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Moçambique destina 60 mil hectares para projeto de biodiesel

02/10/2007 Publicado por: Xico Lopes Categorias: Agricultura & Agronegócios, Brasil, Canadá, Ciências, Economia & Finanças, Empresas, Energia, Moçambique, Química, Sustentabilidade & Desenvolvimento, Tecnologia, África No Comments →

SEMENTES PINHAO

Sementes do pinhão-manso (jatropha curcas)

O governo de Moçambique vai disponibilizar 60 mil hectares de terras para o cultivo da planta brasileira pinhão-manso (jatropha curcas) em um projeto de produção de biodiesel na província de Gaza, anunciou a companhia canadense Energem.

De acordo com a empresa, o uso a longo prazo da terra terá como contrapartida para Moçambique o pagamento de US$ 2,20 (R$ 3,98) por hectare, mais de US$ 121 mil (R$ 219 mil) no total.

Uma primeira amostra do óleo produzido pela Energem em Moçambique foi analisada no South African Bureau of Standards, tendo revelado “conformidade com os padrões definidos para o seu uso na mistura de biodiesel na União Européia, principal mercado de destino para o produto final”, afirma um comunicado da empresa.

Atualmente, estão sendo plantados os primeiros mil hectares de pinhão-manso, além de preparados os solos para uma segunda plantação comercial de 5.000 hectares, também na província de Gaza.

A Energem está ainda identificando solos em Sofala, tendo em vista iniciar a sua expansão para a província vizinha. A empresa está presente em cerca de 10 países africanos, nos setores de energia e mineração.

Fonte: Agência Lusa

Descrição  e História do Pinhão-manso

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Árvore adulta do pinhão-manso 

Nome científico: Jatropha curcas L. Família botânica: Euphorbiaceae
Outros nomes populares: Pinhão-paraguaio, pinhão-de-purga, pinhão-de-cerca, purgante-de-cavalo, manduigaçu, mandubiguaçú, figo-do-inferno, purgueira, mandythygnaco, pinhão croá.
Honduras, El Salvador: Tempate
EUA: physic nut, purging nut, Barbados nut
França: médicinier, pignon d’Inde, purghère

O pinhão pertence à família das Euforbiáceas, a mesma da mamona e da mandioca. Segundo Cortesão (1956), os portugueses distinguem duas variedades, catártica medicinal, a mais dispersa no mundo, com amêndoas muito amargas e purgativas e a variedade árvore de coral, medicinal-de-espanha, árvores de nozes purgativas, com folhas eriçadas de pêlos glandulares que segregam látex, límpido, amargo, viscoso e muito cáustico.

É um arbusto grande, de crescimento rápido, cuja altura normal é dois a três metros, mas pode alcançar até cinco metros em condições especiais. O diâmetro do tronco é de aproximadamente 20 cm; possui raízes curtas e pouco ramificadas, caule liso, de lenho mole e medula desenvolvida mas pouco resistente; floema com longos canais que se estende até as raízes, nos quais circula o látex, suco leitoso que corre com abundância de qualquer ferimento. O tronco ou fuste é dividido desde a base, em compridos ramos, com numerosas cicatrizes produzidas pela queda das folhas na estação seca, as quais ressurgem logo após as primeiras chuvas (Cortesão, 1956; Brasil, 1985).

Ainda de acordo com Cortesão (1956) e Brasil (1985), as folhas do pinhão são verdes, esparsas e brilhantes, largas e alternas, em forma de palma com três a cinco lóbulos e pecioladas, com nervuras esbranquiçadas e salientes na face inferior. Floração monóica, apresentando na mesma planta, mas com sexo separado, flores masculinas, em maior número, nas extremidades das ramificações e femininas nas ramificações, as quais são amarelo-esverdeadas e diferencia-se pela ausência de pedúnculo articulado nas femininas que são largamente pedunculadas.

O fruto é capsular ovóide com diâmetro de 1,5 a 3,0 cm. É trilocular com uma semente em cada cavidade, formado por um pericarpo ou casca dura e lenhosa, indeiscente, inicialmente verde, passando a amarelo, castanho e por fim preto, quando atinge o estágio de maturação. Contém de 53 a 62% de sementes e de 38 a 47% de casca, pesando cada uma de 1,53 a 2,85 g.

A semente é relativamente grande; quando secas medem de 1,5 a 2 cm de comprimento e 1,0 a 1,3 cm de largura; tegumento rijo, quebradiço, de fratura resinosa. Debaixo do invólucro da semente existe uma película branca cobrindo a amêndoa; albúmen abundante, branco, oleaginoso, contendo o embrião provido de dois largos cotilédones achatados.

A semente de pinhão, que pesa de 0,551 a 0,797 g, pode ter, dependendo da variedade e dos tratos culturais, etc, de 33,7 a 45% de casca e de 55 a 66% de amêndoa. Nessas sementes, segundo a literatura, são encontradas ainda, 7,2% de água, 37,5% de óleo e 55,3% de açúcar, amido, albuminóides e materiais minerais, sendo 4,8% de cinzas e 4,2% de nitrogênio.

Segundo Silveira (1934), cada semente contém 27,90 a 37,33% de óleo e na amêndoa se encontra de 5,5 a 7% de umidade e 52,54 a 61,72% de óleo. Para Braga (1976) as sementes de pinhão manso encerram de 35 a 40% de óleo inodoro e fácil de extrair por pressão. Segundo Peckolt (sd) este óleo, com peso específico a +19ºR = 0,9094 e poder calorífico superior a 9,350 kcal/kg (Brasil, 1985), é incolor, inodoro, muito fluído, porém deixa precipitar-se a frio e congela-se a alguns graus acima de zero; é solúvel na benzina e seus homólogos, insolúvel no álcool a 96 ºC e solúvel em água. Destrói-se a toxidez, aquecido a 100 ºC, em solução aquosa com apenas 15 min. de calor.

O Pinhão manso (Jatropha curcas L.) está sendo considerado uma ótima opção agrícola para regiões com solos pouco férteis e secos e por ser uma espécie nativa no Brasil, é exigente em insolação e com forte resistência a seca. Atualmente, essa espécie está sendo explorada comercialmente com muitos projetos de plantio no Brasil, mas segundo Carnielli (2003) é uma planta oleaginosa viável para a obtenção do biodiesel, pois produz, no mínimo, duas toneladas de óleo por hectare, iniciando a sua produção com um ano e levando três anos para atingir a idade adulta com plena carga produtiva, que pode se estender por 50 anos ou mais.

Com a possibilidade do uso do óleo do pinhão manso para a produção do Biodiesel, abrem-se amplas perspectivas para o crescimento das áreas de plantio com esta cultura no Brasil.

Para Purcino e Drummond (1986) o pinhão manso é uma planta produtora de óleo com todas as qualidades necessárias para ser transformado em Biodiesel. Além de perene e de fácil cultivo, apresenta boa conservação da semente colhida, podendo se tornar grande produtora de matéria prima como fonte opcional de combustível.

Para estes autores, esta é uma cultura que pode se desenvolver nas pequenas propriedades, com a mão-de-obra familiar disponível, como acontece com a cultura da mamona, sendo mais uma fonte de renda para as propriedades rurais. Além disso, como é uma cultura perene, segundo Peixoto (1973), pode ser utilizado na conservação do solo, pois o cobre com uma camada de matéria seca, reduzindo, dessa forma, a erosão e a perda de água por evaporação, evitando enxurradas e enriquecendo o solo com matéria orgânica decomposta. O plantio do pinhão já é tradicionalmente utilizado como cerca viva para pastos no Norte de Minas Gerais, com a vantagem de não ocupar áreas importantes para outras culturas e pastagens e favorecer o consórcio nos primeiros anos, pois o espaçamento entre plantas é grande (Purcino & Drummond, 1986).

Óleo de pinhão manso em comparação com óleo diesel

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História do Pinhão-manso

Vários cientistas tentaram definir a origem do pinhão manso, mas sua origem é bastante controversa.  Acredita-se que o pinhão manso proceda da América do Sul, possivelmente originária do Brasil, tendo sido introduzida por navegadores portugueses, em fins do século XVIII, nas ilhas de Cabo Verde e em Guiné, de onde mais tarde foi disseminada pelo continente africano. No começo do século XIX era usado, em alguns países, para aumentar a ação purgativa do óleo de rícino, com o qual era misturado.

No passado o pinhão manso era bastante plantado nas divisas de sítios, para mangueirões de porcos, plantava-se um pé ao lado do outro, quando crescido fechava a linha e os porcos ficavam cercados, isto em São Paulo, Goiás e Minas Gerais. Atualmente em algumas localidades destas regiões encontramos algumas plantações.

Era usado também para fazer sabão, triturando a semente. Usava-se também como remédio para prisão de ventre. Em algumas regiões, o pinhão manso é considerado erva-daninha.O nome Jatropha, deriva do grego iatrós (doutor) e trophé (comida), implicando as suas propriedades medicinais. curcas é o nome comum para o pinhão manso em Malabar, Índia.

Fonte: PlanteBiodiesel

 

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