Mano Brown versus Roda Viva
Logo da pusilanimidade que recebi vendo segunda-feira o programa Roda Viva, sentei-me para fazer uma rápida crônica que realizei em minutos, porém que, não consegui enviar de imediato porque o Speedy estava fora do ar como também a nossa internet discada. Neste exato momento acabam de consertar ambas, conserto que na realidade se limitou a uma reconfiguração, já que (por várias razões advertiu-me o técnico) havia perdido sua configuração original e não “entrava”.
Há na classe media e na burguesia nacional uma fascinação pelo setor da sociedade que elas excluem de sua convivência e, em recíproca contrapartida, acontece o mesmo entre os que eles chamam de “favelados” ou “periféricos” que atendem pelos mesmíssimos interrogantes que seus opostos infundem constantemente neles.
Essa falta de sintonia entre aqueles adversários que não foram convidados a sê-lo e os menos ferrenhos a tal obstinação que poderiam mediar um início de relacionamento em comum de uma vez por todas, precisa alcançar uma mesma freqüência de onda desde a qual os portadores de um primeiro armistício consigam fazer compreender o porquê de tal contenda cada dia menos sensata e desumana, para logo de se entenderem estabelecer o relacionamento em paz.
E se a intenção dos organizadores da entrevista de 2ª feira 24 de setembro de 2007 no programa Roda Viva foi estabelecer um primeiro contato desse armistício e entendimento entre as partes da maneira que se viu aí entre “Mano Brown” x Roda Viva, o fragor da expectativa virou rasgar de seda e o final do entrevero mais do que decepção, fracasso.
Mas… Em que exatamente se ubíqua tal questionamento? Desde o desacerto na maioria da escolha dos inquiridores extraviados até os contra-sensos que emitia o interrogado apesar de estar absolutamente à vontade. A propósito, vale recordar duas frases emitidas por “Mano Brown” surpreso pelo rasga-seda (ou a ineficácia dos questionadores àquilo que ambos os setores sociais queriam saber ou aprender): “Estou encabulado pela falta de lenha” e “Não estou entendendo porque está tão suave”.
Parecia haver mais do que prudência, contemplação, mais do que cutuque, carícia, mais do que inquérito, resposta. Um desapontamento só…
Esse vazio absoluto de questionamentos esclarecedores não foi o suficiente para que o “mano” se saísse incólume apesar do handicap que numericamente existia, (onde jamais se sobrepuseram palavras senão que se concediam) porque, “o maior representante da periferia de São Paulo, seu principal porta-voz” não obstante “sair no sapatinho” pela tangente (constantemente brindada pelos seus interlocutores) não conseguiu explicar grandes arcanos sobre o modo de ser e agir na favela e suas “quebradas” de certos “manos”, no porque não quisesse senão porque não sabia.
É o caso do trânsito e comportamento real no dia a dia das favelas dos criminosos e traficantes (que denominou “comerciantes”) onde “substituem a omissão do Estado” e que ele pretende de alguma forma se entender como porta-voz cantando rap. Só traduz “sofrimento” com “responsa” quem já “tirou cadeia”.
Companheiro de cadeeiro é “truta”. Claro que “truta” pode eventualmente ser “mano”. “Mano”, sem necessidade de tomar partido. Atributo desnecessário que “Mano Brown” agregou na empolgação…



