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Papa encerra visita aos EUA sendo aclamado por fiéis em missa em Nova York, mas comentários sobre tratamento a imigrantes nos EUA polemizam

21/04/2008 Publicado por: Xico Lopes Categorias: Comportamento, Direitos Humanos & Cidadania, Estados Unidos, Igreja, Migrantes & Refugiados, Responsabilidade Social, Sociedade, Tendências, Ética, Moral & Filosofia

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Foto: Paulo Whitaker/Reuters

O papa Bento XVI concluiu ontem a sua primeira visita aos Estados Unidos com uma missa no estádio do time de beisebol New York Yankees, onde foi aclamado por cerca de 57 mil pessoas. Como foi observado nestes seis dias de viagem do pontífice, os católicos americanos responderam com entusiasmo e carinho a Bento XVI, um papa que não conheciam profundamente. No estádio do Yankees, e cercado por uma produção espetacular, o líder da Igreja Católica voltou a sentir o calor dos fiéis, entre os quais havia muitos hispânicos.

Este carinho ficou evidente quando, após a cerimônia, o papa desfilou entre aplausos por uma passarela sob as notas da "Ode à Alegria" de Ludwig van Beethoven e gritos de "Nós te amamos" dos fiéis. A missa foi um claro exemplo da força da língua espanhola que é vista em muitas cidades dos EUA, mas também no seio da Igreja Católica deste país. Entre os católicos dos Estados Unidos, 29% são latinos e esta participação aumenta para 44,5% entre os que têm 18 e 39 anos. Por isto o arcebispo de Nova York, o cardeal Edward Egan, também leu uma mensagem de boas-vindas para o Papa em espanhol em nome de "grande comunidade do Centro e do Sul da América e do Caribe".

As leituras, cânticos e rezas também se alternaram em inglês e em espanhol, e o Papa, como sempre fez nas grandes cerimônias desta viagem, pronunciou uma pequena parte da homilia em espanhol. "O rosto da comunidade católica em vosso País mudou consideravelmente. Pensemos nas contínuas ondas de emigrantes, cujas tradições enriqueceram muito a Igreja nos EUA", declarou o papa. Os 57 mil fiéis que conseguiram um dos disputados ingressos para assistir à missa de Bento XVI esperaram durante horas sua chegada, período que foi amenizado por um show que contou com a presença de cantores como o porto-riquenho José Feliciano, do tenor Marcello Giordano e Harry Connick Jr.

O papa aproveitou esta missa para levantar novamente uma de suas principais bandeiras nesta viagem, a necessidade de defender a vida e condenar o aborto. Ele convidou os presentes a "garantirem o respeito da dignidade e dos direitos humanos de todo homem, mulher e criança no mundo, incluído o dos mais indefesos, como as crianças que ainda estão no seio materno". A defesa da vida, a educação dos jovens e a atenção a pobres, doentes e estrangeiros têm que ser a base da Igreja nos EUA, declarou.

Além disso, convidou a política a abraçar a fé em todas suas decisões, pois "nenhuma atividade humana, nem sequer nos assuntos temporários, pode descartar a soberania de Deus". Por isto, o pontífice elogiou um país no qual "os católicos encontraram não apenas a liberdade para praticar sua fé, mas também para participar plenamente na vida civil, levando consigo suas convicções morais para a esfera pública e cooperando com seus vizinhos para forjar uma vibrante sociedade democrática".

Em sua homilia, interrompida em várias ocasiões pelos aplausos, o líder da Igreja Católica destacou o valor da "autoridade" e da "obediência", consideradas "um obstáculo para muitos atualmente, especialmente em uma sociedade que justamente dá mais valor à liberdade pessoal". Para Joseph Ratzinger, a "autêntica liberdade é encontrada apenas quando se afasta do jugo do pecado, que nubla a percepção e enfraquece a determinação". Na mensagem que leu em espanhol, o Pontífice também convidou os fiéis a lutarem contra tudo aquilo que os escraviza, começando por seu próprio egoísmo e caprichos.

Fonte: Ag. Efe via Clicabrasília

Comentários sobre o tratamento a imigrantes causam polêmica

Na visita aos Estados Unidos, o papa Bento XVI tocou em algumas feridas, entre elas a guerra do Iraque, a política internacional da administração Bush e até os casos de pedofilia dos padres na América. No entanto, nenhum outro assunto causou tanta repercussão quanto os comentários do sumo pontífice a respeito do tratamento dado pelo governo aos imigrantes. Vozes antiimigrantes se levantaram contra o líder da Igreja Católica e alguns chegaram a dizer que Bento VXI estava tentando conquistar mais adeptos.

“O que o papa falou não representou um sermão com base na crença religiosa, mas sim um apelo para recrutar mais membros para a Igreja Católica, principalmente os estrangeiros de origem latina”, afirmou o congressista Tom Tancredo, republicano e ex-candidato à presidência do país, que centrou sua campanha na deportação imediata de todo e qualquer indocumentado. E ele foi além: “Isso não é pregação, mas um marketing da fé”, disse Tancredo, referindo-se à suposta tentativa de reavivar o movimento católico em terras americanas, que nos últimos tempos vem perdendo terreno, entre outras razões pelos escândalos envolvendo padres pedófilos.

Mais ameno foi o comentário do apresentador Lou Dobbs, da rede de televisão CNN, que criticou o papa por “tentar empurrar a anistia a imigrantes ilegais pela garganta da opinião pública”. Ele questionou a assertiva de Bento XVI sobre direitos humanos e indagou: “O que o governo tem feito com relação aos indocumentados que pode ser considerado violento ou mesmo inapropriado?”. Na ocasião de sua visita a Washington DC, o papa afirmou que “os EUA devem lutar contra todo tipo de violência, inclusive contra aquela que tira a dignidade dos imigrantes”.

Os grupos que defendem uma ampla e justa reforma imigratória aplaudiram a coragem do papa em trazer o assunto à tona. Até mesmo os assessores de Bush destacaram que o tema fez parte da pauta entre os dois líderes, mas não houve qualquer pronunciamento oficial por parte da Casa Branca. Antes da audiência com Bush, o papa recebeu uma carta enviada por crianças americanas, filhas de pais estrangeiros e indocumentados. Nas linhas, um pedido para que o sumo pontífice apelasse ao presidente norte-americano em favor dos imigrantes. “Uma ação da polícia de imigração pode separar famílias e muitos de nós estamos correndo este risco”, dizia um trecho da carta.

De acordo com os cálculos de entidades como a La Raza, o maior grupo latino na América, cerca de quatro milhões de crianças nascidas nos EUA tiveram os pais deportados ou detidos aguardando a expulsão do país.

Fonte: AcheiUSA.com

Visão_GlobalO Papa Bento XVI está imprimindo a sua marca no exercício do pontificado. Esta sua passagem pelos Estados Unidos, mais uma vez mostrou-nos um homem corajoso, aberto ao diálogo e à conciliação, mas firme na sua fé, nas suas posições.