugares em que foi usado, a população recebeu treinamento prévio. O diretor técnico da Bthek, Marcelo Soares, afirma que nas cidades em que o produto foi usado, o número de criadouros sofreu uma significativa redução. Em São Sebastião, assegura, o índice de infestação, que era de 4 (quatro focos do mosquito em cada 100 casas visitadas), passou para menos de 1. O larvicida foi usado em 20 mil casas, de dezembro a maio do ano passado. Em Três Lagoas, acrescentou, 25 mil frascos do inseticida foram distribuídos em nove bairros da cidade em que havia maior número de criadouros. Segundo Soares, somente cinco casos da doença foram registrados na região em que o produto foi aplicado. Nos 16 bairros restantes, 340 casos de dengue foram contabilizados.
A pesquisadora observa, no entanto, que o inseticida até o momento foi usado como reforço. "Foi uma arma a mais. Em todos os locais, as medidas preconizadas pelo Programa Nacional de Controle da Dengue foram mantidas", afirmou.
Contra a malária
Além do Bt-horus, a Bthek, desenvolveu também o Sphaerus SC que é um bioinseticida microbiano especialmente desenvolvido para combater as larvas do mosquito prego (Anopheles spp.), transmissor da malária e as do pernilongo comum (Culex spp.), que é um vetor de encefalites e da filariose.
Seu ingrediente ativo é uma bactéria que ocorre naturalmente no meio ambiente, o Bacillus sphaericus, identificada e caracterizada pelo Banco de Bactérias Entomopatogênicas da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Produtos à base dessa bactéria são recomendados pela Organização Mundial de Saúde para campanhas de combate aos mosquitos vetores.
Vantagens
- Inofensivo ao homem, animais domésticos, aves, peixes e plantas.
- Não polui, não deixa resíduos e não se acumula no meio ambiente.
- Não afeta os insetos benéficos e os inimigos naturais.
- Pode ser facilmente associado a outros métodos de controle.Produto
Sphaerus SC é uma suspensão concentrada que contém 25 gramas de Bacilus sphaericus por litro de produto, o que corresponde a uma potência de 60 UTIs (Unidades Tóxicas Internacionais) por mg de produto comercial. É apresentado em frascos de 250 ml, 1 litro e bombonas de 5 litros. Classe Toxicológica IV.Modo de ação
1. As larvas dos mosquitos ingerem a bactéria que foi aplicada na água.
2. Em alguns minutos a toxina se une a receptores presentes no intestino da larva .
3. Após algumas horas, a larva sofre paralisia muscular, seu intestino é destruído e os esporos da bactéria penetram no corpo do inseto.
4. As larvas dos mosquitos morrem por afogamento e infecção generalizada.Aplicação
O produto deve ser aspergido diretamente nos criadouros (águas estagnadas, lagoas salobras, represas, bocas de lobo, fossas, estações de tratamento de esgoto), podendo ser aplicado com pulverizador manual ou motorizado, em doses que variam de 1 a 3 litros do produto comercial por hectare.
Fonte: Ag.Estado via Bem Paraná



