Testemunha-chave no caso de roubo de bebês na ditadura argentina é encontrada morta
Uma testemunha-chave em um julgamento sobre o destino de bebês seqüestrados por militares durante a ditadura na Argentina apareceu morta dias antes de depor. O corpo do ex-tenente-coronel Paul Navone foi encontrado em um parque perto de sua residência, na cidade argentina de Córdoba, com um ferimento à bala na cabeça. Uma arma foi encontrada próxima ao corpo.
A polícia investiga a hipótese de que o oficial tenha cometido suicídio. Ativistas de direitos humanos, no entanto, afirmam que ele foi assassinado para que não revelasse detalhes desse episódio da Guerra Suja. Navone iria testemunhar sobre o paradeiro de gêmeos filhos da dissidente política Raquel Negro.
A organização de defesa dos direitos humanos Avós da Praça de Maio exige que o governo argentino investigue a morte de Navone e afirma que ele não é a primeira testemunha a aparecer morta ou desaparecer em circunstâncias misteriosas.
Seqüestros
Acredita-se que cerca de 200 bebês, filhos de prisioneiros políticos, tenham sido tirados de suas famílias durante a ditadura militar na Argentina, de 1976 a 1983. Essas crianças foram adotadas por militares ou simpatizantes do governo. Os pais biológicos desses bebês estão entre os desaparecidos do regime militar argentino. Estima-se que 30 mil pessoas tenham sido mortas na Guerra Suja. Até agora já foram identificados 88 desses bebês, que têm hoje entre 20 e 30 anos de idade.
Eles foram encontrados graças aos esforços de seus avós, que criaram a organização Avós da Praça de Maio.



