Os monges também fazem revolução
Monges budistas na capital de Miannmar (antiga Birmânia)
No conforto do terror e dos plenos poderes, os ditadores acabam sempre por cometer os mesmos erros. Os generais birmanes resolveram aumentar 66% o preço da gasolina, 100% o do óleo diesel, 54% o do gás. Todos os outros preços subiram rapidamente, sobretudo os dos transportes públicos, num país que é um dos vinte mais pobres do mundo. Para muita gente, ficou mais caro ir para o trabalho do que parar de trabalhar de vez e ficar em casa.
A junta militar achou que o país, habituado à negação de todas as liberdades, baixaria de novo a cabeça, por receio de uma resposta sangrenta das forças armadas. Mas, inesperadamente, o povo saiu para as ruas. No dia 6 de Setembro, monges budistas de Pakokku tomaram como reféns os milicianos que os maltrataram no momento em que eles pretendiam juntar-se aos manifestantes. Desde a semana passada, é na própria capital do país que dezenas de milhares de monges, descalços e nos seus hábitos cor de canela e açafrão, desfilam pelas ruas. Cada dia mais numerosos, juntando à sua volta cada vez mais gente. “Marchamos pelo povo!”, gritam eles.
Os ditadores de Miannmar não sabem como reagir a esta vaga. Até a China, que é o único país do mundo que os apoia, multiplica os conselhos de moderação aos militares birmaneses. Por receio de uma condenação por parte da Assembleia-geral das Nações Unidas, a junta militar mantém-se singularmente calma. Até quando… não se sabe. Por enquanto, não ousa atacar os monges, mas nada é mais perigoso para uma ditadura do que deixar aparecer a sua fragilidade.
A liberdade e a democracia poderão marcar alguns pontos neste braço de ferro e a China poderá perder um dos peões do seu dispositivo asiático. Para eles, a Birmânia é, por um lado, um bom fornecedor de matérias-primas e, por outro lado, uma excelente barreira contra a Índia limítrofe. Se os generais caíssem, isso seria uma ameaça para a unidade do país que só a ditadura tem conseguido manter.
Do Briteiros



