Arte pela floresta
150 artistas expõem obras em favor da floresta e contra o aquecimento global, durante todo o mês de março, em São Paulo
Thomaz Farkas: barco no Amazonas
A idéia surgiu há mais ou menos um ano: realizar um projeto que reunisse arte e meio-ambiente e gerasse conseqüências positivas contra o aquecimento global. Foi aí que a Base7 - produtora cultural pertencente ao grupo INK - e a CO2 Soluções Ambientais se juntaram e convidaram artistas que, em suas obras, já demonstravam identificação com o Projeto Arte pela Amazônia.
Mas, para abraçar a causa, era preciso mais do que uma exposição. Numa conversa entre as duas empresas, Ricardo Ribenboim, da Base7, e Gabriel Ribenboim, da CO2, decidiram que as obras dos 150 artistas participantes seriam leiloadas e 70% do valor arrecadado, destinado a comprar uma área particular na Amazônia com cerca de um milhão de árvores, que passaria a ser uma RPPN - Reserva Particular do Patrimônio Natural - e ficaria sob a guarda do Estado. Dessa forma, a região não poderia ter outra função a não ser a de preservar a natureza.
A área escolhida, no município de Apuí, à margem direita do Rio Guariba, braço do Rio Madeira, fica no estado do Amazonas - onde há o menor nível de devastação -, quase fronteira com o Mato Grosso - que, em contrapartida, apresenta o maior risco de desmatamento por invasões vindas da Bolívia, por exemplo. “Nosso papel será formar uma barreira de entrada contra essas invasões, além de contribuir com pesquisas de monitoramento da região”, explica o articulador do projeto, Ricardo Ribenboim.
Caetano Dias
Estima-se que o leilão das obras renda de 300 a 500 mil reais, valor suficiente para comprar o terreno e ainda apoiar ONGs e projetos que são desenvolvidos com a população ribeirinha e indígena local, incentivando que vivam de maneira sustentável. Deve ser aberto edital para conhecer as iniciativas na região e verificar sua viabilidade. Ribenboim cita, como um bom exemplo, o Instituto Sócio-Ambiental - ISA -, que atua junto às comunidades em toda a extensão do Rio Negro.
Além das pinturas, fotografias, esculturas e instalações retratarem questões ambientais e denunciarem a pouca atenção dada à preservação da floresta amazônica, seus mananciais e seu povo, durante a exposição, vão acontecer palestras abertas ao público que abordam o binômio arte e meio ambiente. As escolas ainda terão à disposição monitores para auxiliar a visita. Também será feita a neutralização do carbono emitido durante o evento por meio do plantio de árvores nativas da Mata Atlântica na região metropolitana de São Paulo.
Todas as obras da exposição farão parte de um catálogo a ser lançado na ocasião, com texto do curador Jacopo Crivelli Visconti, responsável pela leitura crítica do projeto. O leilão acontece no Shopping Iguatemi, no dia 3 de abril deste ano.
Depois da primeira exposição em São Paulo, é provável que a dose se repita em outros espaços pelo Brasil e também no exterior. O governo da Espanha foi um dos que já demonstrou interesse em receber o evento.
Para Ribenboim, a arte representa o contexto em que estamos vivendo e “o aquecimento global é a nova bandeira internacional, uma necessidade entre tantas outras que precisa de atitudes efetivas”.
Exposição Arte pela Amazônia
PARQUE DO IBIRAPUERA no Pavilhão da Bienal, 3ºpiso (acesso pela rampa externa)
Endreço: Av. Pedro Álvares Cabral – s/n – Vila Mariana – Zona Sul – São Paulo (Metrô Santa Cruz a cerca de 5Km)
Telefone: (11) 5574-5505
Site: www.prefeitura.sp.gov.br
Horário: das 5h as 00h
De 05 a 30/03/08, terça-feira a domingo, das 10h às 20h
Entrada Franca
(11) 3088-4530
Fonte: Thays Prado para Planeta Sustentável



