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Como fazer um bom MBA

01/04/2008 Publicado por: Xico Lopes Categorias: Administração, Análises & Avaliações, Brasil, Dicas, Economia & Finanças, Educação & Ensino, Ofícios, Profissões & Carreira, Serviço, Trabalho & Emprego, Universidades & Institutos de Pesquisas No Comments →

No Brasil, não é raro as pessoas se referirem errôneamente à sigla MBA (em inglês, master of business administration) como sinônimo de pós-graduação – e não como uma intensa especialização em negócios, o que de fato ela significa.

mbaO modelo clássico, que deu origem ao termo, é aquele voltado para jovens com o objetivo de encurtar etapas na carreira.

A meta tem sido atingida: depois do curso, os salários chegam a triplicar, segundo as pesquisas.

Em nenhuma outra especialização em negócios o retorno é tão bom. Esse MBA clássico, no entanto, ainda não existe no Brasil – o que mais se aproxima dele são os mestrados em administração.

À frente da escola de negócios Tuck, uma das melhores do mundo, o americano Paul Danos diz receber muitos brasileiros.

Ele fez um levantamento dos erros mais freqüentes cometidos pelos estrangeiros e contraria o senso comum ao afirmar: "Um bom MBA pode ser feito por profissionais de qualquer área e com menos dinheiro do que se pensa".

A hora da escolha

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Ilustração Gisele Libutti

Erro comum: desconsiderar boas opções de MBA por achar o preço alto demais

Comentário: o preço de um bom MBA fora do Brasil é algo como 100.000 dólares, mas pouca gente sabe que uma economia de 15.000 dólares basta para o estudante embarcar e custear as primeiras despesas no exterior. Há duas maneiras de arranjar o restante do dinheiro: por meio de bolsas ou empréstimos bancários. Nesse caso, os juros são baixos, cerca de 6% ao ano – e só é preciso começar a pagar seis meses depois da formatura

Dica: as melhores escolas de MBA têm escritórios especializados em prestar apoio financeiro aos estudantes. Eles podem ajudar a conseguir bolsas ou empréstimos

Erro comum: escolher um curso apenas com base no lugar que ele ocupa nos rankings

Comentário: procurar um curso entre os 100 primeiros do ranking faz sentido – o que atrapalha é restringir-se àqueles que aparecem no topo. Às vezes, os melhores da lista têm foco em finanças, quando o que se busca é ênfase em estratégias de negócios

Dica: buscar informações específicas sobre as escolas em publicações especializadas, como a Princeton Review, conversar com ex-alunos e, se possível, visitar algumas delas antes de tomar a decisão

Erro comum: acreditar que qualquer MBA vá resultar num grande aumento de salário  

Comentário: há MBA de todo tipo e toda qualidade, dentro e fora do Brasil. Para quem conclui um curso que exige dedicação exclusiva numa das boas escolas internacionais, o impacto no salário é, de fato, alto: 125%, em média – mas essa não é uma regra.

Numa pesquisa recente, a maioria dos executivos brasileiros com MBA no currículo diz que seu efeito sobre o salário foi "baixo". Em 60% dos casos, a renda ficou inalterada

Dica: consultar os rankings certos – os das revistas americanas Forbes e Business Week e da inglesa Economist, além das listas dos jornais Wall Street Journal e Financial Times. Eles medem o aumento de salário e a evolução na carreira depois de concluído o MBA

 

Na fase de seleção

Erro comum: tentar esconder o fato de não vir da área de negócios, por medo de ser reprovado

Comentário: trata-se de uma medida sem nenhum respaldo na realidade. As boas escolas de MBA, afinal, costumam valorizar candidatos egressos de áreas distantes do mundo dos negócios, justamente por seu interesse em desbravar novos campos de conhecimento. Nessas escolas, eles representam cerca de 30% dos estudantes  

Dica: sempre que puder, enfatize sua origem profissional

Erro comum: justificar a escolha por uma determinada escola com um festival de argumentos genéricos, que serviriam para qualquer outra

Comentário: na entrevista e no texto pedido aos candidatos durante o processo de seleção, os recrutadores prestam atenção naqueles que demonstram ter escolhido a escola em questão por identificar-se com ela

Dica: tente mostrar como algumas de suas características pessoais combinam com a cultura da escola. Parece improvável, mas o reitor de Tuck conta que apreciar caninos é algo valorizado por lá. Isso por ser ativa no campus uma secular comunidade de estudantes adoradores de cães

 

Durante o curso

Erro comum: boas escolas dão aos alunos a possibilidade de fazer uma parte do curso num outro país – mas, entre os estrangeiros, quase ninguém vai

Comentário: esses intercâmbios são boa chance para esticar a rede de contatos profissionais e diversificar a experiência no exterior – dois dos pontos fundamentais para um executivo

Dica: não só vá, como escolha países cujos mercados pouco se assemelhem ao brasileiro. Atualmente, uma temporada em Dubai ou Pequim é forte diferencial num currículo

 

As melhores escolas

O ranking, feito pela revista inglesa The Economist, considera indicadores como o impacto no salário e a evolução na carreira de quem já concluiu o MBA

Universidade de Chicago
Graduate School of Business
Estados Unidos

Universidade de Stanford
Graduate School of Business
Estados Unidos

Iese Business School
Espanha

Dartmouth College: Tuck
Estados Unidos

IMD
Suíça

Universidade da Califórnia
Berkeley — Haas School of Business
Estados Unidos

Universidade de Cambridge
Judge Business School
Inglaterra

Universidade de Nova York
Stern (Estados Unidos)

IE Business School
Espanha

10º Henley Management College
Inglaterra

A visão de quem recruta

O engenheiro de produção Alexandre Gonçalves, 32 anos, teve uma boa experiência em Tuck, de onde voltou com uma promoção e um aumento que fez seu salário quase triplicar. Tornou-se também um dos responsáveis pela seleção de brasileiros candidatos a uma vaga em Tuck.

Como recrutador, ele diz: "O pior erro é não saber, antes de tudo, se tem o perfil da escola onde ambiciona estudar. Isso reduz, e muito, as chances de aprovação – e, se a pessoa for selecionada mesmo assim, periga não se identificar com a escola e amargar dois sofridos anos no exterior."

Cada perfil, um curso

Existem diferentes categorias de pós-graduação em negócios. Os especialistas ajudam a definir as três principais e dão uma boa notícia: em alguns casos, vale a pena, sim, fazer o curso no Brasil.

Especialização em áreas como finanças e marketing

Para quem é mais indicado: profissionais com pressa em aprofundar-se num tema específico que lhes faça falta no dia-a-dia. Muita gente no Brasil se refere a esses cursos como MBAs – um equívoco, uma vez que a maioria não oferece a visão mais ampla sobre negócios, fator decisivo para defini-los como tal.

Pré-requisito: alguns exigem experiência profissional
Duração: de nove meses a um ano
Preço médio (em reais)*: 20.000 (no Brasil) e 35.000 (no exterior)
Retorno esperado*: valoriza o currículo, mas, em geral, não resulta em aumento imediato de salário nem em promoção
Vale a pena fazer o curso no Brasil? Sim. Há cursos de bom nível aqui, e eles custam quase a metade do valor cobrado no exterior. A outra vantagem é não precisar abandonar o emprego

 

MBA clássico

Para quem é mais indicado: jovens com pouca experiência de trabalho cujo objetivo seja encurtar etapas em carreiras ligadas ao mercado financeiro ou a grandes empresas – e que consigam sobreviver por um tempo sem emprego.

Pré-requisitos: ter trabalhado em qualquer área por pelo menos três anos e obter pontuação alta em dois exames internacionais – o Toefl (de inglês) e o Gmat (de matemática)
Duração: de um a três anos, com dedicação parcial ou exclusiva
Preço médio (em reais)*: 170.000
Retorno esperado*: aumento de 125% no salário, tendo feito o curso numa boa escola.
Vale a pena fazer o curso no Brasil? Não, por uma razão simples: até agora, o mais próximo desse tipo de curso no país são os mestrados em administração. O primeiro curso do gênero no Brasil será oferecido neste ano, na FIA-USP

 

MBA executivo

Para quem é mais indicado: executivos mais experientes em busca de aprimoramento nas qualidades de chefia – e sem tempo para dedicar-se exclusivamente a isso. Os cursos são em módulos, em geral distribuídos por algumas semanas do ano.

Pré-requisitos: já ser chefe ou estar prestes a ocupar um cargo de chefia e ter experiência profissional de pelo menos dez anos.
Duração: de um ano e meio a dois anos, com dedicação parcial
Preço médio (em reais)*: 35.000 (no Brasil) e 135.000 (no exterior)
Retorno esperado*: aumento de 25% no salário, com um MBA feito no Brasil, e de 60%, com o curso no exterior
Vale a pena fazer o curso no Brasil? Sim. Já existem escolas de MBA executivo reconhecidas no cenário internacional. Embora o impacto desses cursos no salário seja menor, eles custam um quarto do preço e não pressupõem o abandono do emprego.

* Nas melhores escolas

 

O Brasil nos rankings

Cinco escolas brasileiras de negócios têm algum destaque em rankings produzidos pelo jornal inglês Financial Times

Coppead
(Rio de Janeiro)
Situação nos rankings: é a única da América Latina que já apareceu por três anos consecutivos entre as 100 melhores do mundo. Em 2008, deixou a lista. 

Fundação Dom Cabral
(Belo Horizonte)
Situação nos rankings: destaca-se em duas listas – na de educação executiva (sem o status de pós-graduação), em que está na 17ª posição, e na de cursos para empresas, em que aparece em 27º lugar.

Fundação Getulio Vargas
(São Paulo)
Situação nos rankings: o curso One MBA Global, oferecido em parceria com quatro escolas de negócios do mundo, é o 32º na lista de MBAs executivos.

Fundação Instituto de Administração
(São Paulo)
Situação nos rankings: o MBA executivo internacional é o 55º melhor do mundo nessa modalidade.

Ibmec
(São Paulo)
Situação nos rankings: está em 42º lugar na lista dos melhores cursos de educação executiva para empresas.

Especialistas consultados: Claudio Silveira (da Quorum Brasil consultoria), James Wright (da FIA-USP), Marcelo Ramos e Vivianne Wright (da escola MBA House) e Osvino de Souza (da Fundação Dom Cabral)

Fonte: Monica Weinberg com reportagem de Camila Pereira para a Revista Veja

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