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Nossa Senhora de Guadalupe: protetora do México, Rainha das Américas

12/12/2007 Publicado por: Xico Lopes Categorias: América Latina & Caribe, Ciências, Comportamento, Curiosidades, Devoção católica, História, Igreja, México, Povos Indígenas, Religião, Sociedade 2 Comments →

 

NSdeGuadalupe

A história

No sábado, 9 de dezembro de 1531, pelas seis horas da manhã, quando o índio Juan Diego se dirigia de sua aldeia para a de Tolpetlac para assistir uma função religiosa na missão franciscana de Tratetolco, ao chegar ao monte Tepeyac, às margens do Texcoco, encontrou-se com uma jovem de uns 15 anos que lhe ordenou ir ter com o Bispo a fim de pedir-lhe que construí-se um templo no vale próximo.

O índio Juan Diego, cujo nome asteca era Cuauhtlatohayc, nasceu em 1471, perto da cidade do México, na aldeia de Cautitlán, pertencente aos índios Mazehuales.

Era o Arcebispo da cidade do México Dom Juan de Zumárraga, franciscano basco. O segundo bispo da Nova Espanha. Zumárraga, após a visita do índio, prudentemente, pediu provas de que Nossa Senhora queria a construção do templo.

Na terceira aparição, quando Juan Diego ia buscar um sacerdote para atender seu tio doente, Nossa Senhora lhe apareceu e lhe disse: “Escute, meu filho, não há nada que temer, não fique preocupado, nem assustado; não tema esta doença, nem outro qualquer dissabor ou aflição. Não estou eu aqui, a seu lado? Eu sou a sua Mãe dadivosa. Acaso não o escolhi para mim e o tomei sob meus cuidados? Que deseja mais do que isto? Não permita que nada o aflija ou perturbe. Quanto à doença do seu tio, ela não é mortal. Eu lhe peço, acredite agora mesmo, porque ele já está curado.

No dia 12 de dezembro, a Virgem lhe aparece mais uma vez e diz: “Filho querido, essas rosas são o sinal que você vai levar ao bispo. Diga-lhe em meu nome que, nessas rosas, ele verá minha vontade e a cumprirá. Você é meu embaixador e merece a minha confiança. Quando chegar diante dele, desdobre a sua “tilma” (manto) e mostre-lhe o que carrega, porém só em sua presença. Diga-lhe tudo o que viu e ouviu, nada omita…”

O bispo viu que eram rosas frescas de Toledo e isto em pleno inverno mexicano, e viu também o milagre da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, pintada prodigiosamente no manto do humilde indígena. Levou o manto com a imagem da Virgem para a capela, e ali, em meio às lágrimas, pediu perdão a Nossa Senhora.

Uma linda confirmação se deu quando Juan Diego visitou o seu tio, que sadio narrou: “Eu também a vi. Ela veio a esta casa e falou a mim. Disse-me também que deseja a construção de um templo na colina de Tepeyac e que sua imagem será chamada de ‘Santa Maria de Guadalupe’, embora não tenha explicado o porquê”.

Diante de tudo isso, muitos se converteram e o santuário foi construído.

A que esmaga a serpente

É muito simbólico o significado do nome Guadalupe. Helen Behrens, uma das maiores especialistas no assunto, analisando textos originais dos índios, que datam da época das aparições, concluiu que a Mãe de Deus se apresentou com as palavras “Te Quatla Lupe“, que significa “Aquela que esmaga a serpente de pedra“.

A propósito disso, cabe lembrar a passagem da Sagrada Escritura em que Deus, dirigindo-se à serpente infernal, increpa: “Ela (Nossa Senhora) te esmagará a cabeça” (Gen. 3, 15).

Assim, nos primórdios da história do Novo Mundo cumpriu-se literalmente a profecia divina: Nossa Senhora de Guadalupe esmaga a serpente de pedra, o horrível ídolo diabólico sedento de sangue humano!

Proporções do poncho

A imagem estampada é de 140 cm de altura sendo o comprimento do cobertor de 106 cm. Aparece uma jovem morena, aparentando 15 anos e trajando um vestido comprido. O poncho é composto de tres partes unidas e confeccionado de um cacto chamado “maguey”.

Rusticamente confeccionado, assemelhando-se a um saco de estopa. Cada parte mede uns 50 cm de largura. Ocupando duas dessas partes está desenhada a imagem da jovem. A terceira parte está dobrada por detrás.

Exames científicos

Em 1666 reuniu-se uma comissão de sete pintores, os mais famosos de então, que após um estudo demorado, deram seu parecer sobre o desenho do ponche, perante escrivães e dignatários.

Em 1751, Miguel Cabrera, chamado o “Miguel Angelo mexicano” e mais três outros pintores de renome voltaram a realizar novos estudos sobre a pintura.

Desde então foram sendo realizados novos trabalhos científicos, cada vez com meios mais adequados (tais como raio X, análises químicas e novas modalidades de investigação) na medida em que a ciência avança e facilita melhores técnicas.

No transcorrer do tempo, os homens tentaram realçar as cores para que fossem vistas melhor de longe e pretenderam introduzir outros “enfeites”.

Nas nuvens foram pintados anjos…, que já “voaram”. Os raios de sol foram recobertos de ouro. O ouro está descascando e aparece por baixo a cor dourada original. A lua branca foi recoberta com prata que com o passar do tempo ficou preta, e está descascando, aparecendo por baixo o branco imaculado original

Pintaram sobre a cabeça. uma coroa de prata. Com dificuldade pode ser vista ainda restos da prata enegrecida. Aos pés, pintaram um anjo tipicamente mexicano, para cobrir as manchas deixadas por séculos de fumaça das velas. E pintaram também uns arabescos. (Nota: recentemente a mídia espalhou a descoberta de uma assinatura. Queriam com isso denegrir a origem da imagem. É que esses “descobridores” nem sequer sabiam que sobre o manto original se fizeram muitos acréscimos)!

As “tintas”

Pintores e análises químicas não desvendaram ainda que tipo de tinta teria sido empregado no original. Manuel Garibi, um perseverante examinador da pintura, resume assim a estranheza dos investigadores, principalmente quanto ao dourado que aparece nos perfis do vestido, nas quarenta e seis estrelas, nos arabescos e nos 129 raios de sol: “O dourado é transparente e sob ele se vêem os fios do poncho. Então não existia nenhum material que fosse transparente, nem sequer o cobre e o ouro, elementos indispensáveis para que o homem possa executar um dourado. Esse dourado, dotado de transparência, não pode ser obra humana”.

Incorrupção

A pintura resistiu à umidade e ao salitre, muito abundante e muito corrosivo naquela região, antes do lago Texcoco ter secado. Quadros de textura mais firme, perderam a cor e se danificaram em poucos anos.

O tecido da tela é de tão má qualidade que deveria ter se desintegrado em questão de 20 anos, mas já completou 475 anos. Até as madeiras e metais (prata, ouro e bronze) não duravam lá mais que um século.

O tramado da tecelagem é tão separado e tão imperfeito, que olhando por detrás do poncho, pode-se ver através como se fosse uma peneira, podendo, sem que o tecido atrapalhe, ver os objetos e a claridade, como comprovaram Cabrera e outros cientistas já em 1751. Esta experiência foi repetida várias vezes. Durante 116 anos, de 1531 a 1647, a pintura esteve desprotegida e exibida em várias procissões solenes. A veneração popular levou piedosos e doentes a que beijassem as mãos e a face da imagem ou que fosse tocada com objetos cujo material deveriam corromper o rústico tecido.

Carlos Maria Bustamante conta que em 1791, quando os peritos estavam limpando o ouro que enquadra a imagem, foi derramado um vidro de àcido de extraordinário poder corrosivo. “Onde está a força corrosiva do ácido?, pergunta Bustamante, que derramado de alto a baixo no poncho deixou apenas uma mínima variação na cor, como testemunho do prodígio para a posteridade. Hoje percebe-se, de perto, uma leve mancha como de água, no lado esquerdo da jovem e salpiques em vários outros lugares. A análise química confirma: é ácido nítrico.

Reflexo nos olhos

No ano de 1929, o fotógrafo Alfonso Marené González, enquanto realizava o exame de uns negativos fotográficos, muito ampliados, descobriu uma figura refletida nos olhos da jovem de Tequatlaxopeuh.

Naquele tempo, as autoridades eclesiásticas pediram-lhe prudentemente que não publicasse suas observações até obter uma comprovação científica.

Em 1951, Carlos Salinas fez uma descoberta semelhante e o Arcebispo do México, Dom Luis Maria Martinez, nomeou uma comissão para estudar o fenômeno. Foi somente em 1955 que o México soube pela rádio a notícia de que nos olhos da Virgem de Guadalupe aparecia uma pessoa espelhada - a exemplo do que acontece com os olhos vivos de uma pessoa. É o fenômeno comum no mecanismo normal da visão humana, o reflexo das figuras que vemos, em três diferentes e superpostas imagens, as chamadas imagens de Sanson - Purkinje.

Tal como toda imagem se reflete em nossos olhos, assim a de Juan Diego se refletiu nos olhos da “Virgem de Guadalupe”. Tríplice imagem em cada olho, no lugar exato, com a curvatura exata… O índio Juan Diego, tal como estaria sendo visto pelos olhos da jovem que lhe “apareceu”, saiu refletido nos olhos da imagem que ficou gravada no poncho.

Têm toda a aparência de olhos naturais, humanos, vivos! Diversos oftalmologos examinaram os olhos da imagem da “Virgem de Guadalupe”. Deixemos a palavra ao especialista Dr. Rafael Torrija Lavagnet: “Utilizei um oftalmoscópio como fonte luminosa e lente de aumento, que me permitiu uma percepção mais perfeita dos detalhes. Certifico:

- Que o reflexo de um busto humano é observado no olho direito da imagem.
- Que o reflexo desse busto humano se encontra na córnea.
- Que a distorção do mesmo corresponde à curvatura normal da córnea.
- Que além do busto humano, observam-se no dito olho dois reflexos luminosos correspondentes às imagens de Sanson-Purkinje.
- Que esses reflexos luminosos tornam-se brilhantes ao refletir a luz que é enviada diretamente.
- Que os reflexos luminosos mencionados demonstram que o busto humano é uma imagem refletida na córnea e não uma ilusão de ótica, causada pela contextuta do poncho.
- Que na córnea do olho esquerdo da imagem se percebe, com suficiente claridade, o reflexo correspondente do citado busto humano. É impossível obter esse reflexo numa superfície plana e escura.”

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Ampliação do olho direito da imagem onde se vê a figura de um homem com barba…

A presença de uma figura humana nos olhos da Imagem da Tilma asteca e a descoberta do brilho e profundidade deles, deixaram os oftalmologistas assombrados.

Do ponto de vista da Ciência, eles nada puderam explicar. Entretanto, a Jovem Rainha em atitude de oração ainda não dissera tudo. O Dr. José Aste Tonsmann, especialista em engenharia de sistemas ambientais pela Universidade de Cornell (EUA), em fevereiro de 1979 iniciou a trabalhosa e minuciosa pesquisa no Centro Científico da IBM.

Não podendo os computadores trabalhar sobre uma superfície rústica e sinuosa como a da tilma, o Dr. Aste tirou muitas fotografias. O estudo dele concentrou-se em fotografias das íris dos olhos da imagem de Guadalupe.

Ampliou as fotografias dos olhos a diversos tamanhos: de 2 a 5 milímetros de altura por 3 a 7 milímetros de comprimento. O computador dividiu cada milímetro quadrado entre 1.600 até 27.778 micro-quadradinhos, e depois ampliou cada micro-quadradinho entre 30 até 2.000 vezes, segundo as exigências da pesquisa.

Começou pelo olho esquerdo. Os computadores trabalharam e forneceram a primeira ampliação, na extremidade direita do olho, uma figura de pouco mais de 1 milímetro de largura e 4 milímetros de altura: um índio sentado sobre as pernas; sandálias de couro, calção, dorso descoberto, cabelos raspados até o meio da testa segundo o costume da época, ampliando a fronte, recolhidos na nuca, brincos em aro…brilhantes!

A segunda figura que aparece no computador foi a do esperado homem de barba descoberto em 1929, na parte da menina ocular mais próxima do nariz. Um espanhol com uma mão na barba, a outra na espada, com a boca aberta como extasiado pelo que olhava, virado para a tilma de Juan Diego. Em tripla imagem, em relevo, em cores. E no olho direito aparece com maior clareza do que no esquerdo, como já haviam percebido os anteriores oftalmologistas.

A terceira figura, de um velho, vestido de franciscano, com lágrimas escorrendo pelo nariz! Pareceu-lhe de alguém conhecido. O Dr. José Aste Tonsmann não conseguia lembrar-se. Procurou nos museus, pinturas, livros, algum rosto semelhante. Um dia ocorreu-lhe um famoso quadro do pintor Miguel Cabrera, do século XVIII, no qual o bispo Dom Juan de Zumárraga, ajoelhado, admirava a Imagem no poncho do índio…

Aquela figura no computador assemelhava-se demais com a pintura do velho bispo: seus olhos eram fundos, como também as bochechas, o nariz típico dos bascos, a barba branca, a calva grande e reluzente, com algum cabelo com o corte clássico dos franciscanos da época, isto é, uma franja ao redor da cabeça. Era mesmo o bispo Dom Juan de Zamárraga.

Descobriu um outro índio, com um chapéu típico em forma de cone, e com uma tilma amarrada no pescoço. Seu braço direito estendia-se sobre o poncho, e os lábios pareciam entreabertos: Juan Diego!

Atrás de Juan Diego, surgiu uma mulher negra que parecia observar atentamente. O pesquisador ficou depois sabendo que o conquistador Hernán Cortés recebera e entregara ao bispo Zumárraga uma escrava negra, e que o bispo concedera a liberdade e que o servia como empregada.

À direita do “ancião”, os computadores localizaram um jovem franciscano que olhava quase de frente. Comprovou-se depois que era o intérprete frei Juan González.

Mas havia mais gente no olhar calmo da Imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. Precisamente do centro de ambas as pupilas, os computadores resgataram um “grupo familiar indígena”. Era constituído por uma jovem índia, de perfil, finas feições, brincos em forma de aro, também brilhando, um adorno de madeira atravessando o penteado. Levava um bebê amarrado nas costas. Havia um homem com chapéu também em forma de cone, uma criança em pé junto e na frente da mulher. E outro casal que apreciava a cena.

Todas as privilegiadas personagens estavam em ambos os olhos. Diferindo apenas tamanho, ângulo e luminosidade, o que se encaixava perfeitamente na fenômeno da visão estereoscópica. Os alongamentos de algumas das imagens correspondem à reflexão das mesmas numa superfície convexa como é o olho humano.

Ainda faltava outra surpresa. Das duas personagens que estavam no extremo mais externo do semicírculo, o espanhol com barba e o índio sentado, o computador só podia ampliar os olhos do índio, porque o espanhol estava meio virado. E em ambos os olhos!, nos olhos do índio que está no olho da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe!, em tripla imagem! em cores!, os computadores comprovaram a mesma cena de outro ângulo!

Apresentamos alguns aspectos principais do fenômeno de Guadalupe. Existem muitos outros detalhes fantásticos. Apresentamos as conclusões obtidas por especialistas nos respectivos campos da ciência.

(Texto extraído da “Revista de Parapsicologia” número 23 elaborada pelo CLAP - Centro Latino Americano de Parapsicologia; e do livro “Nossa Senhora de Guadalupe” de Oscar G. Quevedo. Texto escrito por Carlos Orlando.)

Fontes: Além das já mencionadas, Revista Catolicismo

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