A Arte do Mito
O Masp completou 60 anos no dia 02 de outubro e inicia suas atividades culturais para um ano de comemorações. No dia 3, reabriu ao público o 2º andar - fechado no início de setembro - e mostra, pela primeira vez, uma nova forma de ver e conhecer seu riquíssimo acervo: a divisão por temas, ao invés da clássica separação por períodos e regiões geopolíticas.
Dividida em quatro temas - A arte do mito, A natureza das coisas, Olhar e ser visto e Arte religiosa - a nova concepção física e conceitual do acervo possibilitará ao publico visitante apreciar obras de períodos distintos, do clássico ao moderno, européias e brasileiras, lado a lado. A arte do mito - primeira das quatro exposições temáticas que vão nortear a partir de agora a apresentação do acervo - tem curadoria de Roberto Magalhães, professor de História da Arte e Museologia da Universidade Internacional de Arte de Florença. Com 49 obras do século XIV aos dias de hoje, a seção terá obras de Renoir, Picasso, Nicolas Poussin, entre grandes nomes. Os mitos de Hércules, Afrodite e muitos outros são abordados em pinturas, desenhos e cerâmicas.
Idealizada pelo Curador do Masp Teixeira Coelho, a nova concepção prevê para ainda este ano a abertura da segunda exposição, A natureza das coisas, com paisagens e naturezas-mortas observadas em épocas distintas. Olhar e ser visto apresenta retratos e auto-retratos e será aberta em fevereiro. Em abril, A Arte Religiosa completa a renovação do 2º andar do Masp com obras-primas da arte do século XIV à contemporaneidade. Das cerca de 7.600 obras do acervo, aproximadamente 250 poderão ser apreciadas neste novo contexto. A nova divisão temática fica em cartaz no mínimo até outubro de 2008.
ARTE DO MITO
Por que o mito? Porque o acervo do Masp possui um núcleo de obras com temas mitológicos extraordinário, num conjunto que merece ser revelado e explorado. E porque apresentar obras de técnicas e períodos diferentes com temas afins é uma das formas melhores para se evidenciar estilos individuais, visões originais - condição da existência da própria arte - e especificidades culturais de cada época; para se perceber contrastes e idéias partilhados ao longo dos séculos; para se descobrir que um nu de Manet ou Renoir pode ter mais pontos em comum com a antiguidade do que o simples “clichê” de pintores revolucionários a eles atribuído deixa suspeitar. Uma exposição sobre o mito permite, também, um retorno à nascente da cultura ocidental através das fontes literárias, que ajudam a decifrar as narrativas.
O mito é, portanto, o fio condutor desta exposição, com o seu emaranhado de lendas e símbolos, mas não seu protagonista absoluto. Ao longo dele desenvolvem-se as várias técnicas e linguagens da arte, da musicalidade e ordem em Saraceni e Poussin à atmosfera densa de Delacroix. Apesar de os temas narrativos serem objeto de atenção no material informativo à disposição do público, convém lembrar que o tema por si só não é arte. A arte está no olhar que o artista empresta ao tema. Este é, porém, um passaporte para se entrar na obra, um enigma diante do qual não queremos que o visitante, como os tebanos diante da Esfinge, sucumba.
Roberto Carvalho de Magalhães
Curador
Mito, arte, realidade
O mito é o nada que é tudo, diz um verso de Fernando Pessoa em Mensagem. O homem é um animal que se conta histórias, é isso que o diferencia entre as espécies. E o mito é uma das primeiras histórias, das primeiras formas do sentido, que o homem se deu. Jacob Bryant, citado por Edgar A. Poe no famoso conto sobre a carta roubada, escreveu que nos esquecemos de que não acreditamos nas fábulas e continuamos agindo a partir delas como se fossem realidades existentes.
O mito começou a entrar para a realidade primeiro na literatura oral e, depois, por aquilo que se chama arte. Toda a primeira grande arte da humanidade, a chamada arte clássica, depende do mito que, assim, se na arte não é tudo, por certo é muita coisa. E é um gênero que, com a paisagem, a natureza morta e o retrato, orienta a nova exposição permanente do MASP. Um gênero feito de obras na aparência fáceis de entender. Tudo nelas parece familiar. Mas, o que mesmo diz O julgamento de Paris ou o Himeneo de Poussin?
Esta mostra propõe uma reapropriação sensível destas fábulas que continuamos a tratar como realidades. A coleção do MASP é rica neste gênero e iniciar por ele a comemoração de seus 60 anos era uma evidência, em dupla homenagem à arte e àquilo que, diz Pessoa, “sem existir nos bastou / por não ter vindo foi vindo / e nos criou“: o mito, essa carta roubada (que nos roubamos) e que no entanto segue à vista - bem oculta.
Teixeira Coelho
Curador-coordenador, MASP
Serviço
Exposição A Arte do Mito
Realização
MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis ChateaubriandLocal
Av. Paulista, 1578 - Cerqueira César - São Paulo - SPEstacionamento
Garagem Trianon - Pça. Alexandre Gusmão
Progress Park - Avenida Paulista, 1636Abertura
3 de outubroPeríodo
12 mesesHorário
terça-feira a domingo e feriados, das 11h às 18h; quinta-feira até 20h.
A bilheteria fecha com uma hora de antecedência.Ingresso
R$ 15 (inteira) e R$ 7,00 (estudante), gratuito para menores de 10 anos e maiores de 60 anos.Todas as terças-feiras entrada gratuita até as 18:00 horas
Serviço Educativo
Agendamento de grupos (escolas e outros) 2ª a 6ª das 9h00 às 17h00 - (11) 3283-2585Ass. Imprensa
Comunique Assessoria em Comunicação
Fone 11 3812 2780 e 11 3097 9626 e 7227 4566, com Eduardo Cosomano.
eduardo@comunique.srv.br



