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Archive for the ‘Personalidades & Personagens’

Che Guevara: De memórias repentinamente recobradas e efemérides oportunas cobradas

08/10/2007 Publicado por: Xico Lopes Categorias: América Latina & Caribe, Cuba, História, Internacional, Livros, Mitos, Mídia, Opinião & Crítica, Perfil, Personalidades & Personagens, Política & Políticos No Comments →

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Por Marco Ferrari (premionacionaldeliteratura@ig.com.br)

CheGuevara

Uma notícia aparecida ontem, domingo 7 de outubro de 2007 no Estado de São Paulo (e certamente em muitos outros) onde refere os 40 anos da morte do Che Guevara e novos matizes de sua personalidade e “crueldade”, faz que essas palavras escritas notadamente inverídicas ou inseridas no marco de uma absoluta distorção tendenciosa que não exibem a menor documentação escrita,  autorizam-me como conterrâneo e pessoa que o conheceu às contestar, pois, são deposições sem a menor comprovação documentária nem fonográfica, “descobertas” e anunciadas precisamente hoje como uma advertência ameaçadora, no exato momento em que a América Latina integrada no seu pensamento socialista (re) nasce na Argentina, Brasil, Uruguai, Bolívia, Chile, Peru, Venezuelana, Costa Rica, El Salvador, Nicarágua e México, impulsionando nesse seguimento casas parlamentares dos paises restantes de essa América.

Mas… Qual será a efetividade dessa personalidade recém revelada, hoje, agora, quando sua fotografia, cartazes e frases estão em todas às partes do mundo, ícone universal sem nenhum precedente anterior, onde (não) se venera o capitalismo, o comunismo, o xintoísmo, o budismo, o islamismo e o cristianismo e se cultua sua figura e representação.

Mesmo dando-lhe a essas notícias o handicap de falta de provas, é bom jogar com suas contestações estas sim irrepreensíveis.

Novas biografias expõem ‘lado negro’ de Che Guevara Revolucionário, morto há 40 anos, é retratado como doutrinário com um gosto cruel por execuções.

LONDRES - Um lado negro do líder revolucionário Ernesto Che Guevara está sendo exposto em novas biografias que, baseadas em depoimentos de pessoas que conviveram com ele, destoam das memórias enaltecedoras que marcam as comemorações dos 40 anos da morte do guerrilheiro.  
O escritor americano Jon Lee Anderson retrata o guerrilheiro como um homem egocêntrico e arrogante: “Era soberbo e muito severo com os demais. De estilo contundente, chegou a ser muito doutrinário com as suas opiniões”, afirmou Anderson à BBC. Guiado por grandes ideais, Che, diz o biógrafo, não tinha tempo para os que apoiavam a sua causa.  
“Como ele mesmo havia se sublimado por um ideal, esperava que todos os demais ao seu redor fizessem o mesmo e isso o transformou numa pessoa muito exigente e sem nenhuma paciência. Formou em volta dele uma legião de uns poucos que viveram a sua vida totalmente de acordo com Che”, disse Anderson.

É evidente que nenhum chefe militar guerrilheiro, isto é, sem sujeição a protocolos, regras de combates, abastecimento certo, disciplina de estratégia formal, acuada por forças infinitamente maiores de “boinas verdes” e da aviação os bombardeando constantemente, muitas vezes carentes de víveres, munições, medicamentos e roupas, malferidos, infectados de malária e de fungos, poderia dar contemplação nem cobertura ao luxo que nessas circunstâncias lhe representa a falta de exigências para sobreviver e a carga da paciência para fazê-lo.

O ex-agente da CIA (agência de inteligência americana) Félix Rodríguez, que participou da captura e do interrogatório de Che na Bolívia, conta um caso que sugere que o líder guerrilheiro era implacável, até mesmo cruel, com os que não apoiavam a Revolução.

Isto, como afirmações similares (todas elas sem nenhuma prova e ainda vindas de um agente da CIA que entre as ditaduras que os Estados Unidos estabeleceram ao largo da América Latina e em 1964 no Brasil (com documentos da própria CIA que não admitem a menor dúvida ao respeito) viriam para falar bem do principal inimigo consagrado (até hoje) do capitalismo norte-americano.

Outro biógrafo de Che, o jornalista cubano Jacobo Machover, autor do livro “El rostro oculto del Che”, também destoa das retrospectivas que enaltecem o líder revolucionário no 40º aniversário da sua morte. Na biografia, Machover fala sobre o período mais obscuro da vida de Che, quando ele foi colocado à frente de uma “comissão purificadora” de uma prisão em Havana que, entre outras funções, supervisionava execuções. Durante esse período, segundo Machover, pelo menos 180 pessoas foram fuziladas depois de ser submetidas a julgamentos sumários presididos pelo próprio Che.

Este cubano que conseguiu fugir da CPI instalada após o triunfo da Revolução Cubana e vive nababescamente na Flórida, mandado a dizer oportunamente “também destoa das retrospectivas que enaltecem o líder revolucionário”, deveria haver passado precisamente nessa época pelo Brasil e registrado o que faziam os Dan Mitrione da vida, onde as pessoas sem ser sequer submetidas a julgamentos sumários eram fuziladas, previamente aos seus seqüestros e torturas. E se orasse por eles nas Calendárias da (nossa) vida, veria os 111 fuzilados também sem nenhum julgamento, os milhares que anualmente também “fazia” a ROTA e os registros que recentemente se evaporaram do COPOM e que, segundo levantou a mídia (in) advertidamente, a polícia “fez” com os dentistas negros de bermudas.

José Vilasuso, advogado que trabalhou com Che na prisão de La Cabaña no preparo das acusações, confirmou esse aspecto: “Os fatos eram julgados sem nenhuma consideração dos princípios de justiça”. O livro também traz o depoimento de um ex-companheiro de guerrilha de Che, Dariel Jiménez Alarcón, que descreve a frieza mantida pelo comandante durante as execuções que presenciava. “Che subia num muro e, deitado de costas, observava as execuções enquanto fumava um charuto”, disse Jiménez.

Para este outro “arrependido” Zé, de memória repentinamente recobrada depois de 40 anos de amnésia, que confessa haver trabalhado com Che na prisão de La Cabana com métodos de “justiça” em comum, também é(ra) bom que instale seu observatório de “sem nenhuma consideração dos princípios de justiça”, mirando para os nossos tribunais, onde, quando se rouba um país não se vai (ou) nem se fica na cadeia, quando os dessas quadrilhas assassinam, tampouco, porém, quando se tenta furtar uma margarina de R$1,40 fica-se um ano e meio preso saindo-se cego sem advogado do Estado com a coragem de processar o Estado, nem quando se fica meses na cadeia por um assassinato cometido quatro anos antes de haver nascido, idem, tais memórias comemorativas recobradas não teriam oportunidades de se avivarem com tanta precisão e oportunismo de efemérides.

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